Conjunção e Interjeição

Você sabe como usar uma conjunção? Sabe identificar uma interjeição? Não? Então estude esses grupos de palavras nesta aula de Português para o Enem!

Existem classes de palavras que são essenciais para dar coerência e consistência à um texto. Outras ajudam a resumir ou expressar sentimentos. Nesta aula de Português, vamos estudar dois desses grupos de palavras: a conjunção e a interjeição. Saber identificá-las e utilizá-las pode ser o ponto chave para você mandar bem na interpretação de textos das questões de Línguas e na produção da sua Redação Enem! Vem com a gente!

Conjunção

Além das preposições, há um outro grupo de palavras que ajuda a juntar os termos de uma oração ou duas orações: as conjunções. Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações ou dois termos semelhantes da mesma oração. Veja alguns exemplos:

  • Você quer passar em Administração ou Contabilidade?

Nesta oração, a conjunção ou liga duas palavras/termos (administração / contabilidade).

  • Preste atenção neste conteúdo ou faça mais exercícios.

Nesta outra oração, a conjunção ou liga duas orações: a primeira oração “Preste atenção neste conteúdo” e a segunda oração “faça mais exercícios”.

Atenção! Não se esqueça que identificamos uma oração pela presença de um verbo!

Classificação das conjunções

As conjunções são classificadas conforme o que expressam na sentença. Há dois grupos de conjunções: as coordenativas e as subordinativas.

Conjunção coordenativa

As conjunções coordenativas são aquelas que ligam duas orações independentes. As orações independentes são aquelas que podem ser separadas porque o sentido de uma não depende da outra. Por isso, são chamadas coordenadas.

As principais conjunções coordenativas são:

a) Conjunções Aditivas

Essas conjunções exprimem soma, adição de pensamentos. Veja os exemplos:

e, nem, não só, mas também, bem como, como também

Observe o uso dessas conjunções: João não estuda nem trabalha.

conjunção
Figura 1: Exemplo na tirinha de Armandinho. Observe o segundo quadro a conjunção “e” ligando duas orações coordenadas “Sem salários, muitos ocuparam um morro da cidade…e apelidaram o local de “favela”.

 

b) Conjunções Adversativas

Exprimem oposição, contraste, compensação de pensamentos. Alguns exemplos de conjunções adversativas são: mas, porém, contudo, entretanto, no entanto, todavia.

Veja um exemplo de uso dessas conjunções: Não foi aprovado, todavia fez o melhor possível na prova.

c) Conjunções Alternativas

Exprimem escolha de pensamentos. Estas são algumas conjunções alternativas: ou…ou, já…já, ora…ora, quer…quer, seja…seja.

Exemplo: Ou você presta concurso ou você faz vestibular.

d) Conjunções Conclusivas

Exprimem conclusão de pensamento. São elas: logo, por isso, pois (quando vem depois do verbo), portanto, por conseguinte, assim.

Exemplo: Chove bastante, portanto a prova será adiada.

e) Conjunções Explicativas

Exprimem razão, motivo. Veja algumas conjunções explicativas: que, porque, assim, pois (quando vem antes do verbo), porquanto, por conseguinte.

Exemplo de uso dessas conjunções: Não estudou, porque entendeu nada.

 

Além das conjunções coordenativas, ou seja, aquelas que unem orações independentes, também há as conjunções subordinativas. Nesse caso, estamos falando daquelas que unem orações dependentes entre si. Veja a classificação das conjunções subordinativas a seguir.

 

Conjunção subordinativa

As conjunções subordinativas ligam orações dependentes entre si e são divididas em dez tipos:

a) Conjunções Integrantes

Introduzem orações subordinadas com função substantiva: que, se.

Exemplo: Quero que você estude já. Não sei se devo estudar lá.

conjunção
Figura 2: Observe a sentença do terceiro quadro da tira “Ele diz que se não fizer faxina, a mãe mata ele”. A conjunção “que” integra a primeira oração (Ele diz) com a segunda oração (se não fizer faxina…) de forma subordinada, ou seja, para a primeira oração ser compreendida precisa da segunda oração.

 

b) Conjunções Causais

Introduzem orações subordinadas que dão ideia de causa: que, porque, como, pois, visto que, já que, uma vez que.

Exemplo: Não fui à aula porque gripei. Como fiquei doente não pude ir à aula.

c) Conjunções Comparativas

Introduzem orações subordinadas que dão ideia de comparação: que, do que, como.

