Protozoários: principais características e classificação

Os protozoários são seres unicelulares que pertencem ao Reino Protista. Você sabe como eles são classificados e conhece as principais características desse grupo? Não? Então estude Biologia nesta aula para mandar bem no Enem!

Dentro do Reino dos Protistas, ao qual pertencem os protozoários, encontramos uma grande variedade de seres vivos. Nesse grupo temos desde seres unicelulares heterotróficos até algas de dezenas de metros. À primeira vista, pode parecer bem estranho que esses seres tão distintos estejam classificados dentro do mesmo grupo. E, na verdade, é uma classificação arbitrária mesmo. Isso porque dizemos que o Reino dos Protistas é polifilético. Ou seja, os seres vivos encontrados ali não têm ancestrais comuns, suas origens são variadas.

Sendo assim, consideramos que a classificação do Reino Protista é artificial. Dentro desse Reino, a grosso modo, estão seres vivos que não se encaixam dentro dos outros Reinos. Sendo assim, para simplificar o estudo dos Protistas, dividimos (novamente de maneira arbitrária) os Protistas (ou Protoctistas) em dois grupos: as algas (seres fotossintetizantes) e os protozoários (seres heterótrofos).

Nesta aula, vamos falar especificamente do grupo dos protozoários. Vamos lá?

Protozoários

Assim como todos os seres vivos do filo dos Protistas, os protozoários são eucariontes. Isso quer dizer que seu material genético é envolvido por uma carioteca (membrana), formando o núcleo. Esses seres vivos são todos unicelulares e não possuem parede celular.

Basicamente, as células dos protozoários possuem muitas características em comum com as células dos animais, tanto que esses seres vivos já foram classificados dentro do Reino dos Animais. O nome do grupo, inclusive, quer dizer “animal primitivo”. Mas, por serem unicelulares, foram colocados em outro Reino.

A maioria dos protozoários é microscópica. Porém, há espécies muito “grandes”, que chegam a ter mais de 1000 µm, tamanho suficiente para serem vistas a olhos nus, como alguns paramécios.

A maioria dos protozoários é de vida livre. Podem viver em ambientes aquáticos, como parte do plâncton, ou ainda habitarem ambientes terrestres úmidos. Há também várias espécies de protozoários que são parasitas, causando doenças em vários seres vivos, inclusive em seres humanos. Existem ainda espécies que são mutualísticas, como os protozoários do gênero Trichonympha que vivem no sistema digestório de cupins.

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Imagem 1: Fotomicrografia do protozoário Trichonympha sp. Esse protozoário vive no intestino de cupins em uma relação mutualística, ajudando os insetos a digerirem a celulose que ingerem. Observe que a célula parece ter “cabelinhos”. Essas estruturas são, na verdade, flagelos utilizados na locomoção.

Didaticamente, classificamos os protozoários de acordo com a presença (ou não) e os tipos de estruturas locomotoras que apresentam. Sendo assim, temos quatro Filos principais: Rhizopoda ou Sarcodinea, Ciliophora, Flagellata ou Mastigophora, e Sporozoa ou Apicomplexa.

Rhizopoda ou Sarcodinea

Os sarcodíneos ou rizópodes são protozoários que se locomovem por meio de estruturas que chamamos de pseudópodes. Como o próprio nome já diz (pseudo = falso, podes = pés), esses protozoários se locomovem com a ajuda da movimentação de falsos pés.

Os pseudópodes são prolongamentos membranosos e citoplasmáticos formados pela movimentação do citoesqueleto. Esses prolongamentos são lançados na direção para a qual o protozoário quer se deslocar e aderem na superfície, puxando o restante da célula. Podem também servir para nadar.

Os pseusópodes, além de servirem para locomoção, auxiliam na captura de alimento. Para isso, os sarcodíneos usam seus pseudópodes para “abraçar” o alimento e fagocitá-lo.

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Imagem 2: Fotomicrografia feita com microscópio óptico. Nela, podemos observar com detalhes uma ameba. Observe que na parte de baixo há dois pseudópodes englobando uma partícula de alimento.

