Mudanças na língua portuguesa

As mudanças que ocorrem na língua portuguesa são tema constante das questões na prova de Linguagens do Enem. Então vem estudar esse assunto e resolver os exercícios pra testar o que aprendeu!

As mudanças na língua falada são constantes porque o idioma está sempre em movimento. Já alterações na língua escrita são mais tímidas. Vamos entender como funcionam essas mudanças para ter a resposta na ponta da língua na hora do Enem! 

Os fatores que fazem com que a língua mude são muitos: geográficos, históricos, sociais, entre outros. Justamente por todo esse contato que a língua falada não para de se modificar. Essas transformações estão em todos os lugares. Seja os edifícios de grandes empresas com os participais de reuniões profissionais, ou em um grupo de amigos se divertindo na praia de maneira bem informal. 

Nas letras de música, nos poemas, documentos empresarias ou legislativos, nada fica igual por muito tempo. Algumas dessas mudanças na língua vêm naturalmente, como a incorporação de gírias, por exemplo. Já outras são impostas por leis, que foi o caso do Acordo Ortográfico lá dos anos 90. 

Leia o quadrinho abaixo criado pela página Plebeus Ociosos.  

mudanças na língua portuguesa
Fonte: Twitter @PlebeusOciosos

Podemos perceber algumas coisas na grafia das palavras. As vogais U trocadas propositalmente pela consoante V, os nomes das crianças e os motivos pelos quais alguns estão ausentes. Tudo isso contextualiza, de maneira humorística, que a realidade em que vivem os personagens não é a atual. Tanto a grafia como a fala rementem a uma maneira de se comunicar que não é vigente. 

Um dos motivos da quebra a expectativa nesse quadrinho é justamente esse: as expressões de fala usada pelos personagens e a maneira como foi grafada. 

Escrever e falar 

Não é segredo que a fala se modifica mais rápido do que a escrita, correto? Isso ocorre porque a escrita exige uma padronização – norma culta – para ser compreendida por mais pessoas durante um período maior de tempo. Lembre-se, estudante, a língua falada é muito mais utilizada do que a escrita 

Por mais que surjam inúmeras palavras novas na boca dos falantes, nem todas tem a sorte de entrarem para o dicionário. Para que isso aconteça, esse vocábulo precisa ser usado de maneira ainda mais ampla, por exemplo, por escritores ou profissionais de outras áreas que precisam usá-lo. 

Muda porque sim, oras 

Este texto que você está lendo está bem próximo da norma vigente da língua portuguesa de 2020. Bem diferente do português da época em que os portugueses vieram para o Brasil, em 1500. Alguns linguistas chamam a atenção para mudanças na língua que ocorrem no sentido cognitivo, ou seja, a maneira como os falantes podem interpretar a fala. Um desses exemplos passa pela metáfora. 

Dizer que “arrumou alguém legal para sair”, não significa que essa pessoa estava quebrada, foi consertada e pode sair. O verbo “arrumar”, neste contexto, ganha um novo significado. 

Como já foi citado, fenômenos de ordem social e cultural também interferem nas mudanças da língua. A maneira como se vive, as manifestações culturais também sofrem alterações e até a forma política em constante mudança interfere na mudança da língua. 

O contato com povos também enriquece o idioma e, claro, modifica-o. No século XIX, a influência do idioma francês no nosso foi tão grande que, até hoje, temos palavras francesas em nosso vocabulário. Pensou em abajur, certo? 

Apenas diferente, não errada 

Vamos pensar agora no mapa do Brasil. O território nacional tem dimensões de continente, e isso, claro, influencia na mudança da língua. Devemos ter em mente que a língua não muda apenas com tempo, mas também podem variar no espaço geográfico. Quando estudamos essas variações dentro de filtros como classe social, gênero, faixa etária, região ou escolarização – só pra citar alguns – fica perceptível esse dinamismo. 

