Tipos de sujeito

Sujeito é uma função sintática que nos indica em uma oração a pessoa ou coisa sobre a qual se declara algo. Na língua portuguesa esse sujeito pode ser determinado ou indeterminado. Há ainda orações que não possuem sujeito. Venha comigo nesta aula de português revisar as classificações do sujeito e não erre mais nas questões de linguagens no Enem e nos vestibulares!

Tipos de sujeito: determinado

tipos de sujeito

Na imagem acima as palavras “os feridos” compõem o sujeito da oração. Isso porque o restante da frase faz referência aos feridos, declarando uma ação sofrida por eles. Nesse caso, sabemos quem são os sujeitos da oração. Sendo assim, dizemos que eles compõem um sujeito determinado. Vamos agora ver os tipos de sujeito determinado e como podem ser classificados e reconhecidos.

Sujeito determinado simples

É o tipo de sujeito que apresenta apenas um núcleo ligado diretamente ao verbo.

Veja o exemplo:

O candidato estuda muito para o concurso.

Para identificar o sujeito, identifique antes o verbo da oração. Faça a pergunta ao verbo. Neste exemplo acima o verbo é “estuda”. A pergunta a ser realizada é “quem estuda?” A resposta leva-nos ao sujeito da sentença: o candidato. Sendo assim, o núcleo do sujeito é o candidato.

Observe outro exemplo:

A multidão gritava nas ruas por melhores condições de trabalho.

Veja que mesmo que a palavra “multidão” denomine um grupo de pessoas, ela continua a ser classificada como sujeito simples.

Sujeito determinado composto

O sujeito composto apresenta dois ou mais núcleos ligados diretamente ao verbo na sentença produzida. Observe o exemplo:

Direito e Medicina são os cursos mais disputados nos vestibulares.

O verbo da sentença é “são”. A pergunta a ser realizada para encontrarmos o sujeito seria “quais são os cursos mais disputados?”. A resposta direciona para o sujeito: “Direito e Medicina”. E, como constituem-se com mais de um núcleo, são classificados como sujeito composto.

Sujeito Implícito ou oculto

Ocorre quando o sujeito não está explicitamente representado na oração, mas pode ser identificado pela desinência verbal. Observe os exemplos.

Dispensamos todos os estudantes da prova do ENEM.

Nessa oração, o sujeito é implícito e determinado, pois está indicado pela desinência verbal -mos.

O sujeito implícito também é chamado de sujeito elíptico, subentendido ou desinencial. Também pode ser denominado sujeito oculto.

Nesses casos identifica-se a pessoa do discurso do verbo. No exemplo acima, a pessoa do discurso do verbo “dispensamos” é “nós”.

Outro exemplo:

Cheguei atrasada para a prova. (sujeito implícito: eu)

Desinência do verbo: “ei”

 

Tipos de sujeito: indeterminado

Sujeito indeterminado é aquele que, embora existindo, não se pode determinar nem pelo contexto, nem pela terminação do verbo. Na língua portuguesa, há três maneiras diferentes de indeterminar o sujeito de uma oração:

Com verbo na 3ª pessoa do plural:

O verbo é colocado na terceira pessoa do plural, sem que se refira a nenhum termo identificado anteriormente (nem em outra oração). Por exemplo:

Procuraram o vestibulando por todos os lugares.
Estão pedindo seu documento na entrada da sala.

Com verbo ativo na 3ª pessoa do singular, seguido do pronome se:

O verbo vem acompanhado do pronome se, que atua como índice de indeterminação do sujeito. Essa construção ocorre com verbos que não apresentam complemento direto (verbos intransitivos, transitivos indiretos e de ligação). O verbo obrigatoriamente fica na terceira pessoa do singular.

Exemplos:

Acredita-se na aprovação. (Verbo Intransitivo)
Precisa-se de candidatos para os cursos de licenciaturas.  (Verbo Transitivo Indireto)
Na hora da prova, sempre se fica nervoso. (Verbo de Ligação)

Na língua portuguesa também há casos de orações sem sujeito. Vamos atentar para os exemplos desses casos para sabermos identificá-las corretamente.

Oração sem sujeito

Uma oração sem sujeito é formada apenas pelo predicado e articula-se a partir de um verbo impessoal. Observe a estrutura destas orações:

Sujeito Predicado
Havia alunos na sala do concurso.
Nevou muito este ano em Nova Iorque.

As orações sem sujeito constituem a enunciação pura de um fato através do predicado. A mensagem é focada no processo verbal. Os principais casos de orações sem sujeito na língua portuguesa são os citados abaixo. Observe:

Verbos que exprimem fenômenos da natureza:

Nevar, chover, ventar, gear, trovejar, relampejar, amanhecer, anoitecer, etc. Por exemplo:

Choveu muito na hora da prova do ENEM.
Anoiteceu antes do horário previsto.

