A configuração do espaço urbano brasileiro

A urbanização intensa do território brasileiro iniciou junto ao processo de industrialização do país. Junto a este processo, temos o êxodo rural. Vamos entender melhor este processo?

Esta aula irá tratar das principais questões que envolvem a temática da urbanização no Brasil. Também terá como foco a atual configuração do espaço urbano brasileiro, a conurbação, a hierarquia urbana e regiões metropolitanas no Brasil.

O que é urbanização

A urbanização é um processo que ocorre quando a taxa da população residente nas cidades é maior que a da população rural. No Brasil e no mundo, a evolução do processo de urbanização está diretamente relacionada à industrialização. Dessa forma, a urbanização ocorreu primeiro nos países desenvolvidos e posteriormente nos países subdesenvolvidos.

Segundo o Relatório Mundial sobre População, metade da população mundial já vivia nas cidades em 2020. Esse número mostra desafios gigantescos para proporcionar aos habitantes das áreas urbanas condições de vida adequadas. Assim, buscar soluções sustentáveis, que permitam aos habitantes das cidades ter condições dignas de vida, torna-se urgente e inadiável.

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Processo de urbanização atual

Atualmente, o processo de urbanização é mais intenso nos países subdesenvolvidos. Enquanto isso, no Brasil o nível de urbanização é tão alto quanto dos países desenvolvidos. De acordo com o relatório da ONU, a população mundial está cada vez mais urbanizada.

Crescimento da população urbana e rural no mundo - urbanização brasileiraGráfico demonstrando o crescimento da população urbana e rural no mundo. Fonte: ONU. Disponível em: esa.un.org.

Dessa forma, as populações urbanas ampliam o consumo de gêneros agrícolas, o que induz os produtores rurais a buscarem formas de aumentar sua produtividade para atender à crescente demanda das cidades. Ao mesmo tempo, as áreas urbanas tornam-se centros de produção de mercadorias industrializadas que abastecerão tanto os habitantes das áreas urbanas quanto os das rurais.

Redes urbanas

As cidades estão interconectadas por sistemas de transporte e comunicação. Sendo assim, estão integradas a uma rede urbana. Vale ressaltar que a intensidade dessa integração depende do nível de desenvolvimento social e econômico da área onde essa cidade está inserida.

Consequentemente, as cidades nas redes urbanas estabelecem fluxos sociais, econômicos, políticos e culturais com maior ou menor intensidade, com tamanhos e funções diversas, gerando relações entre si e com o espaço rural em seu entorno. Em cada tipo de formação de rede urbana, é detectável um grau hierárquico entre as cidades que a compõem.

O grau de influência que as cidades exercem dentro da rede urbana define as relações de hierarquia existentes entre elas. As metrópoles, por exemplo, estão no topo da hierarquia, pois são as cidades mais importantes de uma rede.

Em seguida, você verá as principais formações da rede urbana e exemplos do espaço urbano brasileiro.

Metrópoles

As metrópoles são as cidades que ofertam grande diversidade de serviços e bens às demais cidades. Elas podem ser consideradas as cidades que mais se destacam em um país ou a cidade principal de uma rede urbana.

Conurbação

Muitas vezes, a expansão horizontal das metrópoles e das cidades situadas em seu entorno dá origem a um espaço contínuo, formando grandes conglomerados urbanos. Esse processo é conhecido como conurbação. Quando ele ocorre, os limites entre as metrópoles e as cidades integrantes desse conglomerado deixam de ser perceptíveis e o espaço geográfico torna-se contíguo.

As grandes metrópoles, por causa de seu dinamismo econômico e da expansão de suas áreas urbanas, promovem a conurbação.

O processo de conurbação determina a formação de grandes aglomerados urbanos. Neles, os fluxos de bens, serviços e pessoas ocorrem como se toda a área conurbada fosse uma mesma unidade político-administrativa. Entretanto, como cada município tem sua administração pública independente, algumas vezes surgem impasses e problemas administrativos.

