Produtos descartáveis e o problema do lixo

O alto consumo de produtos descartáveis como sacolas, copos, canudos e embalagens têm um impacto tão grande no meio ambiente que estão contribuindo para profundas transformações geológicas no nosso planeta. Saiba mais!

Já parou para pensar como a Covid-19 pode aparecer relacionada com a poluição na sua prova do Enem? Confere com a gente essa aula sobre produtos descartáveis, e arrase nas provas!

Eras geológicas e transformação do planeta

Durante seus mais de 4 bilhões de anos, a Terra passou por gigantescas transformações físicas, químicas, geológicas e biológicas. Essas mudanças ficaram registradas através de diferentes processos que fornecem vestígios para calcular a idade de nosso planeta. Para isso, é necessário, dentre outras coisas, que cientistas analisem fósseis e rochas.

Isso porque essas mudanças entre as eras geológicas se estabelecem por alterações na crosta terrestre através de fenômenos como mudanças geográficas (causadas pelo intemperismo e pela tectônica de placas, por exemplo) e surgimento de novas espécies.

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Para ficar mais fácil de entender, pense no período Cenozóico, em que viveram os grandes mamíferos, tais como os mamutes. Podemos facilmente imaginar como seriam os animais desse período porque temos os fósseis desses animais registrando suas características.

Esqueleto de um mamute
Esqueleto de um mamute colombiano (Mammuthus columbi) , no Museu George C. Page em (La Brea Tar Pits), em Los Angeles, na Califórnia. FONTE: WolfmanSF.

Antropoceno, a era dos humanos

Entretanto, com o passar dos bilhões de anos, alguns problemas surgem na marcação do período em que estamos vivendo. Temos alterado tanto o planeta e de forma tão rápida que alguns cientistas chamam os últimos milhares de anos de Antropoceno.

Esse termo, significa a “Era dos Humanos”. Isso porque o prefixo grego “antropo” significa humano e o sufixo “ceno” refere-se às eras geológicas. Portanto, o termo denomina a era geológica humana mais recente, em que a espécie Homo sapiens sapiens surge.

O rápido avanço das alterações no planeta em nossa época surge com a evolução da humanidade, o crescimento populacional e a produção de novas tecnologias cada vez mais efêmeras. A busca acelerada pela praticidade agravada pelo consumismo trouxe para nossas vidas elementos extremamente danosos, como os produtos descartáveis.

Surgidos nas últimas décadas, esses produtos prejudicam o ambiente e, por consequência, trazem impactos negativos para as nossas vidas. O problema dos produtos descartáveis é tão grande que alguns estudos têm demonstrado que o Antropoceno está sendo marcado pela presença de plástico. Assim, futuramente o plástico pode ser o principal registro fóssil da nossa existência neste planeta.

Eras geológicas
Esquema representando os principais momentos da formação da Terra, durante os 4,6 milhões de anos. FONTE: Tabla Cronoestratigráfica Internacional, 2015.

Produtos descartáveis e transformações no consumo

Se ficou difícil entender aonde quero chegar, tente imaginar que você voltou no tempo para ver os costumes das pessoas que viviam na mesma época de seus bisavôs. O que eles consumiam no dia a dia e qual era o tipo de lixo que eles produziam?

A partir desse exercício, você consegue entender que o lixo de 100 anos atrás não é o mesmo lixo de hoje? Não é tão difícil imaginar as diversas mudanças de hábitos que trouxeram essas modificações. Os principais problemas ambientais atuais foram gerados justamente por conta dessas mudanças na relação humana com os materiais.

A produção de lixo

Mas afinal, de onde vêm e para onde vão as coisas que compramos?

A maioria das coisas que consumimos surgem da extração de materiais da natureza (como a madeira e o petróleo) aos quais damos o nome de recursos naturais. Esses recursos, depois de extraídos, passam para a produção em indústrias e fábricas. Posteriormente, são distribuídos às lojas onde nós os compramos.

Depois disso, os produtos costumam ter um tempo útil de vida extremamente curto e são descartados. Materiais orgânicos (sobras alimentares) deveriam ser levados aos aterros sanitários ou para compostagem. Enquanto isso, materiais inorgânicos como plástico, metal e vidro deveriam ir para a estações de tratamento de lixo.

No entanto, durante esse trajeto (desde a extração até o tratamento) existem diversos problemas. Isso porque o percurso dos materiais ao longo de suas “vidas” é , em geral, linear. No entanto, os recursos naturais do planeta não são infinitos. Sendo assim, além da exploração da natureza e das pessoas nessa linha de produção, existem os impactos causados pela relação entre a superpopulação humana e a quantidade produzida e descartada.

Dica: Assista ao pequeno documentário chamado “A história das coisas”. Nele você pode aprofundar os estudos dos principais impactos da produção linear.

