Tectonismo e vulcanismo

Como será que surgem os vulcões? Há algum motivo para eles aparecerem em determinados locais ou apenas surgem aleatoriamente? Vulcão, terremoto e placas tectônicas têm alguma coisa a ver? Para responder a essas e outras perguntas, nada como dar uma lida e descobrir o funcionamento desses fenômenos que causam tanto medo nas pessoas, não é mesmo? Acompanhe a aula a seguir e deixe seus conhecimentos aflorarem na hora de fazer a prova do Enem!

Tectonismo e vulcanismo são duas forças modeladoras do relevo terrestre, sendo que elas, junto ao plutonismo, são conhecidas como agentes internos ou endógenos. Esses agentes são ocasionados pela energia que existe no interior da Terra, modificando as paisagens a partir de baixo – ou de dentro – da crosta terrestre. Vamos agora entender como funcionam e quais as origens dessas forças!

Tectonismo

O tectonismo, enquanto agente modelador endógeno, dá origem a dois tipos de movimentos importantes na estrutura da camada superficial da Terra. Veja:

– Movimentos orogenéticos:

Os movimentos orogenéticos (dobras), proporcionam o soerguimento da crosta que faz surgirem montanhas ou cadeias montanhosas (assim como elevações de proporções muito menores).

Através da deformação compressiva, a crosta continental dobra-se de um modo semelhante a uma folha de papel em cima de uma mesa, quando empurramos suas duas extremidades (horizontal), ou quando empurramos uma das faces da folha para cima (vertical).

Ou seja, a deformação pode ser causada por forças horizontais ou verticais na crosta, conforme a representação na Figura 1:

dobramentos
Figura 1 – Representação das dobras e a ocorrência de dobras horizontais e com caimento. Fonte: GROTZINGER, John P.; JORDAN, Thomas H. Para entender a terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.
– Movimentos epirogenéticos:

Além da orogenia, temos também originado pelo tectonismo o movimento epirogenético (falhas). Esses são movimentos verticais da crosta em que o sentido pode ser ascendente ou descendente, atingindo grandes extensões continentais e podendo ocasionar regressões e transgressões marinhas. A falha é basicamente uma fratura que desloca a rocha em ambos os lados paralelos a ela, como podemos observar na Figura 2.

falhas em relevos vulcanismo e tectonismo
Figura 2 – Representação das ocorrências mais comuns de falhas. Fonte: GROTZINGER, John P.; JORDAN, Thomas H. Para entender a terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

Para compreender os efeitos descritos acima, precisamos entender como funciona a tectônica de placas de uma maneira mais ampla e seus processos. Sabe-se que desde o resfriamento da camada superficial da Terra – a crosta terrestre – movimentos internos das camadas inferiores do nosso planeta ocasionaram a quebra dessa “casca”.

As placas tectônicas

Essas quebras na crosta formaram o que conhecemos como as placas tectônicas. A princípio eram placas muito grandes.

Porém, ao longo do tempo, foram se quebrando em placas menores até chegar na configuração que temos atualmente, conforme pode-se observar na Figura 3.

placas tectonicas no mundo
Figura 3 – Representação da distribuição geográfica das placas tectônicas da Terra. Os números representam as velocidades em cm/ano entre as placas; as setas, os sentidos do movimento. Fonte: SILVA, Cássio R. et al. Geodiversidade do Brasil: Conhecer o passado, para entender o presente e prever o futuro. CPRM: Serviço Geológico do Brasil (modificado de Teixeira et al., 2000). Disponível em:    <https://www.researchgate.net/publication/305045427_Comeco_de_Tudo>. Acesso em: 14/03/2020.

Os sentidos dos deslocamentos nos limites entre as diferentes placas podem ser:

a) Convergentes: quando as placas tectônicas se movem de encontro com a outra;

b) Divergentes: quando as placas tectônicas realizam movimento de afastamento;

c) Transformantes: quando as placas deslizam e roçam uma na outra, ao longo de uma falha transformante, não havendo geralmente destruição nem ou criação de crosta).

É importante lembrar que tudo isso ocorre por conta de um mecanismo que é o motor da tectônica de placas: a convecção do manto.

Como ocorre a convecção do manto?

O material quente do manto é capaz de mover-se como um fluido viscoso. O calor que escapa do interior da Terra provoca a convecção desse material (circulação ascendente e descendente) a velocidades de poucas dezenas de milímetros por ano.

E por que isso ocorre? Vamos pensar no exemplo de uma experiência que qualquer pessoa pode fazer em casa.

Se aquecemos a água numa panela até chegar próximo o ponto de fervura e adicionamos à superfície da água algumas folhas de louro, veremos as folhas de moverem. Isso acontece porque elas são arrastadas pelas correntes de convecção da água na panela.

Movimentos das placas tectônicas

Nas teorias mais difundidas sobre o movimento das placas tectônicas afirma-se que um processo muito semelhante ao do experimento descrito acima ocorre em nosso planeta.

Nesse caso, ocorre com o material abaixo da crosta arrastando as placas no sentido circular do movimento de convecção do manto.