Regiões metropolitanas

No início da década de 1970, foram criadas no Brasil as regiões metropolitanas. Seu objetivo foi de solucionar problemas comuns entre as cidades que compõem os aglomerados urbanos. Dessa forma, a medida visou melhorar a gestão de aspectos relacionados aos setores de transportes, saneamento básico, habitação e abastecimento.

Megalópoles

A junção de duas ou mais metrópoles forma as megalópoles. Elas são encontradas em países onde as redes urbanas são extremamente densas e complexas. Como exemplos dos maiores aglomerados do mundo podemos citar as regiões entre Boston e Washington (conhecida como Bos-Wash), Chicago e Pittsburg (Chippits) e San Diego e San Francisco (San-San), todas nos Estados Unidos.

São Paulo - Urbanização brasileiraFotografia aérea de São Paulo, cidade que é considerada uma metrópole ou uma cidade global e também uma megacidade, já que conta com mais de 10 milhões de habitantes. Além disso, diz-se que é uma megalópole em construção junto com a cidade do Rio de Janeiro devido ao processo de conurbação entre essas duas grandes regiões metropolitanas. Fonte: Getty Images.

O Brasil passou por um processo de urbanização intensa, sendo que em 2010 a população rural era de 15,6%, e a população urbana era de 84,4%. O rápido processo de urbanização brasileiro ocorreu de maneira não planejada e acelerada, resultando em problemas estruturais e sociais.

Êxodo Rural

O êxodo rural, que é o deslocamento da população rural para a área urbana, ocorreu no Brasil por diferentes razões. Podemos destacar:

  • Estrutura fundiária brasileira altamente concentrada: pouca gente tem muita terra, muitos tem pouca terra, e muitos trabalhadores rurais não têm terra nenhuma, o que estimula a migração em direção às cidades.
  • Mecanização agrícola: ocorre prioritariamente nas áreas cuja produção é voltada à exportação ou para o atendimento das indústrias. A mecanização agrícola gerou forte desemprego no meio rural, levando os trabalhadores a migrarem apara as cidades em busca de emprego e melhores condições de vida.
  • Expansão industrial: concentrada em algumas metrópoles, aumentou o deslocamento campo-cidade e atraiu trabalhadores rurais que viam nas indústrias melhores perspectivas de trabalho e melhores salários.

Distribuição da população urbana brasileira

A distribuição da população urbana pelas regiões brasileiras revela uma relação entre o processo de urbanização e o nível de integração de cada região na economia do país.

Dessa maneira, a elevada parcela da população urbana na região Sudeste reflete o avançado estágio da mecanização agrícola e da concentração fundiária (latifúndios). Associados à industrialização, esses fatores passam a impor padrões econômicos ao campo, que aceleram a transferência da população para o meio urbano.

Já a região Centro-Oeste apresenta a segunda maior taxa de urbanização do país, pois predominam as grandes propriedades rurais destinadas à pecuária extensiva. Além disso, possui moderna monocultura mecanizada de grãos, especialmente soja, que contribuiu para a queda da população rural. Por essas razões, entre 1970 e 1980, a população urbana dessa região mais do que dobrou, enquanto a população rural decresceu.

A região Sul, por sua vez, a partir da década de 1970, teve seu quadro populacional transformado. Isso porque houve a substituição das pequenas propriedades familiares policultoras pela forte concentração fundiária. Além disso, houve a expansão da monocultura da soja, cujo grau de mecanização contribuiu para a saída do camponês em direção às cidades.

A região Norte apresenta o segundo menor índice de urbanização do país devido ao baixo índice de industrialização e foco nas atividades primárias.

Por fim, o Nordeste apresenta a menor taxa de urbanização do Brasil. Contudo, novas dinâmicas econômicas têm atraído trabalhadores em especial para o eixo litorâneo, como as atividades ligadas ao turismo, industrialização e avanço da agricultura mecanizada.

