Conjunções adverbiais

Veja a diferença entre as conjunções adverbiais coordenativas e subordinativas. Revise Português para mandar bem nas questões de Linguagens do Enem e dos vestibulares!

Perceber a diferença entre conjunções pode te ajudar a resolver um exercício de análise sintática muito mais rápido. E, saber utilizá-las pode te ajudar a interpretar as questões de Linguagens e ainda mandar bem na sua redação do Enem!

Conjunção é uma palavra invariável – pois não tem flexão de número ou gênero – que conecta orações ou termos de uma oração, estabelecendo muitas vezes uma relação de significado:

– Maria saiu, mas volta depois;
-Disseram-me que Maria saiu;
-Cedeu-lhe a casa quando precisava.

A gramática classifica as conjunções como coordenativas ou subordinativas. São coordenativas as conjunções que conectam termos numa oração ou duas orações sintaticamente independentes (orações coordenadas).

Já a conjunções subordinativas indicam dependência sintática, introduzindo orações que complementam a oração principal (oração subordinada substantiva) ou que transmitem a ideia de circunstância (oração subordinada adverbial). Não se lembra muito bem de análise sintática e orações subordinadas? Não tem problema, a gente revisa.

Conjunções coordenativas

As orações coordenadas são aquelas que possuem apenas uma relação semântica (de significado) e não sintática. Por exemplo:

“Maria saiu, mas volta depois”.

Existem dois verbos (ações): “saiu” e “volta”, logo existem duas orações.

Os termos integrantes de uma oração – ou seja, obrigatórios – são, de modo geral: sujeito + verbo + objeto caso o verbo seja transitivo.

Isso significa que a primeira oração está sintaticamente completa, pois possui sujeito (Maria) e verbo intransitivo que não precisa de complemento (saiu).

O verbo “sair” não precisa de complemento, pois transmite o significado da ação por si só.

A segunda oração também está completa, pois possui sujeito oculto (ela) e verbo intransitivo “volta”. Sendo que “depois” é um advérbio de tempo – um termo não obrigatório.

É importante ressaltar que a palavra “Maria” não pode ser sujeito das duas orações ao mesmo tempo, por isso a segunda oração possui sujeito oculto. Isso indica apenas a relação entre as palavras, já que semanticamente sabemos que é a Maria quem realiza ambas as ações.

Logo, se as duas orações estão completas sintaticamente, isso indica que o conectivo “mas” não faz parte de nenhuma elas, indicando apenas uma relação de oposição. Por isso, “mas” é um conectivo ou conjunção coordenativa, indicando orações independentes sintaticamente. Existem poucas categorias de conjunções coordenativas, assim, memorizá-las é uma vantagem para diferenciar orações coordenadas de subordinadas mais rapidamente.

1. Conjunção aditiva

Conjunções e locuções conjuntivas coordenativas aditivas mais comuns: e, nem, (não só…) mas também, (não só…) como também etc.

2. Conjunção adversativa

Introduz oração que exprime contraste, contradição, oposição, advertência. Conjunções e locuções conjuntivas coordenativas adversativas mais comuns: mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto, não obstante, senão, e ( = mas), que ( = mas), ainda assim.

3. Conjunção alternativa

Introduz oração que exprime um fato que exclui o de outra coordenada. Conjunções coordenativas alternativas mais comuns: ou… ou, ora… ora, quer… quer,seja… seja.

4. Conjunção conclusiva

Introduz a oração que apresenta uma ilação, uma dedução, a partir de alguma premissa. Conjunções e locuções conjuntivas conclusivas mais comuns: logo, pois (posposto ao verbo), portanto, por conseguinte, assim, então, por isso, enfim, afinal etc.

Exemplos

-Bagunçou muito; será, pois, repreendida.
-Mônica é a sua mãe; respeite-lhe, portanto, a autoridade.

5. Conjunção explicativa

Introduz oração que apresenta uma explicação, uma justificativa para o que se afirma em outra oração. Conjunções coordenativas explicativas mais comuns: porque, pois, porquanto, que.

Exemplos

– Não sofras, que há quem te ama.
– O navio está afundando, pois os marujos começam a abandoná-lo.

Conjunções subordinativas

Já as conjunções subordinativas realmente exercem um papel sintático. Vamos rever os outros exemplos:

“Disseram-me que Maria saiu”

-Nesse exemplo, existem duas orações, pois há dois verbos: “disseram” e “saiu”.

