Período clássico e helenístico da Grécia

Os períodos clássico e helenístico foram essenciais na construção da imagem que temos hoje da Grécia. Conheça mais sobre esses períodos com a nossa aula de História! E não esqueça de conferir a videoaula e os exercícios no final do post 😉

A Grécia antiga é um dos assuntos que você vai estudar em História que mais foi tematizado pelo cinema. É só falar no assunto que várias pessoas já lembram de filmes como Gladiador, Tróia, Alexandre e 300. A batalha entre os exércitos de Leônidas e Xerxes que aparece em 300 foi inspirada nas guerras greco-pérsicas ou Guerras Médicas. É esse conflito que marca o início do período clássico grego.

Esparta período clássico

Época da construção do Partenon, de filósofos como Sócrates e Platão e de grande desenvolvimento do teatro, o período clássico durou de 500 a. C. até 338 a. C. A invasão da Grécia pelos macedônios marcaria o início de um novo período, o helenístico, quando a cultura grega seria espalhada por um território gigantesco. Vamos ver como tudo isso aconteceu.

Guerra entre gregos e persas

Nos primeiros anos do período clássico, os gregos e os persas entraram em conflito por diversas vezes. Como você deve lembrar, algumas cidades gregas estavam localizadas na costa do Mar Egeu, pertinho da Pérsia. Dário I, imperador persa, invadiu e dominou cidades como Jônia e Mileto.

Com o apoio de Atenas, a população dessas cidades se revoltou contra os persas em 499 a. C., mas acabaram derrotados. Como resposta à revolta, nove anos depois, Dario I enviou uma expedição militar para as proximidades de Atenas. Apesar de estarem em menor número, os atenienses saíram vitoriosos da batalha.

Já em 480 a. C., a Pérsia era comandada por Xerxes, sucessor de Dario I. Dessa vez, o imperador mandou um exército ainda maior para combater os gregos por terra e por mar. Foi então que várias cidades-Estados gregas se uniram para combater seus adversários. Foi a formação da Liga de Delos.

Mesmo com suas diferenças, a união das diversas poleis foi possível porque compartilhavam a mesma cultura e viram seu modo de vida ameaçado. A vitória da Grécia ocorreu com Esparta comandando as forças terrestres e Atenas as marítimas. A Pérsia foi definitivamente derrotada no ano seguinte, numa batalha que ficou conhecida como a Batalha de Plateia.

espartanos contra persas - período clássico
Ilustração do combate entre espartanos e persas. Peter Connolly, 1977.

Atenas no período clássico

O temor de que novas invasões persas pudessem ocorrer motivaram a maior parte das cidades do Mar Egeu a permanecerem na Liga de Delos. Por meio dessa aliança, as cidades deveriam fornecer navios e soldados e pagar impostos para conter possíveis ameaças. Quem mais se beneficiou com essas medidas foi Atenas, que era hegemônica na região.

As batalhas contra os persas haviam destruído boa parte da cidade ateniense. Péricles, que governava Atenas na época, utilizou os recursos da Liga de Delos para sua reconstrução. Obras muito importantes foram feitas nessa ocasião, como mercados, tribunais, templos, teatros e ginásios. O monumento mais famoso construído no período clássico sob comando de Péricles foi o Partenon.

partenon - período clássico
Partenon, templo em homenagem a Palas Atenas, protetora da cidade. Foto tirada em 1978

Além disso, durante esse século houve grande desenvolvimento de várias áreas do conhecimento. Foi nessa época que viveram filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles. No teatro destacaram-se dramaturgos como Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, que escreviam tragédias, e Aristófanes, que escrevia comédias. Os primeiros relatos históricos também foram escritos no período clássico, com as obras de Heródoto e de Tucídides.

Na nova Atenas de Péricles, os espaços urbanos também receberam uma nova configuração. A cidade era separada em espaços privados, que eram os das residências, e os públicos. Estes últimos eram divididos entre a Acrópole (cidade alta), e a Ágora (cidade baixa).