Em outras teorias, afirma-se que o movimento mais rápido das placas (umas mais do que outras) estaria relacionado às forças gravitacionais exercidas pelas lascas mais antigas e frias da litosfera (por isso pesadas).

Nesse caso, em vez de serem arrastadas pelo movimento do manto, “cairiam de volta” para o manto por conta de seu próprio peso. Reciclando-se, voltando ao estado pastoso magmático.

Independentemente das teorias, sabe-se que nos limites convergentes estão localizadas as zonas de subducção. Nelas há a reciclagem de uma placa ao submergir arrastando-se por baixo da borda de outra placa.

São nessas regiões onde há maior instabilidade, contabilizando maior ocorrência de terremotos e onde também há muito vulcanismo. Além disso, são nesses locais onde estão as grandes cadeias montanhosas, por conta da orogenia.

Vulcanismo

O vulcanismo também se caracteriza por ser força modeladora do relevo endógena. Ele representa o processo de formação dos vulcões e das rochas vulcânicas.

Os vulcões podem ser definidos como elevações ou montanhas construídas pelo acúmulo de lavas e de outros materiais eruptivos. Eles transportam magma do interior da Terra para a superfície.

Nesses locais alguns tipos de rochas são formadas e gases são injetados na atmosfera ou hidrosfera, no caso de erupções submarinas.

Portanto, os vulcões são elevações do relevo formadas pelo extravasamento de magma que, em contato com o ar (ou água), resfria na superfície, transformando-se em rochas resistentes.

A rochas, os magmas e os processos necessários para percorrer toda a sequência de acontecimentos desde a fusão até a erupção constituem um geossistema vulcânico, como pode ser observado na Figura 4.

esquema vulcanismo
Figura 4 – Representação simplificada de um geossistema vulcânico. Fonte: GROTZINGER, John P.; JORDAN, Thomas H. Para entender a terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

O magma, que ao atingir a superfície dá origem ao que chamamos de lava. A lava é composta pelos minerais fundidos, gases e substâncias químicas presentes no interior da Terra. E, mesmo quando atingem a superfície da crosta ainda estão sob altíssimas temperaturas.

Os gases presentes no interior da Terra percorrem as fissuras na crosta. Essas fissuras comumente se localizam nos limites das placas tectônicas e assim eles abrem caminhos para o magma emergir, originando aos vulcões.

Vulcanismo pelo mundo

Cerca de 3.000 vulcões submarinos encontram-se enfileirados entre o litoral japonês e a costa oeste estadunidense. Toda a lava produzida por eles contribuiu para a formação de diversas ilhas. Ilhas que nada mais são do que os cumes de cadeias de montanhas que estão no fundo do mar, sobre o assoalho oceânico.

Essa região é chamada de Círculo de Fogo do Pacífico, e ocupa uma grande extensão do nosso planeta, como pode ser observado na Figura 5.

circulo de fogo vulcanismo
Figura 5 – Representação que demonstra a localização do Círculo de Fogo do Pacífico acompanhando limites entre placas tectônicas Fonte: r7. Disponível em: <https://img.r7.com/images/mapa-indonesia-terremoto-29072018103951131>. Acesso em: 13/03/2020.

Na região central do assoalho oceânico do Oceano Atlântico, temos outro local de grande ocorrência de vulcões submarinos, que é a Dorsal Mesoatlântica (representada na Figura 6), entre a África e a América do Sul.

batimetrico relevo
Figura 6 – Mapeamento batimétrico do relevo e estruturas do oceano Atlântico entre os continentes América do Sul e África. Fonte: SILVA, Cássio R. et al. Geodiversidade do Brasil: Conhecer o passado, para entender o presente e prever o futuro. CPRM: Serviço Geológico do Brasil (modificado de Teixeira et al., 2000). Disponível em:    <https://www.researchgate.net/publication/305045427_Comeco_de_Tudo>. Acesso em: 14/03/2020.

Quando determinado vulcão tem uma lava com mais sílica em sua composição, maiores serão as explosões nas erupções. Isso ocorre principalmente em vulcões localizados em zonas de subducção de placas tectônicas.

Por outro lado, vulcões que expelem lavas mais básicas, pobres em sílica, registram erupções menos explosivas, logo, menos perigosas para nós, seres humanos, e demais seres vivos.

Veja nossa aula sobre tectonismo e vulcanismo para continuar estudando:

Um grande abraço e bons estudos!

Referências da aula de vulcanismo:

GROTZINGER, John P.; JORDAN, Thomas H. Para entender a terra. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.

TAMDJIAN, James Onnig; MENDES, Ivan Lazzari. Geografia geral e do Brasil: estudos para a compreensão do espaço. São Paulo: FTD, 2013.

TEIXEIRA, Wilson. Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi preparado pelo professor João Marcelo Vela para o Curso Enem Gratuito. João é licenciado e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dá aulas de Geografia e Filosofia em escolas da Grande Florianópolis desde 2015, além de atuar como articulador de Ciências Humanas. E-mail para contato: [email protected]

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