Descarte do lixo

Para você ter uma ideia do problema, cada um dos mais de 212,6 milhões de brasileiros produz aproximadamente 1kg de lixo por dia. Entre os descartes encontramos restos de comida, cascas de frutas, papel higiênico, embalagens, lixo eletrônico, etc. Por prejudicar o ambiente e a saúde humana, a “solução” atual mais utilizada para o lixo das grandes cidades são os lixões e aterros sanitários.

Entretanto, os lixões são depósitos a céu aberto onde se despeja montanhas de lixo diretamente no solo. Uma das consequências é a acumulação de chorume, um líquido formado nos processos de decomposição da matéria orgânica. Ao penetrar o solo, o chorume acaba se infiltrando nos lençóis freáticos e poluindo as águas.

Além do chorume, as pilhas de lixo descartado são ambientes favoráveis para a proliferação de baratas, ratos e moscas que podem transmitir doenças às pessoas que necessitam trabalhar nos lixões para sobreviver.

Lixão e produtos recicláveis
Lixão a céu aberto da cidade de Monte Negro, estado de Rondônia. FONTE: Cecília Bastos/USP Imagens.

O lixo e os produtos descartáveis

Mas o que isso tem a ver com os produtos descartáveis? Absolutamente tudo! Uma grande parte dos resíduos sólidos que jogamos fora são produtos descartáveis como plástico, vidro, metal e papel.

Vamos supor que em um dia você decide ir à feira, mas antes passa em uma panificadora e pega um café. Adiciona açúcar e mexe com a colherinha. Quando termina de tomar, você joga o copo e a colher fora, depois segue até a feira. Chegando lá, pega um saquinho plástico para cada verdura que você compra, leva para o caixa e coloca-os em uma sacola maior. Ao retornar para casa, você desembala os vegetais e joga fora os saquinhos.

Viu só? Não é preciso continuar analisando nosso dia a dia para ver que jogamos coisas fora o tempo todo – e, por vezes, desnecessariamente. O problema é que do ponto de vista do planeta não existe um “jogar fora” – e olha que também poluímos o espaço com lixo ou detritos espaciais.

Tipos de produtos descartáveis e seus substitutos

A seguir você verá os danos de alguns produtos descartáveis e como é possível substituí-los.

Sacolas plásticas

O plástico foi inventado em 1862 pelo inglês Alexander Parkes, reduzindo custos comerciais e incentivando os impulsos dos consumidores de uma “sociedade moderna”.

Mas foi a partir dos anos 70 que as sacolas feitas de plástico filme – produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD) – tornaram-se populares. Isso se deve pelo fato de sua distribuição ser gratuita nos supermercados e lojas, onde tudo o que passa pelo caixa é embalado.

Mas, com os estragos advindos do derrame descontrolado de sacolas plásticas na natureza, nós, consumidores, nos tornamos contribuintes desse descaso. Ou vai dizer que na sua casa não tem um puxa-saco onde se guardam dezenas de sacolas?

Somente no Brasil, mais de 210 mil toneladas de plástico filme são produzidos por ano, representando aproximadamente 9,7% de todo lixo do país. Ao serem abandonadas nos aterros, as sacolinhas acabam retardando a decomposição de materiais biodegradáveis, já que nelas ficam acumuladas a água da chuva, por exemplo.

Mesmo tendo sido inventado há um século, já sabemos que o tempo que uma sacola plástica leva para se degradar é superior a 100 anos. Por isso, sendo um produto descartável, as sacolas plásticas apresentam grande potencial prejudicial à natureza, especialmente se levarmos em consideração que 90% delas acabam nas lixeiras ou como lixo.

Cegonha - produtos descartáveis
Um saco plástico sufocando uma cegonha branca em um aterro sanitário na Espanha. FONTE: John Cacalosi/WWF.

Alternativas mais sustentáveis

A  alternativa mais simples é recusar-se a pegar as sacolas. Muitas vezes, o que compramos pode ser facilmente levado à mão, na mochila, no carro, na bicicleta, ou onde couber. Mas, como nem sempre conseguimos fazer isso, as sacolas ecológicas ou “ecobags” são uma opção.

Além disso, em caso de compras grandes você também pode organizar suas mercadorias naquelas caixas de papelão que o supermercado disponibiliza.

Canudinhos plásticos

O problema com as sacolas plásticas se repete em todos os outros produtos descartáveis de plástico. Contudo, os canudinhos plásticos recentemente foram motivo de discussão entre ambientalistas.

O motivo é porque canudinho leva, em média, 1 minuto para ser fabricado e tem um uso de aproximadamente 30 minutos. No entanto, leva cerca de 100 anos para se decompor. Além disso, muitas pessoas costumam deixar os canudinhos em locais como areia de praias. Esse é outro problema porque pode prejudicar aves e espécies marinhas, como as tartarugas, peixes, papagaios-do-mar, pinguins e baleias, por exemplo.

