Industrialização no Brasil: veja o ciclo tardio no país

A industrialização no Brasil foi praticamente inexistente nos tempos da Colônia de Portugal. Teve um pequeno surto no Império, mas foi somente a partir de 1930, com Getúlio Vargas na presidência, e depois na década de 1950, com Juscelino Kubitscheck, que os grandes saltos aconteceram. Veja no resumo de História.

O Brasil adentrou o século XX como um país agrário e chegou no século XXI como uma economia emergente. Durante o ciclo do Brasil Colonial, no Império, e na República Velha o país não teve iniciativas significativas e continuadas no snetido da industrialização.

A economia extrativisna durante a Colônia e depois a economia agráfia de monoculturas a partir do império foram a cena dominante inclusive no começo da República. Foi somente a partir de 1930, com a Era vargas, e depois, na segunda metade da década de 1950, com Juscelino Kubitshcek, que o Brasil entra de fato na industrialização.

Veja como tudo isto aconteceu nesta aula de História, e aprenda como foi o lento processo de industrialização no Brasil! A Revolução Industrial na Inglaterra foi na década de 1760, e o Brasil focu praticamente dois séculos imobilizado.

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Industrialização mundial

Também conhecida como setor secundário da economia, a atividade industrial surgiu no século XVIII, com a Revolução Industrial na Inglaterra, quando se passou a investir na aceleração da produção têxtil. Até aquele período, o trabalho era produzido manualmente por artesãos que detinham um conhecimento específico e completo do processo de produção.

A atividade industrial é uma consequência da mentalidade mercantilista/capitalista, onde o tempo é entendido como oportunidade de gerar dinheiro. Por isso a atividade industrial implementou a divisão do trabalho e o uso de máquinas para acelerar o processo de produção, o que também acabou gerando uma padronização do produto final.

Os países que primeiro se industrializaram foram aqueles localizados na Europa Ocidental e os Estados Unidos. Posteriormente, ainda no século XIX, o Japão e outras nações também passaram a contar com indústrias.

Atraso industrial no Brasil

O Brasil, assim como seus vizinhos e outros países ao redor do globo, chegou no século XX como um país agrário, cuja economia estava pautada ainda no setor primário: a agricultura.

Durante o período colonial, o Brasil era juridicamente proibido por Portugal, sua metrópole, de desenvolver atividades industriais. Isso só mudou em 1808, quando D. João, o príncipe regente, emite um alvará abolindo essa proibição.Imagem digitalizada do alvará de 1808, escrito ainda em letra cursiva, que autorizava a criação e existência de fábricas e manufaturas no Brasil. Fonte: https://cutt.ly/PhfwOen

Ainda assim, o Brasil não viu a construção de um parque industrial a partir daquele momento. As elites brasileiras ainda estavam baseadas nas plantations (lavouras de monocultura para exportação) e, a princípio, não tinham interesse em investir na atividade industrial.

Em 1844, a Tarifa Alves Branco, uma série de medidas protecionistas que aumentavam a taxação de produtos importados, provocou um leve surto industrial no país. Foi neste contexto que Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, tornou-se um notório empresário brasileiro.

Mas por pressões internas e externas, as medidas foram derrubadas anos depois e os produtos estrangeiros voltaram a ter vantagem sobre a produção nacional.

Industrialização nas cidades brasileiras

O Brasil só voltaria a ver um novo crescimento de suas indústrias pouco antes da proclamação da República, quando os barões do café passaram a investir parte dos seus lucros em fábricas de produtos de consumo básico do mercado interno, como sabão, fiação de tecidos, roupas, colchões e e móveis.

Nestas primeiras fábricas passaram a trabalhar imigrantes europeus, especialmente italianos e espanhóis, que eram atraídos por ofertas de empregos e terras. Veja o desembarque de imigrantes em um porto da cidade de Santos.

