Transtornos mentais, saúde e benefícios do exercício físico

Saiba a definição de transtornos mentais, quais são as características da depressão e da ansiedade, como a nossa saúde mental tem sido afetada durante a pandemia e como o exercício físico pode ajudar na prevenção e tratamento de distúrbios mentais!

Os níveis de saúde mental da população vêm piorando com o passar dos anos. Os transtornos mentais estão aparecendo com uma maior frequência. Entre os que mais comuns estão a depressão e a ansiedade. Na aula de hoje, entenderemos como o exercício físico pode auxiliar para evitar ou tratar esses transtornos, mantendo a mente saudável.

O que são transtornos mentais

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), os transtornos mentais são caracterizados por “uma combinação de pensamentos, percepções, emoções e comportamento anormais, que também podem afetar as relações com outras pessoas.”

Para deixar esse conceito um pouco mais claro e entender como a debater saúde mental é importante, observe na imagem abaixo alguns dados sobre transtornos mentais:

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Infográfico sobre transtornos mentaisA partir da imagem, podemos observar dados alarmantes, como fato de que uma em cada dez pessoas no planeta sobre de algum distúrbio mental e que a depressão é a principal causa de afastamento do trabalho. Fonte da imagem: Revista Super Interessante

Observe de forma mais detalhada a porcentagem de pessoas acometidas com transtornos mentais em todos os países do mundo:

Mapa com a prevalência de transtornos mentais em cada país do mundo

A partir das imagens acima, podemos observar que transtornos mentais como a depressão e a ansiedade estão entre os mais frequentes. E o Brasil, por sua vez, é o país com maior incidência de ansiedade do mundo, e o quinto com maior taxa de depressão. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros possuem transtorno de ansiedade, e 5,8% depressão.

Se levarmos em consideração os dados separados por sexo, as mulheres são mais acometidas por transtornos como ansiedade, depressão e distúrbios alimentares. Isso se justifica por diversas razões, entre elas as duplas jornadas de trabalho, a pressão por se alcançar padrões de beleza, ser mãe solo, entre outros.

O que é depressão

A depressão é considerada a doença mais incapacitante no mundo. Em casos extremos, pode levar a pessoa ao suicídio. Cerca de 800 mil pessoas se suicidam a cada ano em decorrência de quadros graves de depressão.

Dados apontam que, a cada ano, 2 milhões de novas pessoas apresentam quadros desse distúrbio. Além disso, cerca de 10% das pessoas podem apresentar esse quadro durante a vida.

É importante ressaltar que o quadro de depressão pode apresentar-se por inúmeros fatores. Diversas complicações psicológicas e ambientais podem causá-la, levando não somente à alteração do humor, mas também podendo causar comorbidades e, como dito acima, mortalidades.

Dentre as características da depressão estão o desânimo, irritabilidade, tristeza, perda de interesse nas atividades, falta de energia, apatia, etc.

Já fisiologicamente, a doença se caracteriza por alterações neuroquímicas. Por um distúrbio nos neurotransmissores, há a possibilidade de uma diminuição da serotonina, dopamina e noradrenalina.

Depressão, ansiedade e suicídio já foram tema de um vídeo da nossa série de atualidades do nosso canal. Confira:

O que é ansiedade

A ansiedade é um estado natural do nosso corpo. Ela acontece quando consideramos alguma situação como ameaçadora. Portanto, nosso corpo precisa estar pronto para reagir. Em suma, o estado de ansiedade protege nosso corpo, deixando-o alerta.

Entretanto, esse estado de alerta, naturalmente, não deve permanecer após a situação problema ter fim. Permanecer em estado de ansiedade por longos períodos, ter eventos muito frequentes e sem motivo aparente é considerado patológico.

Dessa forma, para o contexto em que estamos aqui discutindo, abordaremos a ansiedade como um distúrbio mental.

Assim como a depressão, os sintomas da ansiedade se apresentam tanto  psicologicamente quanto fisicamente. Nos psicológicos, temos o medo, a apreensão, impaciência, entre outros. Já os sintomas físicos incluem tremores, taquicardia, diarreia, cefaleia, insônia, entre outros.

Os fatores que podem vir a causar a ansiedade podem ser genéticos, ambientais ou situações vividas durante a formação individual da personalidade

Como já mencionado, o nosso país é o que possui maior taxa de ansiedade do mundo. Observe o gráfico abaixo com a taxa de outros países.

Gráfico com a prevalência da ansiedade em diversos paísesFonte: Jornal Nexo.

Transtornos mentais durante a pandemia

Infelizmente, o isolamento social devido a pandemia de Covid-19 tem agravado os problemas relacionados à saúde mental em boa parte da população.

Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, ressaltou que o impacto da pandemia na saúde mental dos indivíduos é extremamente preocupante. Adhanom também indica que na recuperação pós-pandemia a saúde mental deve ser uma como prioridade.

