Região Sudeste do Brasil: estados, características e economia

A região Sudeste do Brasil é formada pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Conheça suas principais características naturais, econômicas e sociais!

Você já sabe que o território brasileiro é dividido politicamente em cinco regiões: Sudeste, Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste. Essas divisões levam em consideração alguns fatores, como localização e também semelhanças socioeconômicas, culturais e naturais. A aula de hoje irá tratar da região mais urbanizada e industrializada do nosso país: a região Sudeste.

Estados da região Sudeste

A região Sudeste é constituída por quatro estados. Veja em seguida quais são os estados da região Sudeste e suas respectivas capitais:

  • Minas Gerais (Belo Horizonte)
  • Espírito Santo (Vitória)
  • São Paulo (São Paulo)
  • Rio de Janeiro (Rio de Janeiro)

Mapa da região SudesteMapa da região Sudeste. Fonte: https://bit.ly/2U2sWxw

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Formação populacional da região Sudeste

A colonização da região Sudeste foi intensificada a partir do século XVIII com a descoberta das minas de ouro e a exploração mineral em Minas Gerais. Assim, boa parte da fundação das cidades desta região está ligada às entradas e bandeiras. Elas foram expedições realizadas durante os séculos XVII e XVIII para a ocupação das regiões interiores do Brasil.

Mais tarde, vários caminhos percorridos pelos bandeirantes tornaram-se estradas e rodovias que são utilizadas até hoje para deslocamento de pessoas e mercadorias. Nesses locais, a ocupação teve início nas regiões litorâneas e foi adentrando o interior.

O crescimento populacional e econômico dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro teve como base os ciclos econômicos que se estabeleceram na região. O ciclo do ouro, por exemplo, ocasionou a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763.

A região Sudeste recebeu fluxos populacionais vindos de diversas regiões e países, o que contribuiu para o estabelecimento de suas cidades e para sua formação populacional, as quais estão entre as maiores do país.

Durante os ciclos do ouro e do café, também foi intenso o recebimento de populações escravizadas vindas da África, que após o fim da escravidão, permaneceram na região.

Com a abolição da escravidão, surgiu um projeto de europeização e branqueamento. Assim, intensificaram-se os fluxos migratórios europeus para o trabalho rural, principalmente nas lavouras de café do interior.

População e industrialização do Sudeste

Com o processo de industrialização e o crescimento urbano da região Sudeste, houve também fluxos migratórios de pessoas de outros estados do país. Esse é outro motivo que contribui para os estados da região serem os locais com as populações mais diversas do Brasil.

As regiões metropolitanas são atrativas para populações migrantes, uma vez que apresentam maior oferta de emprego e oportunidade de trabalho.

PIB e IDH

A Região Sudeste pode ser considerada uma região de destaque nos índices social e econômico no cenário brasileiro. Nela estão localizadas as maiores cidades brasileiras e grande parte da população do país. O Sudeste possui grande importância do ponto de vista econômico, pois concentra cerca de 55% do PIB brasileiro.

Além disso, grande parte de toda riqueza exportada no Brasil sai da região Sudeste, mostrando a importância dessa região para a contribuição da balança comercial externa.

Os indicadores sociais também demonstram que essa região brasileira apresenta grandes especificidades em relação ao restante do país. Quanto ao IDH, que considera os índices de saúde, educação e renda, a superioridade da região Sudeste demonstra uma relação direta entre industrialização e elevação dos níveis sociais.

Urbanização da região Sudeste

No que tange à urbanização, o Sudeste apresenta a maior taxa de urbanização de todo o Brasil. A distribuição da população urbana pelas regiões brasileiras aponta a relação entre o processo de urbanização e o nível de integração de cada região na economia do país.

A elevada porcentagem da população urbana no Sudeste reflete, entre outras coisas, o avançado estágio de mecanização da agricultura, vinculando a produção agrícola ao mercado e substituindo o ser humano pela máquina. Neste cenário, a indústria e a cidade passam a impor padrões econômicos capitalistas ao campo, o que acelera a transferência da população para o meio urbano.

Esta região conta com uma densa rede de transportes, abrigando a maior estrutura rodoviária do país, a mais extensa rede de conexões aéreas e os principais portos brasileiros.

Saiba mais sobre a urbanização do Brasil e da região Sudeste com a videoaula do nosso canal:

Atividades agrícolas na região Sudeste

Embora atualmente a maior parte da produção econômica brasileira esteja concentrada nas atividades urbanas e, portanto, vinculada à produção industrial e aos serviços, a agricultura também ocupa lugar de destaque.

No Sudeste, a atividade agrícola se apoiou inicialmente na cana-de-açúcar e, em seguida, na cultura do café, ainda hoje importante na região. As áreas de maior destaque na agricultura são o Planalto Ocidental Paulista, o Triângulo Mineiro, o sul de Minas Gerais, a Zona da Mata Mineira e a Planície Litorânea.

