Região Norte: estados, características físicas e economia

A região Norte é maior do país, com uma área aproximada de 3,8 milhões de km² e uma população de mais de 18,4 milhões de habitantes. É formada pelos estados do Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá e Tocantins.

A região Norte é a maior região brasileira. Ela tem 3.853.322 quilômetros quadrados, cobrindo cerca de 45% do território nacional.

A região Norte é formada por 7 estados, sendo eles:

  • Acre, com capital em Rio Branco;
  • Amapá, com capital em Macapá;
  • Amazonas, com capital em Manaus;
  • Pará, com capital em Belém;
  • Rondônia, com capital em Porto Velho;
  • Roraima, com capital em Boa Vista;
  • Tocantins, com capital em Palmas.

Boa parte dessa região é coberta pela Floresta Amazônica e, assim como a bacia do rio Amazonas, essa vegetação possui uma grande influência no clima da região.

Mapa da região NorteMapa político do Brasil com a Região Norte destacada em verde. Fonte da imagem: Getty Images.

População da Região Norte

Com 18.430.980 habitantes, a região Norte possui a segunda menor população entre as regiões do Brasil, perdendo somente para região Centro-Oeste.

Mas, apesar de não possuir a menor população, essa região apresenta a menor densidade populacional do país. Isso porque a densidade populacional corresponde à razão entre população e tamanho do território. Sendo assim, por conta de seu vasto território, a densidade populacional da região Norte é de 4,78 hab/km².

Outro fator importante a ser destacado sobre a população dessa região é o fato de que na região Norte se encontra a maior população de indígenas do país, correspondendo a 37,4% do total.

Relevo da região Norte

O relevo da região Norte possui três grandes unidades: planícies, depressões e planalto. Dessa maneira, a região apresenta uma topografia pouco acidentada, mesmo apresentando diferentes altitudes. Ainda assim, é na região dos planaltos que fica o ponto de maior altitude no Brasil, o Pico da Neblina, com 2.993,78 metros. Ele fica localizado no estado do Amazonas.

Pico da Neblina - Região norteFotografia do Pico da Neblina. Com 2.994 metros de altura, o Pico da Neblina é o ponto mais alto do território brasileiro.

Depressões e planícies

As depressões e as planícies da região Norte apresentam um caráter sedimentar. Ou seja, são formadas pela erosão e deposição de sedimentos transportados pelos grandes rios.

Sendo assim, encontramos grandes planícies formando as bacias dos grandes rios. Enquanto isso, as depressões, com seu relevo rebaixado pela erosão, dominam grande parte do relevo do Norte.

Planaltos

Os planaltos são formados por escudos cristalinos, rochas antigas formadas pelo resfriamento do manto no processo de formação do planeta. Encontramos dois planaltos na região Norte: o Central e das Guianas.

Esse tipo de relevo é caracterizado pelas porções mais altas do território devido à sua composição que apresenta resistência aos processos erosivos. Encontram-se próximos às margens do rio Amazonas em algumas regiões, como na fronteira norte, e de forma pontual em todo o território.

Hidrografia

A hidrografia tem uma grande influência na formação geográfica da região Norte. Não só aspecto físico, mas também no aspecto humano.

A bacia do rio Amazonas é a maior bacia hidrográfica do mundo, drenando cerca de 72% de toda água doce de superfície do Brasil e aproximadamente 20% da água doce líquida do mundo.

Essa bacia possui baixa variação de altitude e por isso apresenta a formação de meandros, formação hidrográfica em “S”. Além disso, devido à baixa amplitude de altura do relevo, a maioria dos rios é calma e com poucas quedas de água, o que é muito valioso para navegação.

Rio da bacia amazônica - região norteFotografia aérea de um rio na Floresta Amazônica. Observe as curvas características dos rios dessa região. Fonte da imagem: Getty Images.

O principal rio da bacia, o Amazonas, nasce nos Andes peruanos, entra no Brasil com o nome de Solimões e, ao se encontrar com o Rio Negro, se torna o rio Amazonas.

Clima

Como visto acima, o clima da Região Norte sofre uma grande influência da hidrografia e da latitude.

A enorme oferta de água aliada às altas temperaturas se unem para formar um clima úmido e quente. A esse clima damos o nome de clima equatorial, que se caracteriza por uma temperatura alta durante todo o período do ano e duas estações: uma seca e outra chuvosa.

É importante salientar aqui que os nomes das estações não significam que as chuvas só ocorrem em uma estação. As chuvas na região Norte ocorrem durante todo o ano, mas com uma maior frequência na primavera e no verão.

Outra característica importante sobre o clima nessa região é o fato de que o Tocantins é o único estado que apresenta clima diferente do equatorial. Esse estado apresenta dois climas diferentes, sendo eles o tropical de zona equatorial, presente no norte do estado, e tropical, no sul do estado.

