As diferentes formas de regionalização do Brasil

A regionalização do Brasil mais popular é aquela que divide o território em Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Mas existem outras formas de dividir as regiões brasileiras.

Esta aula irá tratar das diferentes formas de regionalização do Brasil, destacando as macrorregiões estabelecidas pelo IBGE, os Complexos Geoeconômicos estabelecidos por Geiger e os Quatro Brasis diferenciados por Milton Santos. Então venha estudar conosco os principais aspectos da Região e Regionalização Brasileira!

O que é uma região

O conceito de região está relacionado com a existência, dentro de seus limites, de uma ampla diversidade de relações econômicas, naturais e políticas que conferem um caráter de unidade geográfica distinta e que a diferencia do restante do espaço que a cerca.

Sendo assim, as fronteiras regionais podem ou não coincidir com as divisões político-administrativas estabelecidas. E, consequentemente, há diversas formas de definir os limites de uma região.

Publicidade

O estudo das regiões é muito importante para compreensão da realidade geográfica de uma região. Isso porque cada uma dessas unidades distintas apresenta dinâmica ambiental, social, econômica e política específicas ao longo do tempo e em um determinado espaço.

Na definição do IBGE, mesorregiões são subdivisões das unidades federativas do Brasil. Elas abrangem em seus limites diversos municípios com similaridade natural, econômica e social.

A regionalização também pode se basear em critérios naturais. Um exemplo é a dos biomas, que considera o conjunto de ecossistemas que possuem características vegetacionais em comum. Essa regionalização considera os biomas Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.

Regionalização do IBGE

A primeira regionalização oficial do Brasil foi feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1941. Entretanto, ao longo das décadas seguintes foram realizadas várias modificações na divisão oficial.

Já a atual divisão regional foi proposta em 1988 pela Constituição Federal. Essa regionalização divide o país em 26 estados e um Distrito Federal, agrupados em cinco macrorregiões. Foram feitas também outras propostas, discutindo-se a validade da atual regionalização em virtude das transformações socioeconômicas ocorridas nas últimas décadas.

O IBGE divide o território brasileiro em quatro regiões:

Essa classificação foi feita em razão da diversidade geográfica e da existência de áreas que apresentam relativa homogeneidade do ponto de vista natural, humano e econômico.

Regionalização do Brasil IBGEMapa do Brasil com regionalização feita pelo IBGE

A principal finalidade desta regionalização do Brasil é viabilizar um conhecimento mais próximo da realidade geográfica do país. Além disso, serve como instrumento de análise social e econômica para a administração governamental, visando à ação pública nas diferentes áreas do país.

Diferentes propostas de regionalização do Brasil

Além da divisão do IBGE, novas propostas de regionalização do país foram criadas. Entre as principais estão a dos complexos regionais e dos “quatro brasis”.

Divisão dos Complexos Regionais

Na década de 1960, o geógrafo Pedro Pinchas Geiger propôs uma divisão com base nas semelhanças econômicas, históricas e culturais, além dos aspectos naturais. Assim, definiu três complexos regionais ou regiões geoeconômicas no Brasil:

  • Amazônia
  • Nordeste
  • Centro-Sul.

A divisão dessas regiões não coincide necessariamente com os limites político-administrativos dos estados, como é possível ver no mapa abaixo:

Regionalização do Brasil - Complexos regionaisImagem mostrando a divisão dos Complexos Regionais.

Complexo Regional da Amazônia

O Complexo Regional da Amazônia abrange a totalidade dos estados Roraima, Amapá, Acre, Amazônia, Pará e Rondônia e parte dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.

Embora represente uma grande parte do território, o Complexo Amazônico é a região geoeconômica brasileira com menos população. Toda a área abriga cerca de 5 milhões de pessoas, concentradas principalmente nas maiores cidades da região: Manaus, Belém e Cuiabá.

Dessa maneira, apesar de ocupar uma grande extensão territorial, essa região é considerada um imenso vazio demográfico, abrigando apenas uma pequena parcela da população brasileira.

A hidrovia tem papel fundamental na dinâmica da mobilidade e dos transportes na região. Além disso, o Complexo Regional da Amazônia apresenta grande distribuição de recursos minerais, principalmente minerais metálicos como ferro e manganês.

Suas principais características naturais são clima quente e úmido, cobertura vegetal marcada pela Floresta Amazônica, grande riqueza hidrográfica, baixa densidade demográfica e economia majoritariamente dependente das atividades primárias, como extrativismo, agricultura, pecuária e mineração.

Entretanto, a grande riqueza de recursos naturais demanda muita preocupação. Isso porque, muitas vezes, os recursos são explorados de maneira não sustentável, levando ao seu rápido esgotamento. Como consequência, são gerados diversos impactos ambientais, sociais e econômicos, podendo aumentar os índices de pobreza da região e torná-la um local degradado.

É importante destacar que nas últimas décadas o governo federal tem oferecido incentivos fiscais para a instalação de indústrias no Amazonas, especialmente montadoras de eletrodomésticos, com destaque para o polo industrial de Manaus.

Complexo Regional do Nordeste

O Complexo Regional do Nordeste inclui os estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e a parte oriental do Maranhão e norte de Minas Gerais, pois apresenta semelhança geográfica com o sertão nordestino.

Em termos naturais, apresenta clima semiárido, rede hidrográfica formada por rios intermitentes (temporários) e com cobertura vegetal dominada pela Caatinga. Dessa forma, sua economia é bastante dependente das atividades primárias, como agricultura e pecuária, apesar da industrialização crescente e do destaque para atividade turística, especialmente na região litorânea.