No vídeo a seguir, produzido Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), você pode observar a formação dos pseudópodes e outras características interessantes das amebas:

Os protozoários do grupo dos rizópodes vivem principalmente na água doce e a maioria é de vida livre. Sendo assim, possuem uma organela citoplasmática especial: o vacúolo contrátil. Essa organela citoplasmática retira o excesso de água de dentro da célula, como se fosse um baldinho que tira água de um barco furado. Isso porque, por conta do processo osmótico, a água doce entra constantemente na célula desses protozoários, uma vez que seu citoplasma é mais concentrado que o meio externo.

Em geral, os protozoários do grupo dos rizópodes reproduzem-se assexuadamente. Para isso, realizam uma divisão celular chamada de fissão binária ou cissiparidade, que é basicamente uma mitose.

Os exemplos clássicos desse grupo são as amebas. As amebas podem ser de vida livre ou parasitas, como a espécie Entamoeba histolytica, que causa a amebíase nos seres humanos (doença que gera lesões nos intestinos e fortes diarreias). Nesse grupo também podemos encontrar protozoários chamados de foraminíferos. Os foraminíferos são protozoários rizópodes capazes de produzirem uma carapaça de proteção chamada de teca.

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Imagem 3: Fotomicrografia feita com microscópio óptico de tecas de foraminíferos
Ciliophora

 Os ciliados são protozoários que possuem uma grande quantidade de prolongamentos membranosos chamados de cílios. Os cílios são estruturas pequenas, parecidas visualmente com pelinhos, que se movimentam como remos.

Os cílios, assim como os pseudópodes, auxiliam os protozoários tanto na locomoção quanto na captura de alimentos. Isso porque eles podem empurrar pequenas partículas orgânicas ou células menores em direção ao sulco oral. O sulco oral é uma dobra membranosa que se assemelha a uma pequena boca por onde os ciliados se alimentam. Ela “desemboca” em uma cavidade celular chamada de citóstoma. Ao citóstoma se fundem lisossomos que irão lançar compostos digestivos sobre as partículas capturadas para digeri-las.

No vídeo a seguir, você verá um paramécio se alimentando. Note que em volta da célula e do sulco oral é possível ver uma mancha que se move. A mancha, na verdade, é formada por muitos cílios em movimento. Veja que legal: 

Assim como os rizópodes, a maioria dos ciliados é de vida livre e habita a água doce. Por isso, também encontramos nesses protozoários o vacúolo pulsátil.

Os protozoários desse grupo podem realizar tanto reprodução assexuada, como a cissiparidade, quanto a reprodução sexuada. Nesse último caso, realizam a chamada conjugação, onde formam pontes citoplasmáticas por onde trocam material genético com seus parceiros.

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Imagem 4: Desenho esquemático do processo de conjugação em protozoários ciliados.

 

Os principais representantes desse grupo são os paramécios. São protozoários bastante grandes em comparação com os demais unicelulares. Algumas espécies, inclusive, podem ser vistas a olhos nus.

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Imagem 5: Fotomicrografia feita com microscópio óptico. Na imagem podemos observar paramécios. Note que em volta das células é possível observar alguns “cabelinhos” que são, na verdade, as estruturas locomotoras que chamamos de cílios.

No vídeo a seguir você pode ver uma compilação de quase 15 minutos de amebas fagocitando paramécios. Vale a pena dar uma espiada, pois as imagens são sensacionais:

Flagellata ou Mastigophora

Os protozoários flagelados possuem como meio de locomoção um ou mais flagelos. Os flagelos, ao contrário dos cílios, são prolongamentos bastante longos que realizam movimento giratório de hélice, e são menos numerosos.

A grande maioria dos mastigóforos são seres vivos de vida livre, habitando principalmente água doce. Porém, há muitas espécies de importância médica, como o Tripanosoma cruzi, espécie que causa a doença conhecida como doença de Chagas. E a Leishmania brasilienses, que causa a leishmaniose. Há também a Giardia lamblia, que causa giardíase nos seres humanos.

Imagem 6: Fotomicrografia de Giardia lamblia feita com microscópio eletrônico de varredura. Na imagem é possível ver uma giárdia realizando o processo de cissiparidade, onde formará duas novas células.

Sporozoa ou Apicomplexa

Os esporozoários são os protozoários que não possuem estruturas locomotoras. Sendo assim, nesse grupo de aproximadamente cinco mil espécies, todas são parasitas endocelulares. Ou seja, todas as espécies parasitam e causam doenças, vivendo dentro das células de outros seres vivos.