Observação: quando usados na forma figurada, esses verbos podem ter sujeito determinado. Por exemplo:

Choveram abraços ao candidato aprovado. (O que choveu? Abraços – sujeito simples)
Já adormeci cansada. (eu = sujeito)

Verbos ser, estar, fazer e haver, quando usados para indicar uma ideia de tempo ou fenômenos meteorológicos:

 

Ser:

É noite. (Período do dia)
Eram três horas da manhã. (Hora)

Ao indicar tempo, o verbo ser varia de acordo com a expressão numérica que o acompanha. (É uma hora/ São oito horas)

Hoje é (ou são) 15 de novembro, portanto, feriado. (Data)

Veja que ao indicar data, o verbo ser poderá ficar no singular, subentendendo-se a palavra dia, ou então irá para o plural, concordando com o número de dias.

Estar:

Está cedo. (Tempo)

Está muito frio. (Temperatura)

Fazer

Faz dois anos que não vejo minha mãe. (Tempo decorrido)

Fez 40° C ontem. (Temperatura)

Haver:

Não a vejo há dias. (Tempo decorrido)

Havia muitos candidatos naquela aula. (Verbo haver significando existir)

Com exceção do verbo ser, os verbos impessoais devem ser sempre usados na terceira pessoa do singular. Devemos ter cuidado com os verbos fazer e haver usados impessoalmente: não é possível usá-los no plural. Por exemplo:

Faz muitos anos que nos conhecemos.
Deve fazer dias frios no Rio Grande do Sul.

Observe outros exemplos:

muitos candidatos interessados na vaga.
Houve muitos candidatos interessados na vaga.
Havia muitos candidatos interessados na vaga.
Haverá muitos candidatos interessados na vaga.
Deve ter havido muitos candidatos interessados na vaga.
Pode ter havido muitos candidatos interessados na vaga.

 

Para continuar os estudos, assista a videoaula do professor Noslen sobre tipos de sujeito:

 

Exercícios

 

(FUVEST SP/2019)

1 Mito, na acepção aqui empregada, não significa mentira, 2 falsidade ou mistificação. Tomo de empréstimo a formulação 3 de Hans Blumenberg do mito político como um processo 4 contínuo de trabalho de uma narrativa que responde a uma 5 necessidade prática de uma sociedade em determinado 6 período. Narrativa simbólica que é, o mito político coloca em 7 suspenso o problema da verdade. Seu discurso não pretende ter 8 validade factual, mas também não pode ser percebido como 9 mentira (do contrário, não seria mito). O mito político confere 10 um sentido às circunstâncias que envolvem os indivíduos: ao 11 fazê-los ver sua condição presente como parte de uma história 12 em curso, ajuda a compreender e suportar o mundo em que 13 vivem.

ENGELKE, Antonio. O anjo redentor.
Piauí, ago. 2018, ed. 143, p. 24.

Sobre o sujeito da oração “em que vivem” (Ref. 12-13), é correto afirmar:

a) Expressa indeterminação, cabendo ao leitor deduzir a quem se refere a ação verbal.

b) Está oculto e visa evitar a repetição da palavra “circunstâncias” (Ref. 10).

c) É uma função sintática preenchida pelo pronome “que” (Ref. 12).

d) É indeterminado, tendo em vista que não é possível identificar a quem se refere a ação verbal.

e) Está oculto e seu referente é o mesmo do pronome “os” em “fazê-los” (Ref. 11).

 

(Fac. Santo Agostinho BA/2018)

Quadrilha

1. João amava Teresa que amava Raimundo

2. que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

3. que não amava ninguém.

4. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

5. Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

6. Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

7. que não tinha entrado na história.

ANDRADE, Carlos Drummond
de. Alguma poesia. Rio de
Janeiro: Record, 2002.

Nesses versos, o sujeito lírico nos apresenta personagens que vivenciam ações particulares. Assim, pode-se afirmar que o poema tem caráter

a) dissertativo.

b) descritivo.

c) argumentativo.

d) narrativo.

 

(UEL PR/2018)

1 Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriram uma forma de diagnosticar e tratar 2 o Mal de Alzheimer, doença degenerativa que mais afeta pessoas no mundo, especialmente na velhice. Em 3 animais, o método interrompeu o processo de perda de funções do cérebro causado pela doença. A  4 descoberta foi um dos destaques na revista Journal of Neuroscience, uma das principais publicações científicas. De 5 acordo com reportagem do jornal O Globo, o alvo do estudo foram os astrócitos, tipo de célula cerebral 6 considerada secundária até há alguns anos. Sem eles, as mensagens químicas que fazem o cérebro comandar 7 o organismo não são enviadas.