Imigrantes chegando em Santos - Industrialização no BrasilFonte: https://cutt.ly/vhfwxZo

Desde que se havia decidido pela abolição gradual da escravidão no Brasil, passou a ser implementada uma política de branqueamento da população. Nela se desejava substituir a mão de obra negra e escravizada pela mão de obra branca e assalariada, como se dava nos países europeus.

Entre 1880 e 1889 o número de indústrias triplica no país. No ano da Proclamação da República, passava de 600 o número de indústrias no Brasil. O maquinário utilizado era importado da Europa, e assim também eram os trabalhadores.

É a partir desse contexto que se forma a classe operária brasileira. Mas, além da experiência fabril, os imigrantes de diferentes nacionalidades também trouxeram consigo sua experiência na luta por direitos.

Em julho de 1917, em São Paulo, começa a primeira greve geral do Brasil. Ela durou cerca de um mês, e os trabalhadores lutavam contra o aumento do trabalho noturno, aumento de salários e outras melhorias nas condições de trabalho.

A opção industrial de Getúlio Vargas e JK

Até 1930, o carro chefe da economia brasileira vai ser a indústria cafeeira, que chegou a ser a maior do mundo no período. Após a crise econômica de 1929 e o enfraquecimento das oligarquias cafeeiras que dominavam a política oficial, Getúlio Vargas chega ao poder.

Seu governo ficará marcado por um forte nacionalismo que contará ao mesmo tempo com a consolidação de direitos trabalhistas, como férias remuneradas e aposentadoria, por exemplo, e pelo aparelhamento de sindicatos e organizações de trabalhadores.

Neste período ocorre ainda um acentuado investimento nas indústrias de base, principalmente na siderurgia, metalurgia e no setor de energia.Getúlio Vargas - Industrialização no BrasilFotografia de 9 de setembro de 1951 mostrando Getúlio Vargas desfilando em carro aberto em Vitória, Espírito Santo. Fonte: https://cutt.ly/KhfezCA

Vargas é considerado o principal presidente a ter contribuído para a industrialização do Brasil no século XX. Durante seus anos de governo, foram fortalecidas e erguidas várias indústrias.

Só para falar das empresas estatais, podemos citar a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, a Companhia Vale do Rio Doce, a Fábrica Nacional de Motores e a Petrobrás.

Veja como foi o ciclo do governo de Juscelino Kubitscheck, com o slogan de 50 anos em 5, que imortalizou JK na história do país.

Consequências da industrialização no Brasil

O governo Vargas foi essencial para o surgimento de dois conceitos muito importantes na economia brasileira: o trabalhismo e o nacional-desenvolvimentismo. O primeiro dizia respeito à uma cultura de valorização e defesa do trabalho.  Enquanto isso, o segundo funcionou mais como uma doutrina que defendia o papel do Estado na condução da modernização do país.

O trabalhismo e o nacional-desenvolvimentismo acabaram sendo evocados em governos posteriores, como os de Juscelino Kubistchek e João Goulart.

Veja o Espaço Industrial Brasileiro

Confira agora com o professor Raphael Carrieri, do canal do Curso Enem Gratuito, como foram os principais ciclos industriais no país. Comece pela Região Sudeste, que concentra a maior parte da indústria brasileira.

Como você observou com o professor Carrieri, em meados do século XX, não só as zonas urbanas, mas também as zonas rurais veem o surgimento de grandes indústrias. Trata-se do processo de mecanização do campo, momento em que foram implementadas tecnologias para acelerar e aumentar a produção agrícola.

Como consequência deste processo, houve uma concentração de terras e um fortalecimento do êxodo rural (a migração das zonas rurais para os centros urbanos), que já ocorria devido à industrialização das cidades.

Após o golpe de 1964, os governos militares também passaram a incentivar cada vez mais a ocupação do interior do Brasil, principalmente no centro-oeste e na região amazônica, fortalecendo o processo de mecanização do campo.