Complexo regional do Centro-Sul

O Complexo regional do Centro-Sul abrange os estados das regiões Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e sul de Minas Gerais), Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), e Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal e sul do Mato Grosso), além do sudeste do Tocantins (que pertence à região Norte pela divisão do IBGE).

Esse complexo se destaca por suas características humanas e econômicas. O Centro-Sul abarca as áreas mais populosas e urbanizadas do país, e principalmente, as mais desenvolvidas do ponto de vista socioeconômico.

O Centro-Sul concentra em torno de 135 milhões de pessoas, o que representa aproximadamente 64,5% de toda a população brasileira. Nessa região, concentra-se a maior produção econômica brasileira. Cerca de 80% de todo o PIB do país é gerado nos estados que pertencem ao Centro-Sul.

As maiores cidades brasileiras, incluindo as duas grandes metrópoles nacionais (São Paulo e Rio de Janeiro), estão localizadas no Centro-Sul.

Características do Centro-Sul

Em termos de preservação ambiental, boa parte da cobertura vegetal da Mata Atlântica e da Mata de Araucária foi devastada em função de atividades humanas como urbanização (alta concentração populacional na faixa litorânea e no interior dos estados), expansão da fronteira agropecuária moderna, industrialização, mineração e abertura de rodovias.

O Centro-Sul pode ser considerado uma região que se destaca nos índices sociais e econômicos no cenário brasileiro. Isso porque quando comparados os valores de PIB per capita dos municípios brasileiros, verifica-se que as dez cidades com maiores PIBs estão localizadas na região Centro-Sul.

Dessa forma, quase 75% de todas as riquezas exportadas no Brasil saem da região Centro-Sul, mostrando a importância desses estados brasileiros para a contribuição da balança comercial externa do país.

Além disso, esse complexo regional conta com uma densa rede de transportes, abrigando a maior estrutura rodoviária do país, a mais extensa rede de conexões aéreas, e os principais portos brasileiros.

Por fim, os indicadores sociais demonstram que o Centro-Sul apresenta grandes especificidades em relação ao restante do país. Quanto ao IDH, que considera os índices de saúde, educação e renda, a superioridade da região Centro-Sul demonstra uma relação direta entre industrialização e elevação dos níveis sociais.

Regionalização dos “Quatro Brasis”

Por fim, outra proposta de divisão regional é dos “quatro brasis”, apresentada pelos geógrafos Milton Santos e Maria Laura Silveira no final do século XX.

Essa regionalização do Brasil considera a análise da dinâmica industrial, financeira e de circulação, além da densidade da rede de informações e comunicação existentes no território. Desse modo, foram criadas as quatro grandes regiões:

  • Amazônia
  • Nordeste
  • Centro-Oeste

Regionalização do Brasil - Quatro Brasis
Mapa da regionalização dos Quatro Brasis de Milton Santos

Diferentemente da regionalização do IBGE, nessa proposta o Tocantins faz parte da região Centro-Oeste. Enquanto isso, as regiões Sul e Sudeste se unem para formar a região Concentrada. Essa região se destaca por ser mais dinâmica no âmbito econômico e por apresentar a maior densidade de redes de informações e comunicação, que funcionam como base de sustentação para a inserção do país nos fluxos globalizados de comércio e capitais.

Videoaula sobre regionalização do Brasil

Para aprofundar seus estudos sobre as principais formas de regionalização do Brasil, confira esta videoaula e, em seguida, responda aos exercícios:

Exercícios sobre regiões e regionalização do Brasil

1- (Enem – 2016)

Durante as três últimas décadas, algumas regiões do Centro-Sul do Brasil mudaram do ponto de vista da organização humana, dos espaços herdados da natureza, incorporando padrões que abafaram, por substituição parcial, anteriores estruturas sociais e econômicas. Essas mudanças ocorreram, principalmente, devido à implantação de infraestruturas viárias e energéticas, além da descoberta de impensadas vocações dos solos regionais para atividades agrárias rentáveis.

AB’SABER, A. N. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003 (adaptado).

A transformação regional descrita está relacionada ao seguinte processo característico desse espaço rural:

a) Expansão do mercado interno.

b) Valorização do manejo familiar.

c) Exploração de espécies nativas.

d) Modernização de métodos produtivos.

e) Incorporação de mão de obra abundante.

2- (Enem – 2011)

A exploração de recursos naturais e a ocupação do território brasileiro têm uma longa história de degradação de áreas naturais. É resultado, entre outros fatores, da ausência de uma cultura de ocupação que respeitasse as características de seus biomas.

Disponível em: http://www.comciencia.br. Acesso em: 19 abr. 2010 (fragmento).

Ao longo da história, a apropriação da natureza e de seus recursos pelas sociedades humanas alterou os biomas do planeta. Em relação aos biomas brasileiros, em qual deles esse tipo de processo se fez sentir de forma mais profunda e irreversível?

a) Na Floresta Amazônica, especialmente a partir da década de 1980, devastada pela construção de rodovias e expansão urbana.

b) No Cerrado, que abriga muitas espécies de árvores sob risco de extinção, atingido pela mineração e agricultura.

c) No Pantanal, que abrange parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, degradado pela mineração e pecuária.

d) Na Mata Atlântica, que hoje abriga 7% da área original, devastada pela exploração da madeira e pelo crescimento urbano.

e) Na Mata dos Cocais, localizada no Nordeste do país, desmatada pelo assoreamento e pelo cultivo da cana-de-açúcar.

Gabarito:

  1. D
  2. D

Sobre o(a) autor(a):

Este texto foi escrito por Miramaya Jabur, Geógrafa graduada na Universidade Federal de Uberlândia e Mestre em Geografia pela UNESP.

Compartilhe: