Verbo: o que é, estrutura, conjugação, flexão e modos

Verbo é a palavra que pode variar em número, pessoa, modo, tempo e voz, evidenciando ações, estados e suas mudanças, processos, e fenômenos da natureza.

Dificilmente você encontrará um parágrafo sem a presença de um verbo. Nesta revisão, vamos entender um pouco melhor sua forma e estrutura e algumas particularidades. Então bora lá, que o Enem não se gabarita sozinho.

Primeiramente, veja que situação atípica temos na historinha abaixo.

Quadrinhos sobre verbo
Fonte: TUTE. Páginas de humor. Disponível em: http://www.tutelandia.com.ar. Acesso em 13 de mar. 2020.

Temos uma situação bem particular representada na tirinha de Tute. Praticamente, é a mesma pessoa se “encontrando” em momentos diferentes da sua vida.

É possível dizer que aquela pessoa faz uma reunião consigo mesma para avaliar o que aconteceu com sua vida. Podemos notar, ainda, que o tempo é um fator essencial para que esse enredo fosse possível.

Já que falamos de tempo, devemos perceber que sua marcação é feita pelos verbos. Essa classe gramatical está ligada à identificação de acontecimentos e estados, traz dinamicidade ao que é dito ou escrito. Isso ocorre porque, pelo verbo, nos é permitido localizar temporalmente fatos, ações e situações.

O que é um verbo

Verbo é a palavra que pode variar em número, pessoa, modo, tempo e voz, evidenciando ações, estados e suas mudanças, processos, bem como, manifestação de fenômenos da natureza.

Você já deve saber que gramática como foco no vestibular e Enem deve ser estudada da seguinte forma:

Em seguida, vamos falar sobre a função sintática do verbo.

Funções sintáticas

Dentro da sintaxe, o verbo é uma classe de palavras que ocupa o núcleo de um dos termos essenciais da oração, o predicado. Olhe aí as classificações de predicado verbal:

  • Núcleo de um Predicado Verbal: Luíza muitos livros.
  • Núcleo de um Predicado Verbo-Nominal: Luíza encontrou uma moeda antiga.

O predicado nominal possui um verbo de ligação. Portanto, sua função é apenas “ligar” o predicativo ao sujeito.

Estrutura de um verbo

A estrutura morfológica de um verbo é um tanto quanto complexa – no sentido de estrutura, calma, aí – e é caracterizada pela combinação de:

  • Radical;
  • Vogal temática;
  • Desinência modo-temporal;
  • Desinências número-pessoa.

Observe este exemplo abaixo.

ESTUDASSEM

O radical verbal é o morfema que tem um conteúdo lexical específico, ou seja, traz o conteúdo semântico da ação.

A vogal temática é o morfema gramatical que identifica a classe ou conjugação a que pertence o verbo.

A desinência modo-temporal indica que o verbo está flexionado no modo subjuntivo do pretérito imperfeito.

A desinência número-pessoa indica que o verbo está flexionado na 3ª pessoa do plural.

Dividindo assim fica bem mais fácil perceber a estrutura morfológica interna das formas verbais, não acha? O radical, que é uma ocorrência obrigatória, sempre aparece na forma verbal.

Já as desinências – que também podem ser chamadas de sufixo – podem não ocorrer em algumas formas dos paradigmas verbais. Veja aqui em ESTUDO, por exemplo. Tem apenas o radical e a desinência de número-pessoa.

Outra dica importante: o radical combinado com a vogal temática é chamado de “tema”.

Mas e a sílaba tônica? Bem, com relação a isso, é interessante observar que ela pode estar dentro do radical ou fora do radical. Quando a sílaba tônica se encontra dentro do radical, chamamos essa forma de rizotônica, mas quando está fora, a forma verbal é arrizotônica, ou seja, sem tônica na raiz.

Conjugações verbais

O que é conjugação de um verbo? Fácil! Conjugar um verbo é apresentar as formas que um determinado radical pode se manifestar ao flexionar-se, ou seja, ao receber a vogal temática da conjugação ou classe a que pertence, e as desinências.

Você já deve saber que existem três conjugações verbais em português. Veja só.

  1. A primeira conjugação é indicada pela vogal temática a. (estudar, plantar, digitar)
  2. A segunda conjugação é indicada pela vogal temática e. (escrever, beber, ver, trazer)
  3. Por fim, a terceira conjugação é indicada pela vogal temática i. (partir, vir, fugir, rir)

Estudante atento que você é, já deve estar aí se perguntando: “Tá, mas e os verbos que têm a vogal temática o, como, por exemplo pôr, compor, depor?”

O verbo “pôr” e seus derivados são considerados como pertencentes a 2ª conjugação, embora tenham o infinitivo sem a vogal temática e. Isso ocorre porque essa vogal, presente em um estágio anterior da língua em que o infinitivo desse verbo era poer, foi eliminada por um processo fonológico que afetou a forma do infinitivo.