Hierarquia urbana

A hierarquia urbana reflete os diferentes graus de influência que as cidades apresentam dentro de uma rede urbana. Essa influência se expressa através da quantidade e qualidade dos serviços oferecidos nas esferas econômica, política e cultural.

De acordo com o alcance da participação dos centros urbanos no fluxo de comércio e serviços, ou seja, do grau de hierarquia dentro da rede urbana, as cidades vão apresentar diferentes classificações, como:

  • Capitais regionais: exercem influência sobre a região em torno delas. Por exemplo: Campo Grande (MS), Porto Velho (RO), Acre (AC) e Teresina (PI).
  • Metrópoles: são centros urbanos que, por sua importância e influência, polarizam as relações em torno delas. Por exemplo: Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA), Goiânia (GO) e Belo Horizonte (MG).
  • Metrópoles nacionais: se sobrepõem às metrópoles por sua importância e influência. São cidades que concentram indústrias e serviços especializados, e desempenham funções de âmbito nacional e internacional. Por exemplo: Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF).
  • Grandes metrópoles nacionais: Se sobrepõem às metrópoles nacionais. São Paulo é a única cidade do Brasil nessa condição.

As regiões metropolitanas são grandes aglomerações urbanas que ultrapassam os limites dos seus municípios, e surgem com a junção física de municípios próximos (conurbação). No Brasil, destacam-se as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Salvador, Fortaleza e Belém.

Problemas do espaço urbano brasileiro

Junto com o intenso processo de urbanização, é claro que surgiram grandes problemas que influenciam o espaço urbano brasileiro atual.

Emprego e moradia

Com a intensa migração do campo para as cidades, o que antes era o atrativo, passou a ficar em falta: as oportunidades de emprego. Inicialmente o problema da falta de emprego era a grande quantidade de pessoas, que era maior que a demanda das indústrias e do comércio.

Atualmente, temos a diminuição de empregos, entre muitos fatores, por conta também da exigência de mão de obra qualificada e pela mecanização de certas funções, como por exemplo, a mecanização de etapas do processo de produção industrial.

Além do problema do desemprego, há também a falta de moradia, muitas vezes ocasionada pela própria dificuldade de encontrar um emprego. A falta de moradia é a responsável pela origem das favelas nas margens dos grandes centros urbanos, como por exemplo o Rio de Janeiro, que possui imensos complexos de favelas.

Junto com a falta de moradia, há a falta de saneamento básico e de coleta de lixo, que acaba por facilitar a propagação de doenças entre a população brasileira. Geralmente a falta destes componentes básicos de um espaço urbano é a falta de controle dos governos sobre o crescimento intenso das cidades.

Transporte

A questão do transporte urbano é também um grande problema. Tendo em vista que o transporte coletivo não é priorizado, tornando-se precário e levando as pessoas a adquirir um carro próprio, onde geralmente de cinco lugares, somente o do motorista é ocupado.

Atualmente, por conta da superlotação dos grandes centros urbanos, o processo de crescimento dos centros urbanos de médio porte vem sendo priorizado. Desta forma, o processo de desmetropolização das metrópoles saturadas passa a ocorrer por meio do aumento de investimentos nas cidades de médio porte, próximas a estas.

Lentamente, as cidades de médio porte vão se tornando lugares atrativos para se viver, por conta da concentração de serviços.

Videoaula sobre espaço urbano brasileiro

Para aprender mais sobre o espaço urbano brasileiro e a urbanização no Brasil, assista a nossa videoaula a seguir e, em seguida, resolva os exercícios abaixo!

Questões sobre o espaço urbano brasileiro

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Sobre o(a) autor(a):

Este texto foi escrito por Miramaya Jabur, Geógrafa graduada na Universidade Federal de Uberlândia e Mestre em Geografia pela UNESP.

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