Exemplo: Meu primo é mais inteligente do que eu.

d) Conjunções Concessivas

Iniciam orações subordinadas que exprimem um fato contrário ao da oração principal: embora, ainda que, mesmo que, se bem que, posto que, apesar de que, por mais que, por melhor que.

Exemplo: Vou à palestra, embora esteja chovendo muito.

e) Conjunções Condicionais

Iniciam orações subordinadas que exprimem hipótese ou condição para que o fato da oração principal se realize ou não: caso, contanto que, salvo se, desde que, a não ser que.

Exemplo: Se não chover, irei à aula de reforço.

f) Conjunções Conformativas

Iniciam orações subordinadas que exprimem acordo, concordância de um fato com outro: segundo, como, conforme.

Exemplo: Faça o exercício conforme expliquei.

g) Conjunções Consecutivas

Iniciam orações subordinadas que exprimem a consequência ou o efeito do que se declara na oração principal: que, de forma que, de modo que, de maneira que.

Exemplo: Foi tamanha alegria na aprovação que ele desmaiou.

h) Conjunções Temporais

Iniciam orações subordinadas que dão ideia de tempo: logo que, antes que, quando, assim que, sempre que.

Exemplo: Quando passar o Enem, viajaremos.

i) Conjunções Finais

Iniciam orações subordinadas que exprimem uma finalidade: a fim de que, para que.

Exemplo: Estamos aqui para que ela fique tranquila na prova.

j) Conjunções Proporcionais

Iniciam orações subordinadas que exprimem concomitância, simultaneidade: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto menos, quanto menor, quanto melhor.

Exemplo: Quanto mais estudar, mais preparo.

Além das conjunções, existem palavras que marcam a expressão de sentimentos. Elas são chamadas de interjeição. A seguir toda a explicação das interjeições para que você as reconheça e não erre em caso de prova, concurso, vestibular ou Enem.

 

Interjeição

A interjeição é a palavra ou locução que exprime um sentimento. Pode ser dor, alegria, admiração, aplauso, irritação, susto, etc. É importante ressaltar que, geralmente, as interjeições vêm acompanhadas do sinal exclamação (!). Caso apareça em textos literários, é importante imaginar a cena que expõe mudança de sentimento, voz, etc.

As interjeições classificam-se conforme os sentimentos que expressam. Vamos destacar abaixo as mais usadas.

a) alegria ou satisfação: ah!, oh!, oba!

b) animação: coragem!, avante!, eia!, vamos!, eba!

c) aplauso: bis!, bem!, bravo!, viva!

d) desejo: oh!, oxalá!, tomara!

e) dor: ai!, ui!

f) espanto ou surpresa: ah!, chi!, ih!, caramba!

g) apelo: alô!, ei!, socorro!

h) silêncio: psiu!, silêncio!, calada (o)!

i) suspensão: alto!, basta!, alto lá!

j) advertência: cuidado!, atenção!

Locução interjetiva

Além das palavras de interjeição há a ocorrência da locução interjetiva, ou seja, quando a exclamação é realizada por um grupo de palavras que indicam algum sentimento. Observe os exemplos:

a) Puxa vida!

b) Meu Deus!

c) Benza-me Deus!

d) Cruz-credo!

 

Para continuar seus estudos, assista à videoaula do professor Noslen sobre Preposição, conjunção e interjeição:

Exercícios

Questão 01 – (UNIFOR CE/2019)    

Novo biossensor detecta câncer de pâncreas com maior precisão

Elton Alisson

Um tipo de tumor raro no Brasil, o câncer de pâncreas é altamente letal. Isso¹ porque o diagnóstico é difícil, os sintomas demoram a aparecer e, quando surgem, indicam que a doença está em estágio avançado e é mais resistente ao tratamento.

A fim² de diagnosticar mais precocemente o tumor, têm sido feitos esforços para gerar métodos de triagem a partir de exames de rotina, como de sangue e de urina. Isso poderia aumentar a expectativa de vida de pacientes com predisposição ou com sintomas ainda inexistentes, mas³ os testes disponíveis ainda são caros e têm4 precisão limitada.

Um biossensor criado por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), com colegas do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), do Hospital de Câncer de Barretos e da Universidade do Minho, de Portugal, pode mudar esse quadro de diagnóstico da doença.

Disponível em:< http://agencia.
fapesp. br/novo-biossensor-de-
tecta-cancer-de-pancreas-com-
maior-precisao/28832/>. Aces-
so em 16 Out 2018.

Observe os termos em negrito no texto e analise as afirmações.