Na Acrópole é que ficavam os templos e por isso era considerado um local sagrado. Já na Ágora estavam localizados os edifícios destinados às atividades que tinham relação com assuntos da cidade. Ali ficavam a Eclésia (espaço de discussão política), a Helileia (onde eram realizados julgamentos), e o Strategeion (quartel-general).

Guerra do Peloponeso

Se durante o período clássico Atenas liderava a Liga de Delos, Esparta comandava a Liga do Peloponeso. As cidades que se juntaram a Esparta estavam descontentes com a postura imperialista de Atenas, que ficava com os recursos dos outros membros aliados.

Em 431 a. C., as duas ligas entraram num conflito que ficou conhecido como Guerra do Peloponeso. Atenas e Esparta permaneceram em guerra por quatro décadas e os espartanos saíram vitoriosos.

guerra do peloponeso
Mapa da Guerra do Peloponeso. Fonte: Atlas da História do Mundo.

Uma das consequências do confronto foi o fim da democracia ateniense, pois Esparta impôs o seu sistema militar e oligárquico em todas as cidades conquistadas. Além disso, as cidades-Estados ficaram bastante fragilizadas e desunidas depois de tantas guerras, o que dificultou sua resistência contra novos invasores.

O império macedônio

Os macedônios eram um povo que vivia na península balcânica, ao norte da Grécia. Em 338 a. C., aproveitaram que as cidades-Estados gregas estavam enfraquecidas e invadiram os seus territórios. O imperador macedônio, Filipe II, impôs a união de todas as poleis gregas e anexou-as ao seu território. Essa conquista marcou o fim do período clássico, o início do período helenístico e o nascimento de um grande império.

Dois anos depois, em 336 a. C., Filipe II morre e em seu lugar assume seu filho, Alexandre. O herdeiro havia sido educado por Aristóteles, com quem aprendeu noções de medicina, filosofia e ciências naturais.

Alexandre, o grande
Alexandre, o Grande, ou Alexandre Magno.

O último território sob domínio da Pérsia que havia restado era o Egito. Lá, Alexandre foi recebido como se fosse uma reencarnação do deus Amon e foi considerado sucessor dos faraós. Foi durante seu governo que foi criada a famosa biblioteca de Alexandria, uma das mais importantes da Antiguidade.

Grande estrategista e líder militar, Alexandre empreendeu conquistas em novos territórios, iniciando pela Pérsia, que constituía um importante império naquela época. Depois, o exército de Alexandre seguiu com as invasões na Síria, na Fenícia e na Palestina, que também eram controlados pelos persas.

Mas o imperador macedônio ainda não estava satisfeito. Suas tropas continuaram avançando para o oriente e chegaram a dominar parte do território da Índia. Na viagem de volta, entretanto, Alexandre ficou doente e acabou morrendo na Mesopotâmia em 323 a. C. Por todas as suas façanhas e por construir um grande império que ia do ocidente ao oriente, ficou conhecido como Alexandre, o Grande.

império macedônio - período clássico
Império de Alexandre em 323 a. C. Fonte: https://bit.ly/3cvjIOI

Período helenístico

Um aspecto importante a ser destacado é que, por meio de suas empreitadas, Alexandre traçou novas rotas comerciais que seriam utilizadas por um longo período de tempo e criou novas cidades. Mas a principal característica do projeto de conquista do imperador foi a fusão da cultura grega com a persa, a egípcia e indiana.

Os povos conquistados, e mesmo os gregos, passaram por mudanças na organização política, na economia e nas estruturas sociais. Além disso, a miscigenação étnica era uma prática incentivada. Toda essa integração marcou o que conhecemos como período helenístico.

Após a morte de Alexandre, o império ficou desestabilizado e seus generais começaram a disputar o poder. No século III a. C., o território foi dividido em três reinos e assim permaneceu por mais de um século. A cultura e o comércio acabaram gerando um vínculo que possibilitou esse período de permanência. No entanto, conflitos internos foram enfraquecendo esses laços aos poucos, até que Roma dominasse os antigos territórios grego e macedônio e os anexasse ao seu futuro império.