Esse grupo possui uma reprodução bem mais complexa que as espécies dos demais grupos de protozoários. Todos irão fazer reprodução por alternância de gerações. Isso quer dizer que ao longo de seus ciclos vitais eles têm variância de formato corpóreo e também do tipo de reprodução. Dessa maneira, ora realizam reprodução sexuada, ora assexuada. Além disso, são capazes de formar esporos, ou seja, células reprodutivas de resistência.

Os exemplos mais clássicos desse grupo são de protozoários que nos causam doenças, como os do gênero Plasmodium, que causam a malária, e o Toxoplasma gondii, responsável pela toxoplasmose.

Imagem 7: Fotomicrografia feita através de um microscópio óptico. Na imagem podemos ver hemácias (células arredondadas que parecem ter um furinho no meio) e no centro duas células na forma de bananas. Essas duas células são protozoários Plasmodium falciparum, uma das espécies responsáveis pela malária.

E aí? Conseguiu aprender um pouco mais sobre o assunto? Beleza! Agora, para tirar todas as suas dúvidas, que tal ver uma videoaula do canal Kennedy Ramos:

Agora, para finalizar sua revisão, que tal testar seus conhecimentos resolvendo os exercícios que selecionei para você?

Questão 01 – (UDESC SC/2018)    

“Os protozoários apresentam dimensões predominantemente microscópicas. Sua denominação deriva do grego protos e zoon, que significam, respectivamente, ‘primeiro’ e ‘animal’. Atualmente, o termo protozoário diz respeito a protistas heterotróficos unicelulares (na maioria) e que obtém seus alimentos por ingestão ou absorção.”

Fonte: RUPPERT & BARNES, 2005.

Analise as proposições em relação aos protozoários, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.

(  )  A maioria dos protozoários é microscópica, no entanto, alguns podem ser vistos a olho nu, como é o caso do Spirostomum, um ciliado de água doce, que alcança 3 mm de comprimento, e o Globigerina, um sarcodíneo marinho, que vive em suspensão na água do mar.

(  )  Os protozoários marinhos, assim como os parasitas, não possuem vacúolo pulsátil uma vez que são isotônicos em relação ao meio, ou seja, a sua concentração é semelhante à da água salgada.

(  )  Há espécies de protozoários de vida livre que vivem na água doce, no mar e em regiões úmidas, e também espécies simbióticas. Ainda não foram identificadas espécies de protozoários parasitas.

(  )  Os protozoários podem utilizar diferentes estruturas para a obtenção de alimentos como pseudópodos, cílios e flagelos, incorporando os alimentos por absorção ou por ingestão, alimentando-se de matéria orgânica morta e também de microorganismos como bactérias, algas e outros protozoários.

(  )  A Malária é uma doença causada pelo protozoário Plasmodium, que parasita as células sanguíneas e as células hepáticas dos seres humanos, causando acessos febris conhecidos como “tremedeira” ou “batedeira”.

Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.

a) F – F – V – F – F

b) V – F – V – F – V

c) V – F – F – F – V

d) F – V – V – V – F

e) V – V – F – V – V

 

Questão 02 – (FPS PE/2018)    

A estrutura de locomoção é um dos critérios utilizados para classificar os protistas. Com base nesse critério, é correto afirmar que o Paramecium é um

a) flagelado.

b) foraminífero.

c) heliozoário.

d) ciliado.

e) radiolário.

 

Questão 03 – (UNITAU SP/2017)    

O mecanismo reprodutivo que ocorre na maioria dos amebozoários, heliozoários e radiolários, sugerido pela tirinha abaixo, é um processo biológico, relativamente simples, que dá origem a células-filhas com a mesma informação genética da célula-mãe.

Assinale a alternativa que apresenta o tipo de reprodução desses protozoários sugerido na tirinha.

a) Co-dominância haploide-diploide

b) Clonal por fissão binária

c) Sexuada por fissão múltipla

d) Clonal por partenogênese

e) Sexuada por bipartição

 

GABARITO: 

1) Gab: E

2) Gab: D

3) Gab: B

Sobre o(a) autor(a):

Juliana é bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e cursa o Mestrado em Educação na mesma instituição. Ministra aulas de Ciências e Biologia em escolas da Grande Florianópolis desde 2007 e é coordenadora pedagógica do Blog do Enem.