Na ponta da língua dos jovens 

Pense comigo: quem foi o criador ou criadora ou o grupo de pessoas responsável pelo famoso internetês? Como essa escrita surgiu? Antes de me responder, leia esse fragmento da crônica de Antônio Prata. 

– #S D COMUNIKSSAUM,  

?s d comunikssaum  

por Antônio Prata 

A 1ª vz q abri o e-mail e dei de kra c/ uma msgm assim, naum entendi ndPnsei q era pau do outlookpblma do cputadorNaumnd dsso: era soh + uma leitora da KPRIXO que flava essa stranha lihngua da internet. Como a kda dia que passa, rcbo + msgs nesse dialeto sqzitopercbi q, ou aprendia eu tb a tklar assim, ou fikava p trahs. Na natureza nd c perde, nd c cria, td c transforma: tinha xgado a hr de eu tb me transformar.” […] 

Serah? Sei naum.,. Tvez eu seja antiquad, 1/2 pessimista, + gost da nossa lihngua e de tdos os pqnos dtalhesScrevam como quiserm, c comuniquem na lihngua da internet, em cohdigo Morse ou c/ hierohglifos egihpciosdsd q, d vz em qdo, abram um livro desses antigos, q usam acentos, e dehem uma lida. Tvez d + trbalho do q tklar no msnger, no ICQ ou num chat. + garanto que eh do kct. 

Bjs[]s e ateh a prohxima edissaum. 

Ass. Antn Prt!”  

Para você, que já está há muito tempo nesse mundo, não foi difícil entender a mensagem do texto, certo? Esse é um exemplo claro desse dinamismo da língua escrita 

Pode ser que esse recurso de escrita não seja mais uma novidade, porém ainda está em uso e, sim, se modificando também. As abreviações, como se sabe, eram usadas desde a época do latim. 

Fazemos parte dessa mudança 

Somos seres falantes e fazemos parte das mudanças na língua portuguesa. Aliás, somos responsáveis por ela. Podemos até arriscar que seu pai ou sua mãe não se comunicavam com os amigos deles como você se comunica com o seu, e já sabemos o motivo disso. 

Entender como a língua funciona, seja falada ou escrita, – além de nos ajudar muito no Enem – serve para combater o preconceito linguístico, pois sabemos que existem jeitos de falar diferentes, nem piores, nem melhores. 

Conhecer as diferentes situações em que devemos nos comunicar nos ajuda a expressar nossa visão de mundo em qualquer contexto que seja. Ter a oportunidade de poder nos fazer entender nos auxilia a viver em sociedade com uma visão crítica de mundo.  

Defender uma tese de doutorado nos exige um conhecimento da norma padrão tanto da escrita como da fala, porém quando estamos num ambiente mais informal, podemos abrir mão desse padrão, o que não quer dizer que a comunicação fique comprometida.  

Exercícios sobre mudanças na língua portuguesa

1- (ESPM SP/2019)

“É Brasileiro, já passou de Português…” 

A ideia de uma língua única, que não se altera, é um mito, pois a heterogeneidade social e cultural implica a heterogeneidade linguística. 

(…) 

Embora Brasil e Portugal tenham uma língua comum, é nítido a qualquer falante do português que existem diferenças entre o português falado nos dois países – claro que elas também existem com relação aos demais países de língua portuguesa. (…) Essas diferenças são tão grandes que podemos afirmar que no Brasil se fala uma língua diferente da de Portugal, que os linguistas denominaram de português brasileiro. Isso é tão evidente que, se você observar um processador de textos, o Word, por exemplo, na ferramenta idiomas há as opções português e português brasileiro ou português (Brasil). Por quê? Como são línguas diferentes, o corretor automático do processador precisa saber em que “língua” está sendo escrito o documento, pois o português europeu e o brasileiro seguem regras diferentes. 