I. O pronome demonstrativo ISSO refere-se a “Um tipo de tumor raro no Brasil”.

II. A expressão A FIM DE pode ser substituída, sem comprometer o sentido da frase, por: COM A FINALIDADE DE.

III.   A conjunção MAS, no período, exprime uma ideia de concordância com o fato anterior.

IV. O verbo TÊM refere-se a “os testes disponíveis”.

É correto apenas o que se afirma em

a) I e II

b) II e IV

c) III e IV

d) I, II e IV

e) II, III e IV

 

Questão 02 – (UTFPR/2018) 

Como o novo jogo pokémon go coloca pessoas para andar e já causou problemas com a polícia

Depois de muita espera, ele está causando um rebuliço nos países onde já foi lançado. Tanto é que até a polícia precisou intervir.

Pelo menos foi o que ocorreu na Austrália, onde as autoridades precisaram emitir um alerta para que jogadores de Pokémon Go não se aventurassem em lugares perigosos, como túneis, ou recomendar que os mesmos tirem “os olhos do telefone e olhem para os dois lados da rua antes de atravessar.”

Pokémon Go é a atualização mais recente da franquia de jogos de videogame lançada pela Nintendo há 20 anos. A nova versão começou a ser lançada mundialmente há poucos dias e leva jogadores a procurar pokémons em museus, parques, esquinas, em seus banheiros e até no porta- luvas do carro. Toda essa atividade, contudo, levou a preocupações com segurança.

Go Pokémon é um jogo de realidade aumentada que deixou os videogames para se instalar em smartphones e se estender pelo “mundo real”. Os jogadores se tornaram agora treinadores que saem à caça dos pokémons – como são chamadas as criaturas com diferentes habilidades que “vivem” em bolas especiais. […]

Um perigo?

A polícia da Austrália tem razão quando adverte os fãs de Pokémon para não esquecerem de olhar para os dois lados antes de atravessar a rua?

“Infelizmente, eu acho que não vamos demorar muito para ver casos de pessoas com problemas de roubos, atropelamentos e quedas, por estarem mais focados em olhar para a tela do que realmente ao seu redor”, diz um agente da polícia.

“Acontece que as pessoas já se distraem olhando para o celular e agora esse problema será ampliado. Isso se transformará em um perigo real aumentado”.

(http://noticias.r7.com/hora-7/co-
mo-o-novo-jogopokemon- go-co-
loca-pessoas-para-andar-e-jacausou-
problemas-com-a-policia-08072016

Em Toda essa atividade, contudo, levou a preocupações com segurança.” (3º parágrafo), a conjunção destacada estabelece uma ideia de:

a) causa

b) condição.

c) conclusão.

d) adição.

e) oposição.

 

Questão 03 – (UEPG PR/2017)       

Passe livre?

Os turistas que chegam a Boston, nos Estados Unidos, têm uma agradável surpresa: uma viagem na Silver Line, o corredor de ônibus que liga o aeroporto ao centro da cidade, sai de graça. Mas a tarifa zero só vale para quem embarca no próprio aeroporto: passageiros regulares pagam US$ 2,65. A ideia é dar uma espécie de “boas vindas” aos visitantes. A 7,5 mil quilômetros de Boston, a cidade de Agudos, no interior de São Paulo, tem passe livre integral. Todo mês o prefeito aplica R$ 120 mil na rede de 16 ônibus da cidade e só isso já garante o deslocamento de toda a população.

“Considero possível a tarifa zero em qualquer cidade. Mas trata-se de uma medida que demanda reestruturação tributária nos municípios”, diz Paulo Cesar Marques da Silva, especialista em mobilidade da Universidade de Brasília. A aplicação de impostos progressivos, cuja alíquota aumenta conforme a renda do contribuinte é uma possibilidade. Outra, segundo Paulo, é “a taxação pelo uso do automóvel, seja em estacionamentos públicos, seja pela circulação”. O pedágio urbano se tornou famoso após sua implantação em Londres: em dez anos, reduziu em 21% a presença de carros no centro da cidade.

“Precisamos de modelos de arrecadação. Caso contrário, a tarifa vai sempre subir e, no fim, muita gente deixa de usar o transporte”, afirma João Cucci Neto, professor de engenharia de tráfego da universidade Mackenzie. Além desses subsídios, a taxação da gasolina, a contribuição da indústria e outros empreendimentos que se beneficiem de um bom sistema de transporte são alguns modelos possíveis.

Adaptado de: Galileu, mar/2016, ed. 296, p. 30.

No primeiro e no segundo parágrafos foi utilizada a conjunção mas. Sobre esses usos, assinale o que for correto.