Os dois tipos de clima presentes nesse estado apresentam altas temperaturas durante todo o ano. A diferença está no regime de chuvas. O tropical equatorial possui chuvas durante todo o ano com concentração maior na primavera, verão e outono. Enquanto isso, o tropical apresenta duas estações bem definidas, uma seca e uma chuvosa.

Biodiversidade da região Norte

Todos esses fatores convergem para o aparecimento da maior floresta equatorial do mundo, a Floresta Amazônica.

Possuindo grande biodiversidade, estima-se que em um hectare da Amazônia possa ser encontrado mais de 300 espécies vegetais. Essa floresta é caracterizada por uma vegetação densa, úmida e latifoliada, com folhas largas.

Por conta da sua enorme biodiversidade, quantidade de biomassa e eliminação de umidade para a atmosfera, a floresta Amazônica possui uma grande importância no clima mundial, principalmente na termorregulação do planeta.

Bacia amazônica - região norteFotografia das matas ciliares de um rio no Amazonas. Fonte da imagem: Getty Images.

Além disso, a Floresta Amazônica apresenta uma grande variedade de habitats e paisagens. Isso porque essa floresta possui três subdivisões: mata de terra firma, mata de várzea e mata de igapós.

A mata de terra firme ocorre em áreas secas que nunca são inundadas e possui as maiores árvores. Já a de várzea ocorre nas áreas que são inundadas periodicamente, onde encontramos as seringueiras.

Extração de látex A extração de látex das seringueiras foi uma das principais características econômicas da região. Fonte da imagem: Getty Images.

Por fim, a mata de igapós se localiza em áreas permanentemente inundadas. Um exemplo de planta típica dessas regiões é o açaí.

Todavia, não encontramos na região Norte apenas o bioma das florestas tropicais. Encontramos também em todo o estado do Tocantins e em alguns enclaves na Floresta Amazônica a vegetação de Cerrado. Essa vegetação se caracteriza por gramíneas e por árvores de baixa estatura.

Atividades econômicas

A região Norte, assim como grande parte do oeste do Brasil, já pertenceu à Espanha de acordo com Tratado de Tordesilhas. Devido a descoberta de grandes depósitos de minerais valiosos – principalmente prata – nas colônias andinas a coroa espanhola não deu grande importância à exploração da área.

Sendo assim, Portugal acabou por ocupar a área e consolidou essa ocupação através de grandes expedições e pelo estabelecimento de missões jesuíticas na área.

Assim, a primeira exploração comercial da área se dá justamente pelos jesuítas que exploravam o que se chama de drogas do sertão e comercializavam diretamente com a Europa.

As drogas do sertão são especiarias encontradas na floresta amazônica, como, por exemplo, baunilha, cravo e urucum. Além disso, havia ainda a exploração de frutas, como o cacau e a castanha-do-pará.

Durante esse primeiro período, as cidades eram escassas e havia pouca integração com o resto do país. Entretanto, o segundo ciclo de desenvolvimento econômico se deu através da exploração do látex derivado das seringueiras.

O ciclo da borracha

O látex era extremamente importante na fabricação de pneus para a indústria automobilística. Para a exploração dos seringais o governo brasileiro incentivou a migração para a região, principalmente de nordestinos. Estima-se que mais de 300 mil pessoas migraram para a região durante o período de 1870 e 1900.

Foi nesse período que o Brasil acrescentou o Acre a suas fronteiras pela troca com a Bolívia de áreas do Mato Grosso, o pagamento de 2 milhões de libras e a construção de uma ferrovia para escoar produção boliviana de látex.

Entretanto, a exploração do látex entrou em declínio no começo do século XX devido à exploração das seringueiras levadas para as colônias inglesas. A partir de então, a região Norte passa a ocupar um papel secundário na economia nacional.

Exploração da Amazônia

Sendo assim, o governo militar brasileiro buscou aumentar a unidade nacional através da concessão de crédito e incentivo fiscais para grandes empresários que explorassem a Amazônia.

Essa política acabou por incentivar a exploração desenfreada da floresta, primeiro para a pecuária, depois para o plantio da soja. Consequentemente, o desmatamento da Amazônia tem um efeito catastrófico na regulação térmica do planeta.

A atividade extrativista mineral também é de grande importância para a região, principalmente a região do Grande Carajás, no leste do Pará, com jazidas de ferro, manganês, níquel e bauxita.

Além disso, a Zona Franca de Manaus (ZFM) é outra zona econômica importante para o país, concentrando grande parte da produção industrial da região. Isso porque a zona franca é uma área com incentivos fiscais para trocas comerciais e para a instalação de indústrias. A criação da ZFM gerou o polo industrial de Manaus, que concentra empresas de alta tecnologia, principalmente eletrodomésticos, celulares e motocicletas.