Quando ouvimos um habitante de Portugal falando, percebemos imediatamente um uso diverso da língua. A diferença mais perceptível é de ordem fonológica, ou seja, na maneira de produzir os sons da língua. Identificamos rapidamente que ele fala português, porém com “sotaque ou acento lusitano”. Se atentarmos com mais cuidado, perceberemos, entretanto, que as diferenças não são apenas de ordem fonológica. Há também diferenças sintáticas (poucas) e lexicais. Um mesmo conceito é designado por significantes diferentes, o que prova o caráter imotivado do signo linguístico. (…) 

(Ernani Terra, Revista Língua Portuguesa, adaptado, julho/2018) 

Um argumento concreto para corroborar a ideia de que “língua única, que não se altera, é um mito”, exposta no primeiro período, é o trecho:  

a) “existem diferenças entre o português falado nos dois países” 

b) “se fala uma língua diferente da de Portugal” 

c) “elas também existem com relação aos demais países de língua portuguesa” 

d) “o Word… na ferramenta idiomas há as opções português português brasileiro ou português (Brasil)”  

e) “o português europeu e o brasileiro seguem regras diferentes”

 2- (Unicamp/2019)    
mudanças na língua portuguesa exercícios
(Disponível em https://www.face-
book.com/SeboItinerante/photos/. 
Acessado em 28/05/2018 

“Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos ferem e trespassam. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo do bom senso e do senso comum.”  

(Adaptado de “Franz Kafka, carta a Oscar Pollak1904.” Disponível em
https://laboratoriode sensibilidades.wordpress.com. Acessado em 28/05/2018.)  

Assinale o excerto que confirma os dois textos anteriores.  

a) A leitura é, fundamentalmente, processo político. Aqueles que formam leitores – professores, bibliotecários – desempenham um papel político. (Marisa Lajolo)

b) Pelo que sabemos, quando há um esforço real deigualitarização, há aumento sensível do hábito de leitura,e portanto difusão crescente das obras. (Antonio Candido) 

c) Ler é abrir janelas, construir pontes que ligam o que somos com o que tantos outros imaginaram, pensaram, escreveram; ler é fazer-nos expandidos. (Gilberto Gil)

d) A leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, por que não sonhar os meus próprios sonhos? (Fernando Pessoa)

Excertos adaptados de:  

Marisa Lajolo, A formação do leitor no Brasil. São Paulo: Ática, 1996, p. 28.  

Antonio Candido, Vários escritos. São Paulo: Duas cidades, 2004, p.187.  

Gilberto Gil, Discurso no lançamento do Ano Ibero-Americano da Leitura, 2004.  

Fernando Pessoa, Páginas íntimas e de Auto-Interpretação. São Paulo: Ática, 1966, p. 23. 

3- (ESPM/2019)

Quando se conversa, deve-se evitar as frases feitas que são verdadeiras chapas. Exemplos: em um enterro, dizer “que não se morre senão uma vez”, que “basta estar vivo para morrer”, que “o morto é feliz porque deixou de sofrer”, que “Deus sabe o que faz e escreve certo por linhas tortas” ou que “as grandes dores são mudas”. Quando se visita um doente, não há necessidade de levar no bolso sentenças desse jaez: “a saúde é a maior das fortunas”, “somos nós que pagamos pelos excessos de nossos pais” ou “a ciência, que tudo pode, ainda não encontrou remédio para os pequenos males”. Em todos os setores das atividades sociais, há frases no mesmo estilo e que convém deixar ao cuidado do Conselheiro Acácio que nelas se esmerou. 

(Marcelino de Carvalho, 
Guia de Boas Maneiras) 

O autor defende a ideia de que: 

 a) deve-se evitar frases clichês, mas pode-se confiar em quem se esmera em frases delicadas.

b) em visita a um doente, embora não haja necessidade, uma frase amável já conhecida conforta mais.

c) para sair do universo de frases feitas, é recomendável sentenciar adotando o estilo do Conselheiro Acácio.

d) infelizmente o Conselheiro Acácio não previu frases para todos os setores das atividades sociais.

e) deve-se poupar o próximo de exemplos do repertório de lugares comuns.

1- Gab: D 

2- Gab: C 

3- Gab: E 

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.

Compartilhe: