A sociologia e suas origens: formação do pensamento sociológico

Confira as principais teorias e os principais pensadores que contribuíram para a formação do pensamento sociológico. Você vai descobrir que o aparecimento de uma ciência não acontece por acaso, e este processo está diretamente relacionado às formas de organização social, cultural e econômica da(s) sociedade(s) em que esta ciência floresce.

A sociologia, como você já deve saber, é uma área do conhecimento recente se comparada com a história, o direito e a filosofia. A filosofia, grande mãe das ciências humanas e sociais que conhecemos hoje, remonta de séculos antes de Cristo.

O pensamento filosófico ocidental, surgido na Grécia Antiga irá influenciar todo o pensamento ocidental, contribuindo para o surgimento da sociologia e de outras ciências modernas e contemporâneas.

Assim, não é de se admirar que os grandes pensadores nos quais os sociólogos irão se inspirar sejam filósofos. Os grandes filósofos são muitos, poderíamos passar horas falando deles e de suas grandes ideias, mas há três deles que são fundamentais no surgimento do pensamento sociológico, são eles: Nicolau Maquiavel, John Locke e Jacques Rousseau.

pensamento sociológico - Maquiavel
Maquiavel
Fonte: https://bit.ly/2DwPIUZ

Nicolau Maquiavel (1469-1527), filósofo, historiador, diplomata e escritor italiano, foi o fundador da Ciência Política e um dos principais teóricos do Estado moderno. Ele ficou conhecido, principalmente pela obra O príncipe, na qual disserta sobre como um monarca deve agir para ser um grande líder político para seu país. A conduta do príncipe, de acordo com Maquiavel, deve ser estratégica e não deve se preocupar em agradar a todos.

A famosa frase “os fins justificam os meios” é de autoria de Maquiavel, e ela resume bem o pensamento deste homem que irá influenciar a formação e consolidação das ciências jurídicas, das ciências políticas e de todos os estudos referentes ao Estado e sua relação com a sociedade.

Para Maquiavel, assim como para muitos de seus sucessores, a violência e a crueldade se justificam na tomada do poder de uma nação. Infelizmente, as ideias de Maquiavel seguem atuais, guiando as formas de governar da maior parte dos políticos contemporâneos, quando não de forma declarada, elas se fazem de forma velada.

John Locke (1632-1704), filósofo inglês, considerado o pai do liberalismo político, tentará compreender como o Estado pode se tornar legítimo na sociedade. Guiado pelos princípios de liberdade e direito à propriedade, Locke defendia que o Estado não poderia julgar do jeito que quisesse e que as pessoas só deveriam obedecer ao Estado se ele protegesse os direitos à liberdade e à propriedade dessas pessoas, caso contrário, elas teriam todo o direito de se rebelar.

Locke, conhecido como um dos três pensadores contratualistas, viveu no tempo da Revolução Gloriosa inglesa. Como resultado dessa revolução o rei foi obrigado a aceitar leis que limitavam o seu poder e garantiam direitos aos seus súditos.

pensamento sociológico - revolução inglesa
Revolução inglesa
Fonte: https://bit.ly/2zwvpTU

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo franco-suíço, um dos fundadores do direito moderno, acreditava que no estado de natureza – vida social antes do surgimento do Estado – as pessoas eram livres e felizes com o pouco que possuíssem.

Entretanto, o convívio teria levado as pessoas a se importarem cada vez mais com a opinião alheia, fato que despertará a discórdia e a competição entre os indivíduos na sociedade.

Aos poucos, as pessoas teriam deixado de ser iguais e o golpe final contra a igualdade teria sido a invenção da propriedade. Após a invenção da propriedade, foi necessário, de acordo com Rosseau, criar o Estado e as leis para protegê-la.

Contudo, Rosseau acreditava na conquista da liberdade do cidadão na sociedade moderna, onde a presença do Estado teria se feito necessária. Para este pensador, a única maneira de preservar a liberdade após o surgimento do Estado seria se todos aceitassem entregar seus direitos uns aos outros e não ao governante.

Assim, Rosseau figura como um dos filósofos modernos mais próximos à busca e defesa do bem comum; de forma indireta suas ideias irão influenciar as ideias de Karl Marx, o primeiro sociólogo a criticar duramente a propriedade privada e o Estado como mantenedor das desigualdades sociais.

pensamento sociológico - propriedade privada
Propriedade privada
Fonte: https://bit.ly/2Dxlxgt
Para saber mais sobre este tema, assista a esta a videoaula:
Exercícios:

1. (ENEM – 2012)

pensamento sociológico - exercício
Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao

a) valorizar a interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo.

b) rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos.

c) afirmar a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana

d) romper com a tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem.

e) redefinir a ação política com base na unidade entre fé e razão

2. (ENEM – 2013)

TEXTO I

Não é sem razão que o ser humano procura de boa vontade juntar-se em sociedade com outros que estão já unidos, ou pretendem unir-se, para a mútua conservação da vida, da liberdade e dos bens a que chamo de propriedade.
LOCKE, J.Segundo tratado sobre governo: ensaio relativo à verdadeira origem, extensão e objetivo do governo civil. São Paulo: Abril Cultural, 1978 (adaptado).

TEXTO II

Para que essas classes com interesses econômicos em conflitos não destruam a si mesmas e à sociedade numa luta estéril, surge a necessidade de um poder que, na aparência, esteja acima da sociedade, que atenue o conflito, mantenha-o dentro dos limites da ordem.

ENGELS, F. In: GALLINO, L.Dicionário de sociologia. São Paulo: Paulus, 2005 (adaptado).

Os textos expressam duas visões sobre a forma como os indivíduos se organizam socialmente. Tais visões apontam, respectivamente, para as concepções:

a) Liberal, em da liberdade da propriedade privada – Conflituosa, exemplificada pela luta de classes

b) Heterogênea, favorável à propriedade privada — Consensual, sob o controle de classes com interesses comuns.

c) Igualitária, baseada na filantropia — Complementar, com objetivos comuns unindo classes antagônicas

d) Compulsória, na qual as pessoas possuem papéis que se complementam — Individualista, na qual as pessoas lutam por seus interesses.

e) Libertária, em defesa da razão humana — Contraditória, na qual vigora o estado de natureza.

3. (Uel 2007) “A passagem do estado de natureza para o estado civil determina no homem uma mudança muito notável, substituindo na sua conduta o instinto pela justiça e dando às suas ações a moralidade que antes lhe faltava. E só então que, tomando a voz do dever o lugar do impulso físico, e o direito o lugar do apetite, o homem, até aí levando em consideração apenas sua pessoa, vê-se forçado a agir, baseando-se em outros princípios e a consultar a razão antes de ouvir suas inclinações”.

Fonte: ROUSSEAU, J. Do contrato social. Tradução de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1999, p.77.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o contratualismo de Rousseau, assinale a alternativa correta:

a) Por meio do contrato social, o homem adquire uma liberdade natural e um direito ilimitado.

b) O homem no estado de natureza é verdadeiramente senhor de si mesmo.

c) A obediência à lei que se estatui a si mesmo é liberdade.

d) A liberdade natural é limitada pela vontade geral.

e) Os princípios, que dirigem a conduta dos homens no estado civil, são os impulsos e apetites.

Gabarito:

1) c

2) a

3) c

Sobre o(a) autor(a):

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Juliana Ben para o Blog do Enem. Juliana é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em Ensino de Sociologia para o Ensino Médio pela mesma universidade. Atua como professora de sociologia no RS e em SC desde 2010. Facebook: https://www.facebook.com/juliana.ben.brizola