Para continuar estudando sobre o período clássico e helenístico, assista à videoaula do prof. Felipe:

Exercícios sobre o período clássico e helenístico:

 1 – (ENEM/2015)   

O que implica o sistema da pólis é uma extraordinária preeminência da palavra sobre todos os outros instrumentos do poder. A palavra constitui o debate contraditório, a discussão, a argumentação e a polêmica. Torna-se a regra do jogo intelectual, assim como do jogo político.

VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego.
Rio de Janeiro: Bertrand, 1992 (adaptado).

Na configuração política da democracia grega, em especial a ateniense, a ágora tinha por função

a) agregar os cidadãos em torno de reis que governavam em prol da cidade.b) permitir aos homens livres o acesso às decisões do Estado expostas por seus magistrados.

c) constituir o lugar onde o corpo de cidadãos se reunia para deliberar sobre as questões da comunidade.

d) reunir os exércitos para decidir em assembleias fechadas os rumos a serem tomados em caso de guerra.

e) congregar a comunidade para eleger representantes com direito a pronunciar-se em assembleias.

2 – (Mackenzie SP/2019)
 

A Confederação de Delos, organizada no século V a. C., que chegou a registrar cerca de 400 políeis gregas, está vinculada

a) à derrota grega nas Guerras Púnicas e à necessidade de unir forças para enfrentarem um inimigo em comum.

b) à extinção do sistema de produção escravista grego e ao caos econômico que tal fato determinou.

c) à unificação política das cidades-estados gregas a fim de fazerem frente à invasão macedônica.

d) à defesa por parte grega do controle comercial do Mediterrâneo ocidental diante da ascensão persa.

e) à supremacia de Atenas diante das demais cidades gregas após a vitória sobre os macedônios.

3 – (FATEC SP/2019)

A figura mostra uma tapeçaria funerária produzida no Egito, durante o chamado Período Helenístico, retratando um homem vestido como grego, posicionado entre dois deuses egípcios, Osíris e Anúbis.

exercício período clássico

Tapeçaria funerária, linho, 1,75m x 1,25m. Sacara, Egito, séc. I a.C. Aegyptisches Museum, Berlim.

Apud DOMINGUES, Joelza Esther. História em Documento. Imagem e texto. 6. 2ªed. São Paulo: FTD, 2013. Original colorido.

Assinale a alternativa que explica, corretamente, a fusão das culturas grega e egípcia representada na tapeçaria.

a) As sucessivas incursões militares empreendidas pela rainha Cleópatra VI nos territórios gregos proporcionaram o contato dos egípcios com a arte e a filosofia helenística, cuja concepção estética influenciou a produção dos artesãos do Baixo Egito.

b) Educado por Aristóteles, o faraó Menés, responsável pela unificação dos reinos do Baixo e do Alto Egito, tornou-se grande admirador da arte e da filosofia gregas, e foi o responsável pela difusão da cultura helenística em seu império.

c) A política expansionista de Alexandre, o Grande, promoveu o contato dos gregos com outros povos da Europa, da Ásia e da África, e originou a cultura helenística, caracterizada pela miscigenação de diversos elementos culturais.

d) Os egípcios tomaram contato com a cultura helenística por meio do comércio com os povos visigodo, ostrogodo, viking e alano que, partindo do norte da Europa, navegavam até o Nilo levando produtos de diferentes procedências.

e) Resultado da união política da Grécia e do Egito, por meio do casamento de Alexandre, o Grande, com Cleópatra VI, a cultura helenística foi imposta, muitas vezes à força, a todos os súditos do novo império.

GABARITO:
1) Gab: C

2) Gab: D

3) Gab: C

Sobre o(a) autor(a):

Ana Cristina Peron é formada em História pela Universidade Federal de Santa Catarina e é redatora do Curso Enem Gratuito.