O Planalto Ocidental Paulista é a principal área agrícola do Sudeste, apresentando uma agricultura moderna e bastante diversificada. Essa característica foi favorecida pelas condições naturais (topografia plana e ocorrência do solo de terra roxa), pela imigração e implantação da infraestrutura de transportes, e pelo crescimento industrial (as indústrias fornecem insumos à agricultura e consomem matérias-primas agrícolas), que impulsionou o crescimento urbano e ampliou o mercado consumidor.

Os produtos de maior valor econômico são o café, a cana-de-açúcar e a laranja, com destaque também para o milho, arroz, algodão e banana.

O Planalto Ocidental Paulista também se destaca como área de criação de bovinos de diferentes raças, tanto nos moldes do sistema intensivo, com muito investimento, quanto no sistema extensivo, com grande aplicação de zootecnia.

Por fim, nas proximidades dos grandes centros urbanos, principalmente ao redor da Grande São Paulo, há um importante cinturão verde que produz hortifrutigranjeiros para consumo local e regional.

Indústria

A região Sudeste concentra o maior parque industrial do país, com grande diversidade de tipos de indústrias. O estado de São Paulo é o principal polo industrial da região. Sua industrialização divide-se em 4 grandes eixos:

  • Prolonga-se do ABC (Santo André, São Bernardo e São Caetano), na grande São Paulo, até os centros industriais de Cubatão e Santos, na Baixada Santista. Nesta região destacam-se as indústrias metalúrgicas, automobilística, de autopeças e de móveis.
  • O Vale do Paraíba recebeu indústrias modernas e de alta capitalização, como as montadoras de automóveis, além das indústrias aeronáutica e de alta tecnologia.
  • Ao longo das rodovias Anhanguera e Bandeirantes, concentram-se as principais agroindústrias do estado, como as produtoras de açúcar, álcool e cítricos.
  • Ao longo da rodovia castelo Branco, destaca-se a indústria têxtil. Ela é fruto do movimento de desconcentração industrial (afastamento da região metropolitana de São Paulo em direção ao o interior) a partir da década de 1980, como resultado da busca de mão de obra mais barata, vantagens fiscais e tributárias, menor volume de tráfego, etc.

Indústria automobilística na região SudesteFonte: https://bit.ly/3lxwyD0

O segundo grande polo industrial da região Sudeste é o Rio de Janeiro, onde se destacam as regiões industriais da Baixada Fluminense, da Grande Rio, da Zona Serrana e do Vale do Paraíba. Destacam-se os setores vinculados à produção naval, às indústrias farmacêutica, têxtil e alimentícia. No Vale do Paraíba está a maior empresa siderúrgica do país, localizada em Volta Redonda.

Esse avanço no sistema produtivo tem graves efeitos ambientais, pois a Mata Atlântica foi intensamente devastada. Hoje resta somente em torno de 7% de vegetação nativa, sendo uma área prioritária para conservação da biodiversidade. Entre as principais causas do desmatamento e degradação ambiental estão a alta concentração demográfica, expansão urbana e industrial, e expansão da agropecuária e da atividade mineradora.

Videoaula

Aprofunde seus conhecimentos sobre a indústria da região Sudeste com mais esta videoaula do professor Carrieri:

Aspectos naturais da região Sudeste

No que tange aos aspectos naturais, a região Sudeste está na zona tropical, e possui como climas característicos o clima tropical no interior, e tropical úmido no litoral, além das vegetações de Mata Atlântica e Cerrado.

O clima tropical ocorre na porção central do Brasil, abrangendo a maior parte do Sudeste. É influenciado pelas massas de ar tropical continental (quente e seca) e tropical atlântica (quente e úmida). Apresenta temperaturas elevadas o ano todo e chuvas intensas no verão, sendo caracterizado por duas estações bem definidas: verão chuvoso e inverno seco.

Em relação à vegetação, a Mata Atlântica ocupava originalmente toda o litoral brasileiro, estendendo-se desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. É formada por vegetação predominantemente arbórea, com elevada biodiversidade de fauna e flora e algumas áreas remanescentes protegidas em unidades de conservação.

Em termos hídricos, a maior parte dos rios integra a Bacia do Paraná, onde predominam rios de planalto, com elevado potencial de geração de energia hidrelétrica, fundamental para o desenvolvimento econômico da região.

Vegetação de Mata AtlânticaVegetação de Mata Atlântica. Fonte: https://revistapesquisa.fapesp.br/esperanca-para-a-mata-atlantica/

O Cerrado ocupa a maior parte do Sudeste e é a segunda formação vegetal mais extensa do país. Ocupava originalmente 25% do território brasileiro, mas cada vez mais observa-se a diminuição da extensão de suas áreas.