Lixo na praia - produtos recicláveis
Imagem de lixo deixado por humanos em uma praia. FONTE: Canva

Alternativas mais sustentáveis

Além de recusar o canudinho, você pode também passar a usar canudos ecológicos como os de metal ou papel. O canudinho de metal é individual e pode ser usado diversas vezes. Já o canudo de papel se degrada mais facilmente na natureza, e por isso alguns restaurantes adotam esta opção.

As máscaras na pandemia

Máscaras jogadas no chão se tornaram uma realidade com a Covid-19. E, ao se deparar com essa situação, poucas pessoas estão dispostas a tocar algo que protegeu alguém que pode ter tido contato com o vírus.

Por ficarem à deriva do vento no chão, as máscaras mudaram rapidamente a paisagem no mundo, chegando até praias em ilhas desertas. O equipamento de proteção individual (EPI), foi essencial para prevenir a doença.

No entanto, a quantidade de máscaras necessárias e o tempo que usaríamos não estava previsto, fazendo com que a sua fabricação disparasse. Agora, com a vacina e contenção do vírus, o que restou foi o lixo produzido pelo acúmulo de máscaras.

Alguns estudos apontam que há aproximadamente 3,4 bilhões de máscaras ou protetores faciais (face shield) sendo descartados por dia, sendo que a Ásia é responsável por 1,8 bilhão do total. Já a maior população do mundo, a China, joga fora diariamente cerca de 702 milhões de máscaras.

Alternativas mais sustentáveis

O que podemos fazer em relação a isso é não jogar lixo no chão, incluindo o EPI. E se possível usar máscaras N95 ou similares que, apesar de não poderem ser lavadas, podem ser reutilizadas por bastante tempo (e nos protegem mais contra o vírus).

Alguns estudiosos também apontam que pode ser importante cortar os elásticos da máscara, diminuindo as chances de que algum animal se enrosque neles.

Ah! E não se esqueça: se encontrar uma máscara no chão e de alguma maneira puder dar o destino correto sem que entre em contato direto com ela, estará ajudando também a natureza!

Leão marinho com máscara
Fotografia de um leão-marinho-da-califórnia encontra máscara descartada nas águas de Monterey, mostrando que os efeitos da pandemia da covid-19 se estendem aos ecossistemas oceânicos. FONTE: Ralph Pace.

Reciclagem

Outra alternativa é a reciclagem. Além de diminuir a quantidade de lixo que vai para os aterros sanitários, ajuda a diminuir a extração de matéria-prima, uma vez que os processos se tornam degradantes para o ambiente.

Vamos pegar o exemplo do alumínio, um metal que é extraído de um minério chamado bauxita. Para que 1 kg de alumínio seja produzido, são necessários cerca de 4 quilos de bauxita. Isso quer dizer que sobram três quilos de dejetos. Além disso, a extração do minério pode acabar exigindo a derrubada de florestas para a exploração dos solos.

Para facilitar o processo de reciclagem, podemos ajudar separando corretamente os nossos lixos de acordo com o tipo de material. Veja na imagem a seguir:

Coleta seletiva

Portanto, a reciclagem torna-se essencial à medida que diminui os custos com limpeza urbana, evita a poluição através das emissões de gases de efeito estufa e melhora os índices de reaproveitamento. Além disso, a reciclagem é capaz de diminuir o acúmulo de resíduos e a produção de novos materiais – como é o caso do papel, que exigiria cortar novas árvores.

Videoaula

Para continuar seus estudos, confira a videoaula sobre lixo e, em seguida, responda aos exercícios:

Exercícios sobre produtos descartáveis                                         

1- (Unifor CE/2019)

Surfista, tubarão e lixo no mar

Fonte: https://brainly.com.br/tarefa/12626210. Acesso em 02 Out.2018 (adaptado).

O mundo deve se unir para “vencer a poluição por plástico”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em mensagem para o Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrando que as partículas de microplástico hoje presentes no oceano “superam as estrelas de nossa galáxia”.

Disponível em: https://nacoesunidas.org/mundo-estasendo-inundado-por-lixo-plastico-diz-secretario-geral-daonu/ Acesso em 02 Out 2018 (adaptado).

Refletindo que a poluição por plástico pode interferir na cadeia alimentar marinha, um dos problemas observados no futuro será:

a) A redução no número de consumidores secundários, tais como os fitoplânctons, constituído por seres autotróficos que realizam fotossíntese.

b) A proliferação de organismos produtores, como protozoários, vermes e crustáceos, que caracterizam o zooplâncton marinho.

c) Um distúrbio no ecossistema aquático, uma vez que a poluição atingirá principalmente a base da cadeia alimentar marinha, constituída por peixes como sardinha e atum, por exemplo.

d) A intensa multiplicação de bactérias marinhas capazes de degradar o plástico, o que levará a formação de biofilmes na superfície da água, reduzindo a incidência solar.

e) A morte de tartarugas, focas e aves marinhas, animais esses que estão em níveis tróficos mais elevados na cadeia alimentar marinha.