-Vamos começar analisando o primeiro verbo: o sujeito de “disseram” é indeterminado, pois não aparece na frase e nem no contexto (não temos nenhuma pista sobre quem “disseram”) e exige a conjugação na terceira pessoa do plural “eles”.

– O verbo “disseram” é transitivo direto e indireto. Isso significa que para ter sentido completo, ele precisa de dois objetos para complementá-lo quem diz, diz algo a alguém.

– “Me” indica o objeto indireto “a alguém”, pois engloba preposição e pronome – “a mim”.

– Já o objeto direto “algo” seria equivalente à oração “que Maria saiu”: O que me disseram? Que Maria saiu”.

– “que” está introduzindo o objeto, assim, é chamada de conjunção integrante.

Logo, a oração “que Maria saiu” complementa o verbo “disseram”, sendo parte da primeira oração. É como uma boneca russa, em que uma oração está dentro da outra. O mesmo ocorre com a oração:

“Cedeu-lhe a casa quando precisava”.

Observe que “quando precisava” introduz uma circunstância de tempo. Para deixar claro a noção de “circunstância”, vamos imaginar o seguinte: quando um detetive deseja solucionar um crime, ele precisa ter acesso a todas as circunstâncias. Por exemplo: quando o crime ocorreu, onde, para que, como, com qual instrumento. Tudo isso expressa circunstâncias relacionadas à ação de cometer um crime. É exatamente essa a função do advérbio: fornecer circunstâncias a uma ação.

Assim, a oração “quando precisava” indica circunstância de tempo para a ação “cedeu”, ou seja, quando essa ação ocorreu. Isso significa que ela exerce a função sintática de adjunto adverbial de tempo para a primeira oração. Portanto, elas não são independentes, mas dependentes sintaticamente – subordinadas. Assim, em vez de fazer essa análise, reconhecer a conjunções adverbiais subordinativas te poupa tempo na hora de reconhecer uma oração subordinada adverbial.

1. Conjunção causal

Introduz o fato que motiva o processo que se encerra na oração principal.
Conjunções e locuções conjuntivas que mais comumente introduzem orações causais: porque, já que, visto que, uma vez que, pois que, dado que, graças a, em virtude de, por causa de, devido a, como (no início de período).

Exemplos

– Não posso ir hoje porque minha mãe adoeceu.
-Como não me obedecessem, repreendi-os severamente.
-Não se entendia nada tamanho era a confusão.
-Dado que estava doente, não compareceu aos encontros.
– Fugiram já que eram perseguidos.

Mas Jéssica, a conjunção coordenativa de explicação “porque” é igual à conjunção subordinativa de causa “porque”, como diferenciar as duas? É fácil. Quando eu falo:

“Vai chover porque o joelho da minha avó está doendo”, a conjunção / conectivo “porque” apenas introduz uma explicação para o ato de chover, ou seja, uma crença. Logo, é coordenativa.

Já quando afirmo:

“Vai chover porque o tempo está fechando”, a conjunção / conectivo “porque” expressa uma razão para a chuva, existindo uma relação de causa e consequência. Assim, é subordinativa, pois expressa circunstância.

2. Conjunção consecutiva

Introduz oração que apresenta o efeito de uma causa expressa na oração principal. Esta normalmente apresenta palavras intensificadoras tais como tão, tal, tanto, tamanho (implícitas ou explícitas) seguidas de que, de modo que, de maneira que, de forma que etc.

Exemplos

– Estava tão constrangida, que não compareceu ao encontro.
– A defesa foi de tal modo desastrosa, que perdeu a tese.
-Esforçou-se tanto, que ficou esgotada.
-O esforço foi tamanho, que ficou esgotada.
– Não podia olhá-la sem que chorasse.
-Estive doente, de modo que não pude sair.
-Ela mudou tanto, que não mais a reconheci.
– Bebia que era uma lástima.
-Discursou com uma tranquilidade, que todos ficaram comovidos.

3. Conjunção concessiva

Introduz um fato que, em tese, deveria ou poderia impedir que o processo verbal da oração principal ocorresse ou deixasse de ocorrer. Observe:

“Mesmo que acordasse cedo, chegou atrasado.”

Há a tentativa de impedir a ação “chegar atrasado’’, mas ela é frustrada.

Principais conjunções e locuções conjuntivas que conectam concessivas à oração principal: embora, apesar de, apesar de que, mesmo, mesmo que, ainda que, a despeito de, posto que, conquanto, por mais que, por menos que, por maior que, por menor que, qualquer que, quem quer que, nem que, se bem que etc.