01. O sentido adversativo presente nessa conjunção contribui com o sentido geral do texto: de que ainda há entraves ou medidas a serem tomadas para a redução ou extinção da tarifa de transporte.

02. O sentido construído pela conjunção já adverte o leitor de que a proposta da tarifa zero pode ser viável a longo prazo.

04. A conjunção pode conectar orações coordenadas dentro de um mesmo período, mas nos casos do texto acima está iniciando novos períodos.

08. Ambos os períodos iniciados pela conjunção são precedidos por sentenças afirmativas acerca da possibilidade da tarifa zero e introduzem uma explicação sobre o fato de ela ainda ser pouco comum.

16. Essa conjunção poderia ser substituída por todavia, contudo ou portanto, sem prejuízo de sentido.

 

Questão 04 – (IFPE/2017)    

O Grito

(1) O destino cruzou o caminho de D. Pedro em situação de desconforto e nenhuma elegância. Ao se aproximar do riacho do Ipiranga, às 16h30 de 7 de setembro de 1822, o príncipe regente, futuro imperador do Brasil e rei de Portugal, estava com dor de barriga. A causa dos distúrbios intestinais é desconhecida.

(2) Acredita-se que tenha sido algum alimento malconservado ingerido no dia anterior em Santos, no litoral paulista, ou a água contaminada das bicas e chafarizes que abasteciam as tropas de mula na serra do Mar. Testemunha dos acontecimentos, o coronel Manuel Marcondes de Oliveira Melo, subcomandante da guarda de honra e futuro barão de Pindamonhangaba, usou em suas memórias um eufemismo para descrever a situação do príncipe. Segundo ele, a intervalos regulares D. Pedro se via obrigado a apear do animal que o transportava para “prover-se” no denso matagal que cobria as margens da estrada.

(3) A montaria usada por D. Pedro nem de longe lembrava o fogoso alazão que, meio século mais tarde, o pintor Pedro Américo colocaria no quadro “Independência ou Morte”, também chamado de “O Grito do Ipiranga”, a mais conhecida cena do acontecimento. O coronel Marcondes se refere ao animal como uma “baia gateada”. Outra testemunha, o padre mineiro Belchior Pinheiro de Oliveira, cita uma “bela besta baia”. Em outras palavras, uma mula sem nenhum charme, porém forte e confiável. Era esta a forma correta e segura de subir a serra do Mar naquela época de caminhos íngremes, enlameados e esburacados.

(4) Foi, portanto, como um simples tropeiro, coberto pela lama e pela poeira do caminho, às voltas com as dificuldades naturais do corpo e de seu tempo, que D. Pedro proclamou a Independência do Brasil. A cena real é bucólica e prosaica, mais brasileira e menos épica do que a retratada no quadro de Pedro Américo. E, ainda assim, importantíssima. Ela marca o início da história do Brasil como nação independente.

GOMES, Laurentino. 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram dom Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado.
2. Ed. São Paulo: Globo, 2015. p. 27.

A respeito do fragmento “Foi, portanto, como um simples tropeiro, coberto pela lama e pela poeira do caminho, às voltas com as dificuldades naturais do corpo e de seu tempo, que D. Pedro proclamou a Independência do Brasil” (4º parágrafo), avalie as seguintes afirmações.

I. A conjunção “portanto” empresta tom conclusivo ao período.

II. No trecho “como um simples tropeiro, coberto pela lama e pela poeira do caminho”, há uma clara referência ao animal que transportava D. Pedro.

III. Em “às voltas com as dificuldades naturais do corpo”, alude-se aos distúrbios intestinais pelos quais D. Pedro passava naquele dia.

IV. A palavra “como” é comparativa e introduz uma descrição do estado de D. Pedro quando proclamou a Independência.

V. A ação atribuída a D. Pedro, “proclamou”, endossa a descrição heroica atribuída ao príncipe regente.

Estão CORRETAS, apenas, as assertivas

a) II e V.

b) I, II e IV.

c) I, III e V.

d) III, IV e V.

e) I, III e IV.

 

1 Gab: B

2 Gab: E

3 Gab: 15  

4 Gab: E

Sobre o(a) autor(a):

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Andressa da Costa Farias para o Blog do Enem. Andressa é formada em Letras Português e Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Maria. E atualmente cursa Doutorado em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina. Colabora eventualmente escrevendo crônicas para o jornal Diário de Santa Maria (RS) das quais posta no blog pessoal: www.andressacf.blogspot.com Facebook: https://www.facebook.com/andressa.dacostafarias