Além disso, Antônio Guterres, secretário geral das Nações Unidas, destaca que o isolamento social, o medo de infecção, a perda de membros da família e a preocupação econômica são fatores que contribuem para o aparecimento de distúrbios mentais

As Nações Unidas, por sua vez, também emitiram um documento expressando a necessidade urgente de aumento no investimento na saúde mental, visando mitigar os problemas decorrentes do contexto pandêmico.

É importante salientar também que uma das populações que mais correm risco de alterações na saúde mental durante a pandemia é a dos profissionais da linha de frente.

As cargas de trabalho pesadas, decisões de vida ou morte e o grande risco de infecção são as razões desse grupo ser tão afetado e ser realmente motivo de preocupação.

Pesquisas recentes indicaram que, na China, os profissionais da saúde que trabalham na linha de frente no combate da pandemia relatam altas taxas de depressão (50%), ansiedade (45%) e insônia (34%).

Já no Brasil, um levantamento realizado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), apontou que, devido ao isolamento social, os níveis de depressão aumentaram em 90% e os transtornos de ansiedade 81%.

Exercício físico, prevenção e tratamento de transtornos mentais

Já é bem estabelecido que os exercícios físicos aeróbios, realizados de maneira frequente, produzem antidepressivos e ansiolíticos. Dessa forma, eles protegem nosso corpo dos potenciais efeitos maléficos de alterações na saúde mental.

Vários estudos já demonstraram que os exercícios físicos são eficazes no controle da ansiedade e do estresse. Seus efeitos também foram comparados com os efeitos da meditação e práticas de relaxamento.

Além disso, os exercícios físicos já são conhecidos por promover uma melhora geral da qualidade de vida. Entre seus efeitos positivos estão os seguintes:

  • Aumentam a autoestima, a autoconfiança e a energia;
  • Incentivam a realização das tarefas diárias;
  • Melhoram o perfil hormonal;
  • Previnem e tratam doenças crônicas não transmissíveis;
  • Contribuem para uma composição corporal saudável.

Portanto, não é difícil de concluir que, apresentando-se uma melhora nas variáveis mencionadas anteriormente, os benefícios chegam também na saúde mental, que faz parte da qualidade de vida.

Exercícios e a liberação de endorfina

Uma das várias razões pelas quais os exercícios contribuem com a saúde mental, é a liberação de endorfinas durante e após a sua prática. A endorfina é um hormônio presente naturalmente no nosso corpo e que tem como principal função a analgesia.

A endorfina se assemelha com a morfina e outros analgésicos, e é conhecida como o hormônio da felicidade. Ela interfere diretamente no humor das pessoas, contribuindo com os quadros de depressão e ansiedade, estando diretamente relacionada a sentimentos de prazer e relaxamento.

A ONU, por exemplo, recomendou a prática de Yoga, durante a pandemia. A Yoga é uma prática, que tem sua origem na Índia, e traz inúmeros benefícios à saúde física e mental ao mesmo tempo.

Essas práticas que combinam exercícios físicos, técnicas de respiração e meditação, se mostram um componente muito importante para o alívio de sintomas de depressão e ansiedade.

Os tratamentos de distúrbios mentais ainda têm uma abordagem bem farmacológica. Mas, devido ao seu longo período e alto custo, o exercício físico vem sendo mais abordado, podendo ser usado como preventivo ou curativo.

Videoaula

Para uma maior interação com o tema, assista o videoaula a seguir disponibilizado pelo canal da ONU Brasil, onde a organização de une com a sociedade civil na promoção de saúde mental durante a pandemia. Em seguida, responda às questões propostas.

Exercícios

1) Dentre os distúrbios mentais mais frequentes, estão a depressão e a ansiedade. Diferencie esses dois transtornos, relevando seus sintomas e características.

2) Ressalte os motivos de o exercício físico exercer benefícios na saúde mental das pessoas.

  1. A depressão apresenta mais comumente o sentimento de tristeza, apatia, falta de energia e disposição para fazer as tarefas diárias. É uma doença paralisante. Já a ansiedade patológica caracteriza um estado de ativação psicológico e físico no indivíduo, apresentando inquietação, tremores, apreensão e medo.
  2. Os exercícios físicos exercem benefícios gerais na qualidade de vida dos indivíduos. Eles melhoram a autoestima, autoconfiança, melhoram o humor, melhoram a disposição e energia, entre outros. Portanto, refletem diretamente na saúde mental das pessoas, pois trazem benefícios que atuam contra os sintomas de transtornos mentais. Eles também aumentam a produção de endorfina, hormônio que causa bem estar, analgesia, sensação de prazer e relaxamento.

Sobre o(a) autor(a):

O texto foi escrito pela professora Milena Boeng, bacharela em Educação Física pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e pós-graduanda em Musculação e Condicionamento Físico.

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