Conheça a história da industrialização no Brasil

A industrialização no Brasil teve um pequeno surto no Império, mas se desenvolveria de vez somente a partir do governo de Getúlio Vargas. Saiba mais!

O Brasil adentrou o século XX como um país agrário e chegou no século XXI como uma economia emergente. Veja como nesta aula de História como foi o processo de industrialização no Brasil!

Industrialização mundial

Também conhecida como setor secundário da economia, a atividade industrial surgiu no século XVIII,  com a Revolução Industrial na Inglaterra, quando se passou a investir na aceleração da produção têxtil. Até aquele período, o trabalho era produzido manualmente por artesãos que detinham um conhecimento específico e completo do processo de produção.

A atividade industrial é uma consequência da mentalidade mercantilista/capitalista, onde o tempo é entendido como oportunidade de gerar dinheiro. Por isso a atividade industrial implementou a divisão do trabalho e o uso de máquinas para acelerar o processo de produção, o que também acabou gerando uma padronização do produto final.

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Os países que primeiro se industrializaram foram aqueles localizados na Europa Ocidental e os Estados Unidos. Posteriormente, ainda no século XIX, o Japão e outras nações também passaram a contar com indústrias.

O Brasil, assim como seus vizinhos e outros países ao redor do globo, chegou no século XX como um país agrário, cuja economia estava pautada ainda no setor primário: a agricultura.

Surto industrial no Brasil

Durante o período colonial, o Brasil era juridicamente proibido por Portugal, sua metrópole, de desenvolver atividades industriais. Isso só mudou em 1808, quando D. João, o príncipe regente, emite um alvará abolindo essa proibição.

Autorização da criação de fábricas no Brasil - Industrialização no BrasilImagem digitalizada do alvará de 1808, escrito ainda em letra cursiva, que autorizava a criação e existência de fábricas e manufaturas no Brasil. Fonte: https://cutt.ly/PhfwOen

Ainda assim, o Brasil não viu a construção de um parque industrial a partir daquele momento. As elites brasileiras ainda estavam baseadas nas plantations (lavouras de monocultura para exportação) e, a princípio, não tinham interesse em investir na atividade industrial.

Em 1844, a Tarifa Alves Branco, uma série de medidas protecionistas que aumentavam a taxação de produtos importados, provocou um leve surto industrial no país. Foi neste contexto que Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, tornou-se um notório empresário brasileiro.

Mas por pressões internas e externas, as medidas foram derrubadas anos depois e os produtos estrangeiros voltaram a ter vantagem sobre a produção nacional.

Industrialização nas cidades

O Brasil só voltaria a ver um novo crescimento de suas indústrias pouco antes da proclamação da República, quando os barões do café passaram a investir parte dos seus lucros em fábricas. Nelas, passaram a trabalhar imigrantes europeus, especialmente italianos e espanhóis, que eram atraídos por ofertas de empregos e terras.

Imigrantes chegando em Santos - Industrialização no BrasilDesembarque de imigrantes em um porto da cidade de Santos. Fonte: https://cutt.ly/vhfwxZo

Desde que se havia decidido pela abolição gradual da escravidão no Brasil, passou a ser implementada uma política de branqueamento da população. Nela se desejava substituir a mão de obra negra e escravizada pela mão de obra branca e assalariada, como se dava nos países europeus.

Para saber mais sobre a imigração europeia, veja esta aula do prof. Felipe no nosso canal do YouTube:

Entre 1880 e 1889 o número de indústrias triplica no país. No ano da Proclamação da República, passava de 600 o número de indústrias no Brasil. O maquinário utilizado era importado da Europa, e assim também eram os trabalhadores.

É a partir desse contexto que se forma a classe operária brasileira. Mas, além da experiência fabril, os imigrantes de diferentes nacionalidades também trouxeram consigo sua experiência na luta por direitos.

Em julho de 1917, em São Paulo, começa a primeira greve geral do Brasil. Ela durou cerca de um mês, e os trabalhadores lutavam contra o aumento do trabalho noturno, aumento de salários e outras melhorias nas condições de trabalho.

Industrialização no Brasil com Getúlio Vargas

Até 1930, o carro chefe da economia brasileira vai ser a indústria cafeeira, que chegou a ser a maior do mundo no período. Após a crise econômica de 1929 e o enfraquecimento das oligarquias cafeeiras que dominavam a política oficial, Getúlio Vargas chega ao poder.

Seu governo ficará marcado por um forte nacionalismo que contará ao mesmo tempo com a consolidação de direitos trabalhistas, como férias remuneradas e aposentadoria, por exemplo, e pelo aparelhamento de sindicatos e organizações de trabalhadores. Neste período ocorre ainda um acentuado investimento nas indústrias de base, principalmente na siderurgia, metalurgia e no setor de energia.

Getúlio Vargas - Industrialização no BrasilFotografia de 9 de setembro de 1951 mostrando Getúlio Vargas desfilando em carro aberto em Vitória, Espírito Santo. Fonte: https://cutt.ly/KhfezCA

Vargas é considerado o principal presidente a ter contribuído para a industrialização do Brasil no século XX. Durante seus anos de governo, foram fortalecidas e erguidas várias indústrias. Só para falar das empresas estatais, podemos citar a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, a Companhia Vale do Rio Doce, a Fábrica Nacional de Motores e a Petrobrás.

