Imigração para o Brasil nos séculos XIX e XX

A imigração para o Brasil nos séculos XIX e XX foi determinante na transformação de características sociais, econômicas e culturais do nosso país. Conheça melhor essa etapa da formação da população brasileira!

No final do século XIX, o Brasil passou por profundas transformações econômicas e sociais. A produção de café em São Paulo ia avançando para o oeste do estado e ganhando cada vez mais destaque na economia ao mesmo tempo em que a escravidão era gradualmente abolida. Com a oferta de escravizados diminuindo, os grandes latifundiários começaram a buscar novas fontes de mão de obra barata para suas fazendas. Foi nesse contexto que a imigração para o Brasil começou a ser incentivada.

Entre 1887 e 1930 entraram no país 3,8 milhões de estrangeiros, dos quais 35,5% eram italianos, 29% eram portugueses, 14,6% eram espanhóis, e 3,7% eram alemães. Muitos desses imigrantes deixavam sua terra motivados por instabilidades econômicas e sociais provocadas por conflitos como o processo de unificação italiana e alemã. Mais tarde, em 1908, também começaram a chegar japoneses, que promoveram uma série de avanços na agricultura brasileira.

É importante destacar que transformar os negros em trabalhadores livres e assalariados nunca foi uma opção considerada pelas elites brasileiras. Naquela época, a imigração de europeus se adequava à expectativa de um “embranquecimento” da população. De acordo com teorias racistas propagadas no século XIX, a miscigenação era um dos motivos para o Brasil ser considerado um país atrasado economicamente. Por isso, se imaginava que a chegada de imigrantes brancos tornaria a pele clara predominante no país. Historiadores apontam que esse imaginário foi decisivo para a consolidação do racismo na sociedade brasileira.

A imigração para o Brasil durante o Império

Antes mesmo de 1850, ano da Lei Eusébio de Queirós que proibia o tráfico de escravos, alguns fazendeiros começaram a substituir a mão-de-obra de negros escravizados por imigrantes europeus. Uma das principais iniciativas foi a do senador Nicolau Vergueiro, que fez uma campanha para trazer famílias de origem suíça e germânica para o Brasil com suas passagens inicialmente pagas pelos cafeicultores.

Quando chegavam aqui, os imigrantes trabalhavam nas fazendas cafeeiras sob um regime de parcerias. Nesse sistema, eles cuidavam do cultivo do café e recebiam uma parte dos lucros. No entanto, os trabalhadores foram submetidos a condições precárias de trabalho, eram proibidos de se locomover nas fazendas e suas correspondências eram censuradas. Muitos deles acabaram até vivendo nas antigas senzalas.

Além disso, os imigrantes tinham dívidas crescentes com seus patrões, pois deveriam devolver o valor de suas passagens para o Brasil e pagar todos os mantimentos que compravam nas vendas que existiam nas fazendas. Como seus rendimentos eram inferiores aos valores das dívidas, eles ficavam presos aos donos das terras. Por tudo isso, muitos dos imigrantes se revoltaram, o que acabou dando fim a essa experiência de imigração.

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Figura 1: Imigrantes europeus posando para fotografia no pátio central da Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo. Fonte: https://bit.ly/33pwHvW.

Novas políticas para incentivar a imigração para o Brasil foram criadas em 1871, ano da promulgação da Lei do Ventre Livre. A partir dessa data, a província de São Paulo recebeu apoio do Império para financiar a vinda de europeus para o Brasil – e dessa vez os imigrantes não teriam que devolver o valor de suas passagens.

A campanha cresceu no fim da década de 1880 com a criação da Sociedade Promotora da Imigração, que fez a divulgação na Europa de panfletos em português, italiano e alemão. Essas propagandas promoviam o Brasil por meio de comparações favoráveis a outros países que estavam recebendo um grande número de imigrantes, como Estados Unidos e Argentina. Com essas iniciativas, a imigração para São Paulo saltou de 6.500 pessoas em 1885 para 91.826 em 1888.

Além de São Paulo, a região sul foi o destino de grande parcela da imigração para o Brasil no século XIX. Nessa região, a imigração estava ligada ao plano de colonização de pequenas propriedades. Assim, italianos e alemães foram para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná para se dedicarem à criação de gado e cultivos de legumes, verduras e frutas.

A imigração durante a república

A imigração para o Brasil durante a Primeira República continuou a ser bastante expressiva. Foi nessa época que o Brasil recebeu a maior quantidade de imigrantes. Quando aqui chegavam, trabalhavam em um regime chamado de colonato, no qual as famílias de imigrantes se responsabilizavam pelo cultivo e pela colheita de café.

O pagamento era feito de duas formas: um anual, proporcional ao número de pés de café, e outro no momento da colheita. Os donos das fazendas forneciam moradia e pequenas quantidades de terra destinadas à produção de gêneros alimentícios.

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Figura 2: Imigrantes em plantação de café por volta de 1910. Fonte: https://bit.ly/2MzvkE1

Esse sistema acabou gerando descontentamento dos imigrantes, pois seus rendimentos dependiam do resultado da produção, que poderia ser prejudicada por condições climáticas, pragas, etc. Além disso, sofriam com a violência dos fazendeiros, dívidas crescentes e falta de infraestrutura.

Assim, uma grande quantidade de imigrantes se mudou para os centros urbanos que estavam em formação, principalmente para São Paulo. Nas cidades eles começaram a trabalhar no setor de prestação de serviços e, principalmente, nas fábricas. Dessa forma, os estrangeiros passaram a ser uma parte importante da crescente população urbana do país e desempenharam um papel fundamental na formação e organização do operariado brasileiro.

Para aprofundar seus estudos sobre a imigração para o Brasil no século XIX, assista à esta videoaula do prof. Felipe:

Exercícios:

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Sobre o(a) autor(a):

Ana Cristina Peron é formada em História pela Universidade Federal de Santa Catarina e é redatora do Curso Enem Gratuito.