Primitivismo

Você conhece as principais características do Primitivismo? Não? Então revise Artes para mandar bem em Ciências Humanas no Enem e nos vestibulares!

Ao final do século XIX, artistas vanguardistas frustrados com a vida moderna passaram a se interessar por artefatos e arte tribal.

Acreditavam que o fazer artístico dessas culturas ancestrais era mais “sincera” do que a clássica arte acadêmica, onde técnica e perfeição eram exigidas. Esse ponto de vista compactuou com a visão que esses artistas tinham com relação à vida moderna.

O termo e o conceito de Primitivismo tornam-se então muito importantes para a Arte Moderna. Entretanto, há uma controvérsia: diversos autores defendem que não foi um movimento em si, mas uma tendência estética que gerou grande influência no fazer artístico do século XX.

Como focava em obras que eram produzidas com simplicidade e com o refutamento da arte erudita, passou-se a olhar além da produção de artistas sem educação formal e para a arte das crianças (chamada a partir daí de arte Naïf: produções feitas por pessoas que não frequentaram a academia).

Os principais temas abordados por essa visão da arte e do mundo eram o estilo de vida simples das sociedades ante à revolução industrial e das culturas africanas, pré-colombianas e da Oceania.

As pinturas eram consideradas mais próximas do povo e instintivas (motivo pelo qual foi bastante associado à arte das crianças).

Dentre os artistas que compactuam com essa forma de ver a arte, encontra-se o francês Paul Gauguin (1848-1903).

Apesar de europeu, Gauguin foi viver no Taiti, pois buscava uma vida mais simples. Defendia que a arte estava se tornando leviana: sua nova poética tinha o intuito de resgatar intensidade, força.

Assim, num ato de rejeição às suas próprias raízes ocidentais-europeias, tornou suas obras mais exóticas, rústicas, com paletas de cores mais intensas, como podemos perceber na obra a seguir:

primitivismo - GAUGUIN
GAUGUIN, Paul. “Arearea”, 1892. Fonte da imagem: https://en.wikipedia.org/wiki/Arearea

Na obra Arearea, também conhecida como O cão vermelho, podemos observar que existe a simplificação do volume, pois Gauguin pintou grandes áreas com a mesma cor, o que gera a sensação de áreas planas. Não porque não o soubesse fazer, mas sim pela ruptura.

É importante salientar que, quando a obra do artista foi exposta na Europa, chamou muita atenção dos Expressionistas, que veremos nos próximos posts.

Na poética do Primitivismo, portanto, excluiu-se detalhes, o realismo que antes imperava, perspectiva linear e cores tais quais como realmente são. Esse ato foi muito importante e um marco para a história da arte pois passou-se a criar obras abstratas de uma forma inédita. Junto com essa abstração, abordavam bastante o conceito do inconsciente.

Porém, não somente pinturas foram produzidas a partir desse viés: um escultor romeno, Constantin Brancusi, derrubou paradigmas ao produzir uma escultura que era inspirada na arte folclórica e em máscaras romenas. Seu intuito era criar obras cada vez mais abstratas:

primitivismo - BRANCUSI
BRANCUSI, Constantin. “Mademoiselle Pogany”, 1913. Fonte da imagem: https://www.pinterest.es/pin/453667362443734631/

Essa escultura representa o busto de uma mulher jovem e húngara. Podemos perceber que existe uma simplificação e redução dos traços à formas geométricas, o que a torna emblemática e transgressora.

Podemos, portanto, associar a arte primitiva e arte Naïf a um fazer artístico que se liberta das amarras, técnicas e regras de artistas eruditos. Pode ser associada à uma arte popular e, portanto, com um maior alcance ao grande público.

Assim, podem ocorrer perguntas que tratam esse pensamento estético como arte popular (que veremos em outro post!)

Separamos um vídeo do canal Universiabr para fixar o assunto. Está bastante resumido e contém informações importantes. Porém, note que nesse caso os autores se referem ao Primitivismo como um movimento artístico.

Para terminar seu estudo sobre o Primitivismo, assista ao vídeo abaixo:

Exercícios sobre o Primitivismo:

1. “Cada obra de arte é, ao mesmo tempo, produto cultural de uma determinada época e criação singular da imaginação humana, cujo sentido é construído pelos indivíduos a partir de sua experiência. Por isso, uma obra de arte não é mais avançada, mais evoluída, nem mais correta do que outra qualquer, mas tem a qualidade de concretizar uma síntese que suscita grande número de significados”.

(BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: Arte/ Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1998.)

Sabendo que, para ser considerada arte, uma obra não precisa ser construída sob preceitos acadêmicos formais, assinale a alternativa que apresenta apenas estilos que não seguem esses preceitos.

a) arte barroca, realismo, abstracionismo.
b) arte naïf, arte indígena, cerâmica artística.
c) arte renascentista, fauvismo, expressionismo abstrato.
d) impressionismo, pop art, dadaísmo.

2. Enem (2013) (…) A partir dos textos apresentados, os trabalhos que são pertinentes à criação popular caracterizam-se por:

a) temática nacionalista que abrange áreas regionais amplas
b) produção de obras utilizando materiais e técnicas tradicionais da arte acadêmica
c) ligação estrutural com a arte canônica pela exposição e recepção em museus e galerias
d) abordagem peculiar da realidade e do contexto, seguindo criação pessoal particular
e) criação de técnicas e temas comuns a determinado grupo ou região, gerando movimentos artísticos.

GABARITO:

1 – B, 2 – D

Sobre o(a) autor(a):

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Juliana Ben para o Blog do Enem. Juliana é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em Ensino de Sociologia para o Ensino Médio pela mesma universidade. Atua como professora de sociologia no RS e em SC desde 2010. Facebook: https://www.facebook.com/juliana.ben.brizola