Uso correto da língua portuguesa: competência nº 1 na redação

A Redação exige domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa nos textos dissertativos-argumentativos. Só isso já vale 200 pontos na nota do Enem.

Este post tem o objetivo de explicitar acerca da Competência 1 avaliada na correção da redação do Enem. O texto pretende demonstrar que a referida competência nada mais é do que a demonstração do domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

Além disso, buscaremos esclarecer como os corretores da redação do Enem procedem na avaliação desta competência até chegarem ao número da pontuação obtida pelo candidato.

Modalidade escrita formal

Como todos nós sabemos, o Enem solicita a produção de um texto dissertativo-argumentativo. Esse gênero textual exige que o candidato se posicione criticamente a partir de um tema ou assunto polêmico, de relevância social significativa, elaborando uma tese que será sustentada por meio de uma argumentação consistente.

Além de formular uma tese e a argumentação, o candidato também deve apresentar uma proposta de intervenção que vise solucionar ou diminuir o problema em questão.

A primeira inferência que podemos fazer sobre esse cenário de produção textual é que estamos tratando de um assunto sério, que diz respeito a toda sociedade e a cada um de nós.

Nesse sentido, podemos afirmar que um assunto ou tema sério exige um texto igualmente sério, sem brincadeiras, sem desenhos, sem códigos alienígenas, sem partes desconexas propositalmente ao longo do texto e muito menos sem os modos de preparar macarrão instantâneo. E um texto sério pede que sua linguagem também o seja.

É aí que entra a primeira competência avaliada na correção do texto dissertativo-argumentativo: os corretores verificarão se o candidato tem a capacidade de demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

É isso mesmo: a “Competência 1” avalia se você domina a modalidade escrita formal da língua portuguesa, o que inclui o conhecimento das convenções da escrita, entre as quais se encontram as regras de ortografia e de acentuação gráfica regidas pelo atual Acordo Ortográfico.

Esse acordo já está em vigor e deve ser seguido por todos na escrita formal, inclusive por você e por todos os participantes do Enem. Além disso, o domínio da modalidade formal da escrita será observado na adequação do seu texto em relação às regras gramaticais e à fluidez da leitura, que pode ser prejudicada ou beneficiada pela construção sintática.

Avaliação da primeira competência

Para que você tenha mais clareza a respeito das expectativas que se têm de um concluinte do ensino médio em termos de domínio da modalidade escrita formal, apresentamos, a seguir, os principais aspectos que guiam o olhar do avaliador.

Você será alertado sobre a obrigatoriedade de usar a modalidade formal já na proposta de redação, que é praticamente a mesma em todas as edições do Enem: “A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema…”.

Desse modo, o avaliador corrigirá sua redação, nesta competência, considerando os possíveis problemas de construção sintática e a presença de desvios (gramaticais, de convenções da escrita, de escolha de registro e de escolha vocabular).

Em relação à construção sintática, você deve estruturar as orações e os períodos de seu texto sempre buscando garantir que eles estejam completos e contribuam para a fluidez da leitura.

Quanto aos desvios, você deve estar atento aos seguintes aspectos:

  • Convenções da escrita: acentuação, ortografia, separação silábica, uso do hífen e uso de letras maiúsculas e minúsculas;
  • Gramaticais: concordância verbal e nominal, flexão de nomes e verbos, pontuação, regência verbal e nominal, colocação pronominal, pontuação e paralelismo;
  • Escolha de registro: adequação à modalidade escrita formal, isto é, ausência de uso de registro informal e/ou de marcas de oralidade;
  • Escolha vocabular: emprego de vocabulário preciso, o que significa que as palavras selecionadas são usadas em seu sentido correto e são apropriadas para o texto.

O quadro a seguir apresenta os seis níveis de desempenho que são utilizados para avaliar a Competência 1 nas redações do Enem:escrita formal

Em síntese, para obter os 200 pontos nesta competência você deve ficar atento com a construção sintática, isto é, você deve estruturar as orações e os períodos de seu texto sempre buscando garantir que eles estejam completos, coesos e coerentes, e que contribuam para a fluidez da leitura.

Além disso, você deve evitar os desvios linguísticos, sejam eles desvios gramaticais, de convenções da escrita, de escolha de registro, de escolha vocabular, etc.

Quanto à maneira mais eficiente de se alcançar os 200 pontos nesta competência, atingindo o nível mais alto da modalidade escrita formal da língua portuguesa, meu conselho é um só: LEITURA! Muita leitura.

Leitura de tudo, de todos os assuntos possíveis: receitas, mangás, notícias, entrevistas, letras de canções brasileiras, obras literárias, rótulos de produtos, dicionários, outdoors, livros didáticos, legendas de filmes, reportagens…

Aproveite para ver as dicas da prof. Dani para não repetir palavras na redação:

Procure fazer Leitura de ficcional e não ficcional também. Leitura de textos em prosa e de textos em versos. LEITURA DE MUNDO!

Veja filmes, telejornais, conversas no ponto de ônibus, atenção às aulas de todas as disciplinas, sendo curioso mesmo, observando o cotidiano, o seu bairro, a vida ao seu redor.

Porque o aprendizado surge, muitas vezes, dos lugares e das situações mais inusitadas. Pense nisso! 😉

Veja também a análise de uma redação nota 1000:

https://youtu.be/k-6iOxQk6gY?list=PLQVUQftDIJQErJmPAGyHrdtxrgLklj6a_

Sobre o(a) autor(a):

Texto produzido pelo Professor João Paulo Prilla para o Curso Enem Gratuito. JP é licenciado em Letras- Português, Inglês e respectivas Literaturas (2010) pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões e mestrando em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina. Ministra aulas de Literatura, Língua Portuguesa e Redação em escolas da Grande Florianópolis desde 2011.