Consequências da industrialização no Brasil

O governo Vargas foi essencial para o surgimento de dois conceitos muito importantes na economia brasileira: o trabalhismo e o nacional-desenvolvimentismo. O primeiro dizia respeito à uma cultura de valorização e defesa do trabalho.  Enquanto isso, o segundo funcionou mais como uma doutrina que defendia o papel do Estado na condução da modernização do país. O trabalhismo e o nacional-desenvolvimentismo acabaram sendo evocados em governos posteriores, como os de Juscelino Kubistchek e João Goulart.

Em meados do século XX, não só as zonas urbanas, mas também as zonas rurais veem o surgimento de grandes indústrias. Trata-se do processo de mecanização do campo, momento em que foram implementadas tecnologias para acelerar e aumentar a produção agrícola.

Como consequência deste processo, houve uma concentração de terras e um fortalecimento do êxodo rural (a migração das zonas rurais para os centros urbanos), que já ocorria devido à industrialização das cidades. Após o golpe de 1964, os governos militares também passaram a incentivar cada vez mais a ocupação do interior do Brasil, principalmente no centro-oeste e na região amazônica, fortalecendo o processo de mecanização do campo.

Videoaula

Por fim, para revisar o conteúdo desta aula, assista ao documentário do History Channel sobre industrialização no Brasil:

Exercícios sobre a industrialização no Brasil

1- (UNIFOR CE/2018)

“Entende-se por desenvolvimentismo a ideologia de transformação da sociedade brasileira definida pelo projeto econômico que se compõe dos seguintes pontos fundamentais: a) a industrialização integral é a via de superação da pobreza e do subdesenvolvimento brasileiro; b) não há meio de alcançar uma industrialização eficiente e racional no Brasil através das forças espontâneas do mercado, por isso é necessário que o estado a planeje; c) o planejamento deve definir a expansão desejada dos setores econômicos e os instrumentos de promoção dessa expansão; d) o Estado deve ordenar também a execução da expansão, captando e orientando recursos financeiros, e promovendo investimentos diretos naqueles setores em que a iniciativa privada seja insuficiente.”

(BIELSCHOWSKY, Ricardo. Pensamento econômico brasileiro: O ciclo ideológico do desenvolvimentismo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004, p. 7)

Podem ser considerados componentes do projeto desenvolvimentista:

I. Criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), ampliado e atualmente chamado de Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

II. Aplicação da técnica de planejamento econômico desenvolvida pela CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina) nos anos 1950-1960, cujo exemplo é o Plano de Metas.

III. Políticas estatais macroeconômicas de controle de gastos públicos, estabilização monetária e combate à inflação, tais como o Plano Real.

IV. Criação de empresas estatais em setores decisivos para a industrialização integral (indústrias de base) e o controle nacional sobre recursos estratégicos, como o petróleo.

V. Abertura comercial e incremento das importações como forma de, por meio da concorrência, expandir e desenvolver a tecnologia das indústrias nacionais.

A alternativa que contém todas as assertivas corretas é:

a) I, II, III e IV.

b) II, III, IV e V.

c) I, II e IV.

d) I, IV e V.

e) I, II, III, IV e V.

2- (ESPM SP/2019)

O sociólogo, jurista e escritor Hélio Jaguaribe morreu neste domingo, no Rio de Janeiro, aos 95 anos. Um dos expoentes do pensamento brasileiro, ao longo do século XX, foi um dos grandes intérpretes do nosso país. Estudou o Brasil para transformá-lo, o que era uma das propostas do ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros).

(Folha de São Paulo, 11/09/2018)

O ISEB, mencionado no texto, deve ser relacionado com o contexto apresentado na seguinte alternativa:

a) governo de Juscelino Kubitschek e a teoria do nacional-desenvolvimentismo;

b) governo Getúlio Vargas e corporativismo;

c) governo João Goulart e parlamentarismo;

d) governo Jânio Quadros e populismo;

e) governo do general Eurico Dutra e liberalismo.

3- (UEPG PR/2020)

O aparecimento de uma classe operária no Brasil – aqui considerada um conjunto de trabalhadores livres, assalariados e em condições sociais comuns – é um fenômeno social do começo do século XX. A respeito desse tema, assinale o que for correto.

01. Na Primeira República, a criação de sindicatos e partidos políticos ligados aos trabalhadores e suas causas foi incentivada pelo governo federal.

02. Com o fim do regime escravista, ocorreu a incorporação dos trabalhadores alforriados no mercado de trabalho em expansão no país. É possível afirmar que os ex-escravos tornaram-se a base da classe operária brasileira já na virada do século XIX para o XX.

04. A primeira Greve Geral ocorrida no Brasil data de 1917 e reuniu trabalhadores concentrados em poucas cidades como São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro.

08. A criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e a implantação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) são avanços conseguidos pelos trabalhadores a partir da chegada de Getúlio Vargas ao poder.

16. A Lei Adolfo Gordo, assinada na Primeira República, garantiu o direito de livre participação em movimentos sociais e políticos aos trabalhadores imigrantes radicados no Brasil.

Gabarito:

  1. C
  2. A
  3. 12

Sobre o(a) autor(a):

Os textos acima foram preparados pelo professor Angelo Antônio de Aguiar. Angelo é graduado em história pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrando em ensino de história na mesma instituição e dá aulas de história na Grande Florianópolis desde 2016.

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