O Cerrado caracteriza-se pelo domínio de pequenas árvores e arbustos com troncos retorcidos, casca grossa, raízes profundas e perda de folhas durante a estação seca (caducifólia). O aproveitamento econômico do Cerrado vem destruindo a vegetação natural para que seja viável a prática da pecuária e da agricultura comercial mecanizada. Cada vez mais, tornam-se comuns práticas de desmatamento e queimadas nesse bioma.

Vegetação do CerradoVegetação do Cerrado. Fonte: https://bit.ly/37ovvwT

Problemas ambientais

O desmatamento tem causas antrópicas e é responsável pelo agravamento de inúmeros problemas ambientais que estão acontecendo atualmente. Em relação a isso, damos destaque para:

  • Perda da biodiversidade;
  • Degradação dos rios;
  • Empobrecimento dos solos;
  • Aceleração da erosão;
  • Assoreamento dos rios;
  • Diminuição do nível de umidade da região onde se verifica o desmatamento;
  • Agravamento do efeito estufa e do aquecimento global.

As queimadas causam perda de biodiversidade, morte de animais silvestres e de espécies vegetais, empobrecimento do solo e contribuem para o aumento da temperatura média do planeta e do aquecimento global.

Vale destacar também a importância hídrica do Cerrado, pois as nascentes de vários rios que irão compor as diversas Bacias Hidrográficas brasileiras estão em área de Cerrado. Nesse contexto, podemos destacar importantes rios que nascem no Centro-Oeste e que irão compor as Bacias Hidrográficas do Tocantins-Araguaia, Bacia do rio São Francisco, parte da Bacia do Paraná e parte da Bacia Amazônica.

Medidas de proteção e preservação ambiental são fundamentais e urgentes para a manutenção da qualidade ambiental e da riqueza da biodiversidade da fauna e flora do Cerrado brasileiro como medida de valorização socioambiental desta região.

Para finalizar sua revisão, confira a videoaula da prof. Juliana sobre os biomas brasileiros e saiba mais sobre a Mata Atlântica e sobre o Cerrado:

Exercícios

1- (Enem – 2020)

 TEXTO I

Rio TietêRio Tietê, São Paulo (SP). Foto: Delfim Martins/Pulsar.

TEXTO II

O Rio Tietê está morto. Ao menos uma parte dele: 137 quilômetros, para ser mais preciso. Uma pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica mostra que, em 2016, o trecho do rio com qualidade de água classificada como ruim ou péssima começa em Itaquaquecetuba, passa por toda a Região Metropolitana de São Paulo e chega até Cabreúva, já no interior de São Paulo. Nesse trecho, a água não tem oxigênio suficiente para abrigar vida.

Disponível em: http://epoca.globo.com. Acesso em: 7 dez. 2017 (adaptado).

Considerando a análise dos textos, a condição atual desse rio tem como origem a:

a) valorização do sítio urbano.

b) extinção da vegetação nativa.

c) recepção de densa carga de dejetos.

d) captação desordenada do regime pluvial.

e) expansão do uso de defensivos químicos.

2- (Enem – 2020)

O processo de modernização da agricultura brasileira resultou em profundas modificações nas relações sociais, no mundo do trabalho e da produção. Mas a modernização teve também como consequência, num modelo social perverso como o nosso, a permanência da concentração da terra, o êxodo rural, aumentou o processo de assalariamento para o homem rural, concentrou capitais e gerou um processo de industrialização da agricultura, direcionada para atender às demandas do capital nacional e internacional.

MENEZES NETO, A. J. Educação, sindicalismo e novas tecnologias nos processos sociais agrários. Disponível em:www.senac.br. Acesso em: 10 fev. 2014.

Nesse contexto, o processo apresentado revela contradições no espaço agrário brasileiro decorrentes da expansão da:

a) produção familiar.

b) reforma fundiária.

c) lavoura comercial.

d) pastagem extensiva.

e) segurança alimentar.

3- (Enem – 2020)

O planejamento deixou de controlar o crescimento urbano e passou a encorajá-lo por todos os meios possíveis e imagináveis. Cidades, a nova mensagem soou em alto e bom som, eram máquinas de produzir riquezas; o primeiro e principal objetivo do planejamento devia ser o de azeitar a máquina.

HALL, P. Cidades do amanhã: uma história intelectual do planejamento e do projeto urbanos no século XX. São Paulo: Perspectiva, 2016 (adaptado).

O modelo de planejamento urbano problematizado no texto é marcado pelo(a):

a) primazia da gestão popular.

b) uso de práticas sustentáveis.

c) construção do bem-estar social.

d) soberania do poder governamental.

e) ampliação da participação empresarial.

Gabarito:

  1. C
  2. C
  3. E

Sobre o(a) autor(a):

Este texto foi escrito por Miramaya Jabur, Geógrafa graduada na Universidade Federal de Uberlândia e Mestre em Geografia pela UNESP.

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