O Espaço Industrial nas Regiões Nordeste, Sul, Centro-Oeste, e Norte

Exercícios sobre a industrialização no Brasil

1- (UNIFOR CE/2018)

“Entende-se por desenvolvimentismo a ideologia de transformação da sociedade brasileira definida pelo projeto econômico que se compõe dos seguintes pontos fundamentais: a) a industrialização integral é a via de superação da pobreza e do subdesenvolvimento brasileiro; b) não há meio de alcançar uma industrialização eficiente e racional no Brasil através das forças espontâneas do mercado, por isso é necessário que o estado a planeje; c) o planejamento deve definir a expansão desejada dos setores econômicos e os instrumentos de promoção dessa expansão; d) o Estado deve ordenar também a execução da expansão, captando e orientando recursos financeiros, e promovendo investimentos diretos naqueles setores em que a iniciativa privada seja insuficiente.”

(BIELSCHOWSKY, Ricardo. Pensamento econômico brasileiro: O ciclo ideológico do desenvolvimentismo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004, p. 7)

Podem ser considerados componentes do projeto desenvolvimentista:

I. Criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), ampliado e atualmente chamado de Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

II. Aplicação da técnica de planejamento econômico desenvolvida pela CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina) nos anos 1950-1960, cujo exemplo é o Plano de Metas.

III. Políticas estatais macroeconômicas de controle de gastos públicos, estabilização monetária e combate à inflação, tais como o Plano Real.

IV. Criação de empresas estatais em setores decisivos para a industrialização integral (indústrias de base) e o controle nacional sobre recursos estratégicos, como o petróleo.

V. Abertura comercial e incremento das importações como forma de, por meio da concorrência, expandir e desenvolver a tecnologia das indústrias nacionais.

A alternativa que contém todas as assertivas corretas é:

a) I, II, III e IV.

b) II, III, IV e V.

c) I, II e IV.

d) I, IV e V.

e) I, II, III, IV e V.

2- (ESPM SP/2019)

O sociólogo, jurista e escritor Hélio Jaguaribe morreu neste domingo, no Rio de Janeiro, aos 95 anos. Um dos expoentes do pensamento brasileiro, ao longo do século XX, foi um dos grandes intérpretes do nosso país. Estudou o Brasil para transformá-lo, o que era uma das propostas do ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros).

(Folha de São Paulo, 11/09/2018)

O ISEB, mencionado no texto, deve ser relacionado com o contexto apresentado na seguinte alternativa:

a) governo de Juscelino Kubitschek e a teoria do nacional-desenvolvimentismo;

b) governo Getúlio Vargas e corporativismo;

c) governo João Goulart e parlamentarismo;

d) governo Jânio Quadros e populismo;

e) governo do general Eurico Dutra e liberalismo.

3- (UEPG PR/2020)

O aparecimento de uma classe operária no Brasil – aqui considerada um conjunto de trabalhadores livres, assalariados e em condições sociais comuns – é um fenômeno social do começo do século XX. A respeito desse tema, assinale o que for correto.

01. Na Primeira República, a criação de sindicatos e partidos políticos ligados aos trabalhadores e suas causas foi incentivada pelo governo federal.

02. Com o fim do regime escravista, ocorreu a incorporação dos trabalhadores alforriados no mercado de trabalho em expansão no país. É possível afirmar que os ex-escravos tornaram-se a base da classe operária brasileira já na virada do século XIX para o XX.

04. A primeira Greve Geral ocorrida no Brasil data de 1917 e reuniu trabalhadores concentrados em poucas cidades como São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro.

08. A criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e a implantação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) são avanços conseguidos pelos trabalhadores a partir da chegada de Getúlio Vargas ao poder.

16. A Lei Adolfo Gordo, assinada na Primeira República, garantiu o direito de livre participação em movimentos sociais e políticos aos trabalhadores imigrantes radicados no Brasil.

Gabarito:

  1. C
  2. A
  3. 12

Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.

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