2- (UFPE/UFRPE/2009)

Estima-se que, em média, dois quilos de lixo sejam produzidos, a cada dia, por pessoa, incluindo o lixo doméstico. Apesar dos programas de reciclagem e do aproveitamento de produtos do lixo, a quantidade do mesmo vem aumentando perigosamente. Com relação à questão do lixo e do seu tratamento, analise as afirmações a seguir.

  1. A maior vantagem da compostagem é a transformação de materiais não-biodegradáveis em compostos úteis como fertilizantes.
  2. Para que um aterro sanitário possa ser eficiente por muitos anos, periodicamente, deve ser feita a incineração dos resíduos orgânicos e inorgânicos.
  3. Os lixões a céu aberto constituem-se em eficiente meio de tratamento do lixo porque as pessoas os utilizam para a garimpagem de produtos.
  4. Uma alternativa eficaz para tratar o problema do lixo urbano envolve a redução da utilização de produtos descartáveis.

Está(ão) correta(s):

a) 1, 2, 3 e 4.

b) 4 apenas.

c) 1 e 2 apenas.

d) 3 e 4 apenas.

e) 2 apenas.

3- (UNITAU SP/2018)

Muitas pessoas ainda não conhecem o conceito de Pegada Ecológica. Esse conceito surgiu em função da necessidade de avaliarmos o impacto ambiental causado por cada indivíduo ao Planeta. Isso é feito por meio da análise dos hábitos de consumo, que servem como indicadores da quantidade de recursos naturais imprescindíveis para suprir as necessidades de cada pessoa, bem como os recursos necessários para assimilar os resíduos por ela produzidos. Para uma pegada ecológica reduzida, isto é, de baixo impacto para o planeta, precisamos ter hábitos compatíveis com a redução, a reutilização e a reciclagem de materiais por nós utilizados.

Assinale a alternativa que associa CORRETAMENTE a relação entre material de descarte e local de descarte.

a) Cartazes de cartolina usados, com desenhos/ lixeira para papel/ lixeira azul

b) Guardanapos de papel utilizados para alimentação/ lixeira para papel / lixeira amarela

c) Garrafas de vidro lavadas/ lixeira para vidro/ lixeira vermelha

d) Frascos de plástico pet lavados/ lixeira para plástico/ lixeira verde

e) Clipes e pregos de metal utilizados/ lixeira para metal/ lixeira marrom

GABARITO:

  1. E
  2. B
  3. A

REFERÊNCIAS:

HANAZAKI, Natalia. Introdução à Ecologia. Ciências Biológicas na Modalidade a Distância do Centro de Ciências Biológicas da UFSC. 2ª ed., 2013. 86p.

JUNIOR, C. S.; SASSON, S.; JUNIOR, N. C. Biologia 1. 11ª Edição – São Paulo, SARAIVA, 2013.

ADORNO, R. C. F. Descartáveis urbanos: discutindo a complexidade da população de rua e o desafio para políticas de saúde. Disponível em <https://www.scielo.br/j/sausoc/a/CPFwkZBjHZXSS6YX4djjQ4B/?lang=pt&format=html> (acesso em 30 de abril de 2022).

“O que são Eras Geológicas?” Por Adriana Tinoco em 30 de abril de 2020. Disponível em <https://socientifica.com.br/o-que-sao-eras-geologicas/> (acesso em 30 de abril de 2022).

“O Lixo na era dos descartáveis – Biologia & Meio Ambiente no Enem”, por Juliana Evelyn dos Santos. Disponível em <https://blogdoenem.com.br/biologia-enem-lixo-descartaveis/> (acesso em 28 de abril de 2022).

“Antropoceno”. Disponível em <https://museudoamanha.org.br/pt-br/antropoceno> (acesso em 29 de abril de 2022).

Adriano Todorovic Fabro, Christian Lindemann, Saon Crispim Vieira. UTILIZAÇÃO DE SACOLAS PLÁSTICAS EM SUPERMERCADOS. Disponível em <http://sistemas.ib.unicamp.br/be310/nova/index.php/be310/article/view/70> (acesso em 30 de abril de 2022).

Sobre o(a) autor(a):

Eneli Gomes de Lima é graduanda na Universidade Federal de Santa Catarina desde 2018. Atualmente faz parte do laboratório de Biologia de Formigas e também do Programa de Educação Tutorial (PET) - Biologia, no qual atua na extensão Miolhe sobre gênero e sexualidade.

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