4. Conjunção condicional

Introduz oração que apresenta uma condição necessária à ocorrência ou à não-ocorrência do fato expresso na oração principal.
Principais conjunções e locuções conjuntivas condicionais: se, caso, desde que, contanto que, salvo se, a não ser que, a menos que etc.

5.Conjunção comparativa

Introduz oração que apresenta ser, coisa ou fato com o qual o processo expresso na oração principal é comparado.
Conjunções e locuções comparativas mais comuns: que, do que (depois de mais, menos, maior, menor, melhor, pior), qual (depois de tal), quanto (depois de tanto), como, assim como, bem como, como se, que nem etc.

6. Conjunção conformativa

Introduz oração que apresenta um fato em relação ao qual o processo da oração principal está em conformidade. Conjunções conformativas mais comuns: como, conforme, segundo, consoante.
– Relatei os fatos conforme os vi.
– Como lhe prometera, vim ontem.
– Como diz o povo, tristezas não pagam dívidas.
– A mulher age conforme sente.

7. Conjunção final

Introduz oração que apresenta a finalidade da ocorrência de um processo expresso na oração principal.
Conjunções e locuções conjuntivas finais mais comuns: para que, para (prep.), a fim de que, a fim de (loc. prep.), porque (= para que), que etc.

8. Conjunção proporcional

Introduz oração que apresenta fato que ocorre numa relação direta ou inversamente proporcional ao que ocorre na oração principal. Conjunções e locuções conjuntivas proporcionais mais comuns: à proporção que, à medida que, ao passo que, enquanto, quanto mais (menos), mais (menos) etc.

Exemplos
– À medida que se vive, mais se aprende.
– Quanto menos te esforçares, mais te arrependerás.
– Quanto mais se tem, mais se deseja.

9. Conjunção temporal

Apresenta a circunstância de tempo em que ocorre o processo verbal expresso na oração principal.

Conjunções e locuções conjuntivas temporais e mais comuns: quando, antes de, antes que, depois de, depois que, até que, logo que, sempre que, assim que, todas as vezes que, cada vez que, apenas, mal, que, enquanto, agora que etc.

Para aprender um pouco mais, veja a aula da prof. Jéssica sobre as conjunções adverbiais:
Para praticar, tente fazer esses exercícios:

A gente Honório Cota

Quando o coronel João Capistrano Honório Cota mandou erguer o sobrado, tinha pouco mais de trinta anos. Mas já era homem sério de velho, reservado, cumpridor. Cuidava muito dos trajes, da sua aparência medida. O jaquetão de casimira inglesa, o colete de linho atravessado pela grossa corrente de ouro do relógio; a calça é que era como a de todos na cidade — de brim, a não ser em certas ocasiões (batizado, morte, casamento — então era parelho mesmo, por igual), mas sempre muito bem passada, o vinco perfeito. Dava gosto ver:

O passo vagaroso de quem não tem pressa — o mundo podia esperar por ele, o peito magro estufado, os gestos lentos, a voz pausada e grave, descia a rua da Igreja cumprimentando cerimoniosamente, nobremente, os que por ele passavam ou os que chegavam na janela muitas vezes só para vê-lo passar.

Desde longe a gente adivinhava ele vindo: alto, magro, descarnado, como uma ave pernalta de grande porte. Sendo assim tão descomunal, podia ser desajeitado: não era, dava sempre a impressão de uma grande e ponderada figura. Não jogava as pernas para os lados nem as trazia abertas, esticava-as feito medisse os passos, quebrando os joelhos em reto.

Quando montado, indo para a sua Fazenda da Pedra Menina, no cavalo branco ajaezado de couro trabalhado e prata, aí então sim era a grande, imponente figura, que enchia as vistas. Parecia um daqueles cavaleiros antigos, fugidos do Amadis de Gaula ou do Palmeirim, quando iam para a guerra armados cavaleiros.

(Ópera dos mortos, 1970.)

1. No início do segundo parágrafo, por ter na frase a mesma função sintática que o vocábulo “vagaroso” com relação a “passo”, a oração “de quem não tem pressa” é considerada

(A) coordenada sindética (com conectivo).
(B) subordinada substantiva.
(C) subordinada adjetiva.
(D) coordenada assindética (sem conectivo).
(E) subordinada adverbial.

RESPOSTA C

2. Analisando o último período do terceiro parágrafo, verifica-se que a palavra “feito” é empregada como

(A) advérbio.
(B) verbo.
(C) substantivo.
(D) adjetivo.
(E) conjunção.

RESPOSTA E