A vogal temática não está explícita, mas ela aparece em várias formas do verbo “pôr”, como em pus-e-mos, pus-e-ra, pus-e-ssem.

Flexões verbais

Como já foi dito antes, os verbos variam em número, pessoa, modo, tempo, voz e aspecto. Em seguida, veja cada uma das flexões.

Número

Quando falamos em número, estamos falando em formais verbais que podem se apresentar em singular ou no plural, dependendo da relação que se estabelece entre elas e as formas nominais a que se referem.

Pessoa

Quando estudamos os pronomes vemos as pessoas do discurso. São elas que marcam o discurso. Então, temos:

1ª pessoa se fizer referência à primeira pessoa do discurso, ou seja, eu estudo / nós estudamos.

2ª pessoa se fizer referência à segunda pessoa do discurso, então, têm-se tu estudas / vós estudais.

3ª pessoa, por fim, se fizer referência à terceira pessoa do discurso, então, têm-se ele / ela estuda / eles / elas estudam.

Para saber um pouco mais sobre as classificações dos verbos, veja esta videoaula da professora Mercedes no nosso canal no YouTube: 

Modos verbais

Os modos verbais mostram a atitude do falante com relação ao conteúdo de seus enunciados. Assim, temos três modos que podem manifestar as formas verbais. São eles: indicativo, subjuntivo e o imperativo.

Indicativo

A informação do enunciado é entendida como algo certo: Meus alunos revisam o conteúdo pelo Curso Enem Gratuito. Por isso, sairão com pontuação alta do ENEM.

Subjuntivo

A informação do enunciado é entendida como algo duvidoso: Espero que você revise o máximo de conteúdo. Eu ficaria feliz se você me ajudasse nesta revisão.

Imperativo

A informação do enunciado é entendida como uma ordem, conselho ou até uma súplica: Arrume agora mesmo sua planilha de estudos. Não deixe que os conteúdos acumularem.

Para saber mais sobre os modos verbais, veja mais esta aula da professora Mercedes:

Tempo verbal

Para entender esta parte, é necessário tomar com ponto de referência o momento do discurso. Os fatos expressos pelos verbos podem se referir a um momento presente – momento da fala -, a um momento passado – anterior ao momento da fala – e, claro, a um momento futuro – posterior ao momento em que se fala.

Vós: uma voz que quase não fala

O uso da segunda pessoa do plural é cada vez menos frequente, tanto na fala quanto na escrita cotidiana. O uso da segunda pessoa do plural traz um “afastamento” entre interlocutores, não concorda? Soa como “respeitoso e formal” demais.

Verbo na segunda pessoa do plural - TirinhaNo caso da tirinha acima, de Fernando Gonsales, Níquel Náusea chega à conclusão de que a traças então roendo a Bíblia pelo uso da segunda pessoa do plural: vós.

Bem, por enquanto, vamos de verbos até aqui, pois esse assunto ainda vai dar o que falar. Em seguida, resolva as questões para fixar o que revisamos até agora.

Exercícios sobre verbo
1-(IFMS 2019)    

Exercício sobre verbo

Observe o poema abaixo, retirado do livro “Eu me chamo Antônio” (2013), de Pedro Antônio Gabriel Anhorn, e responda à questão.

O verbo “ter”, conjugado como “têm”, no poema, pode ser classificado como

a) tempo presente, modo indicativo, 3ª pessoa do singular.

b) tempo pretérito imperfeito, modo subjuntivo, 1ª pessoa do plural.

c) tempo presente, modo subjuntivo, 2ª pessoa do singular.

d) tempo presente, modo indicativo, 3ª pessoa do plural.

e) futuro do presente (simples), modo indicativo, 3ª pessoa do singular.

2- (IFSC/2015)    

Considere o seguinte trecho:

“[…] a rede Globo importa um programa que pode, a médio e longo prazo, demolir tudo o que os grandes mestres das lutas conseguiram em anos.

Assinale a alternativa CORRETA.

 a) As formas verbais “importa” e “pode” indicam o tempo e o modo em que os fatos relatados ocorreram, isto é, no passado, gramaticalmente conhecido como pretérito perfeito do indicativo.

b) Na expressão “tudo o que os grandes mestres”, os termos destacados classificam-se como artigos indefinidos.

c) A forma verbal “conseguiram” está na 3ª pessoa do plural para concordar com o sujeito “grandes mestres das lutas”.

d) Na expressão “a rede Globo importa um programa”, temos dois sujeitos simultaneamente: rede Globo / um programa.

e) As vírgulas são usadas na expressão “a médio e longo prazo” para separar o sujeito do predicado.

3- (ESPM SP/2015)    

Na frase: “Fora Leonardo algibebe(²) em Lisboa, sua pátria;…”, a forma verbal em negrito pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por:

a) tinha ido

b) tinha sido

c) seria

d) foi

e) iria

Gabarito:

  1. D
  2. C
  3. B

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.

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