8 As mensagens químicas são destruídas por uma substância inflamatória chamada oligômero ab e os 9 pesquisadores descobriram que eles atacam os astrócitos. O resultado é que as células deixam de produzir 10 uma substância essencial para a comunicação chamada TGF-b1, uma molécula que pode ser sintetizada e, 11 quando dada aos camundongos, fez com que a memória deles voltasse. “O que descobrimos não significa 12 a cura, mas uma estratégia para conter o avanço da doença. Também pode ser um indicador do Alzheimer, 13 quando as perdas de função cognitiva ainda não são evidentes”, disse ao GLOBO a coordenadora do es14 14 tudo, Flavia Alcântara Gomes, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro 15 (ICB/UFRJ).

(Disponível em: <https://br.noticias.yahoo.
com/cientistas-brasileiros-descobrem-ma-
neira-de-deter-o-mal-de-alzheimer-1854
22617.html>. Acesso em: 23 jun. 2017.)

Em relação aos recursos linguísticos e morfossintáticos do texto, considere o trecho a seguir.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, o alvo do estudo foram os astrócitos, tipo de célula cerebral considerada secundária até há alguns anos. Sem eles, as mensagens químicas que fazem o cérebro comandar o organismo não são enviadas.

Assinale a alternativa correta.

a) O sujeito do verbo “foram” está implícito, já que é impossível identificá-lo na oração.

b) A expressão “tipo de célula cerebral considerada secundária” é um aposto do termo anterior.

c) O uso do termo “até” junto à palavra “há” é inadequado, segundo a norma padrão da língua.

d) O pronome “eles” faz referência aos “pesquisadores”, citados anteriormente no texto.

e) O termo “que” pode ser substituído por “o qual”, pois retoma “o cérebro”.

 

(UEPG PR/2016)

Gramática amorosa

Piscadelas, gestos sutis com as mãos e até tosses e escarradas eram usados como forma de mostrar interesse pelo sexo oposto

Na Idade Moderna, erotismo designava “o que tivesse relação com o amor”. Como essa definição se materializaria na prática? Há registros de estratégias de sedução que soariam pouco familiares e mesmo pueris aos olhos de hoje. É o caso do “namoro de bufarinheiro”, descrito por Julio Dantas, corrente em Portugal e também no Brasil, ao menos nas cidades. Consistia em passarem os homens a distribuir piscadelas e a fazerem gestos sutis com as mãos e bocas para as mulheres que se postavam à janela, em dias de procissão, como se fossem eles bufarinheiros a anunciar seus produtos. É também o caso do “namoro de escarrinho”, costume luso-brasileiro dos séculos 17 e 18, no qual o enamorado punha-se embaixo da janela da moça e não dizia nada, limitando-se a fungar à maneira de gente resfriada. Caso a declaração fosse correspondida, seguia-se uma cadeia de tosses, assoar de narizes e cuspidelas. Escapa-nos, sobremaneira, o apelo sedutor que os tais “escarrinhos” poderiam ter naquele tempo, mas sabe-se que, até hoje, no interior do país, o namoro à janela das moças não desapareceu de todo. […]

Adaptado de: Mary Del Priore, Revista Aventuras na
História. Edição 139, fevereiro/2015, ano 12, no 3, p.56.

Quanto ao tipo de sujeito e a sua posição na sentença, assinale o que for correto.

01. “Piscadelas, gestos sutis com as mãos e até tosses e escarradas eram usados…” Sujeito composto anteposto ao verbo.

02. “… erotismo designava “o que tivesse relação com o amor…” Sujeito simples anteposto ao verbo.

04. “Há registros de estratégias…” Sujeito simples posposto ao verbo.

08. “Consistia em passarem os homens…” Sujeito elíptico.

16. “Escapa-nos, sobremaneira, o apelo sedutor que os tais “escarrinhos” poderiam ter naquele tempo…” Sujeito simples posposto ao verbo.

 

1-Gab: E

2-Gab: D

3-Gab: B

4-Gab: 27

Sobre o(a) autor(a):

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Andressa da Costa Farias para o Blog do Enem. Andressa é formada em Letras Português e Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Maria. E atualmente cursa Doutorado em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina. Colabora eventualmente escrevendo crônicas para o jornal Diário de Santa Maria (RS) das quais posta no blog pessoal: www.andressacf.blogspot.com Facebook: https://www.facebook.com/andressa.dacostafarias