Sendo assim, o grande desafio atual da região é o crescimento aliado a preservação do meio ambiente.

Videoaula

Esse foi um resumão sobre a Região Norte. Para se aprofundar mais no assunto ou revisar a matéria, assista à videoaulas do professor Marcelo e, em seguida, resolva as questões!

Exercícios

1- (Uece 2018)

No que concerne à geografia humana da Amazônia, assinale a afirmação verdadeira.

a) Até o fim do século XX, a Amazônia concentrava uma população que tinha relações econômicas e culturais muito ligadas aos rios, mas, com o aumento da concentração de pessoas em cidades construídas ao longo de rodovias, esta territorialidade se transformou.

b) Uma das práticas de ação sobre a Amazônia é aquela conduzida por empresas ligadas à extração de riquezas oriundas da biodiversidade, que, ao contrário das estratégias convencionais de mercado, não prejudicam a cultura e o conhecimento das populações tradicionais.

c) Na Amazônia, as relações territoriais comandadas pelo avanço nos meios de comunicação e transporte já não mais submetem a circulação, o comércio e os fluxos de pessoas aos ritmos impostos pelas enchentes e vazantes dos grandes rios.

d) A Amazônia sente fortes impactos com o avanço do agronegócio e da exploração mineral, que substitui a floresta por pasto ou por sítios de exploração de commodities, especialmente na borda meridional da região, estendendo-se da parte oriental do Pará até a ocidental, em Rondônia.

2- (UFRGS 2017)

“Uma grande modificação estrutural ocorreu no povoamento regional, agora localizado ao longo das rodovias e não mais ao longo da rede fluvial, e no crescimento demográfico, sobretudo urbano. Processou-se, na região, uma penosa mobilidade espacial, com forte migração e contínua expropriação da terra e, assim, foi marcado o processo de urbanização. Em vista disso, a Amazônia teve a maior taxa de crescimento urbano no país, nas últimas décadas. No censo de 2000, 70% da população da região Norte estava localizado em núcleos urbanos, embora carentes dos serviços básicos.”

BECKER, B. Geopolítica da Amazônia. Estudos Avançados, 19 (53), 2005. p. 73.

Sobre a Região Amazônica, é correto afirmar que:

a) o povoamento regional atual ocorre ao longo da rede fluvial, privilegiando os grandes rios amazônicos.

b) a região tornou-se uma “floresta urbanizada”, pois a urbanização não se mede só pelo crescimento e surgimento de novas cidades.

c) a urbanização está ligada diretamente à industrialização da região.

d) a urbanização estancou o desmatamento, visto que poucas pessoas continuam morando em regiões rurais.

e) ela é pouco integrada ao espaço brasileiro, e tem sua economia e ligação territorial voltadas para o exterior, devido às grandes distâncias em relação ao centro do país.

3- (Fuvest 2017)

“O desmatamento atual na Amazônia cresceu em relação a 2015. Metade da área devastada fica no estado do Pará, atingindo áreas privadas ou de posse, sendo ainda registrados focos em unidades de conservação, assentamentos de reforma agrária e terras indígenas.”

Imazon. Boletim do desmatamento da Amazônia Legal, 2016. Adaptado.

Tal situação coloca em risco o compromisso firmado pelo Brasil na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 21), ocorrida em 2015. O desmatamento na Amazônia tem raízes históricas ligadas a processos que ocorrem desde 1970. Com base nos dados e em seus conhecimentos, aponte a afirmação correta:

a) O desmatamento, apesar de atingir áreas de unidades de conservação, que incluem florestas, parques nacionais e terras indígenas, viabiliza a ampliação do número de assentamentos da reforma agrária.

b) As grandes obras privadas implantadas na Amazônia valorizam as terras, atraindo enorme contingente populacional, que por sua vez origina regiões metropolitanas que degradam a floresta. c) A grilagem de terras em regiões de grandes projetos de infraestrutura, a extração ilegal de madeira e a construção de rodovias estão entre as causas do desmatamento na Amazônia.

d) A extração ilegal de madeira na Amazônia vem sendo monitorada por países estrangeiros devido às exigências na COP 21, pois eles são os maiores beneficiários dos acordos da Conferência.

e) Os grandes projetos de infraestrutura causam degradação da floresta amazônica, com intensidade moderada e temporária, auxiliando a regularização fundiária.

Gabarito:

  1. D
  2. B
  3. C

Sobre o(a) autor(a):

O texto acima foi preparado pelo professor João Garcia Neto para o Blog do Enem. João é graduado em Geografia pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e professor de Geografia em escolas da Grande Florianópolis desde 2012. E-mail para contato: [email protected]

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