Período composto por coordenação e por subordinação

Período composto por coordenação é aquele formado por orações sintaticamente independentes. Já no período composto por subordinação, uma oração depende da outra para fazer sentido. Veja a explicação completa e aprenda com exemplos!

Nesta aula você vai aprender sobre um conteúdo da área da sintaxe: o período composto por coordenação e por subordinação. Mas antes de entendermos o que é isso, é importante lembrar a diferença entre frase, oração e período.

Frase é toda palavra ou conjunto de palavras capaz de transmitir uma mensagem e estabelecer comunicação. Enquanto isso, oração é a frase ou membro de frase que se organiza ao redor de um verbo ou de uma locução verbal. Por fim, período é a frase constituída por uma ou mais orações. O período pode ser classificado como simples (com apenas uma oração) ou composto (com duas ou mais orações).

Dentro do período composto também há uma classificação. Ele pode ser composto por coordenação ou por subordinação. Você entenderá melhor essa divisão em seguida.

Coordenação e subordinação

Para estudar os diferentes jeitos de articular sintaticamente as orações em períodos, é  preciso entender o conceito de coordenação e o de subordinação. Esses conceitos se referem ao tipo de relação que é estabelecida entre as orações de um período.

Além disso, é preciso perceber a natureza da relação semântica que se estabelece entre as orações.

Assim, quando o período for composto por subordinação, devemos identificar quais termos equivalem às orações subordinadas na estrutura da oração principal e que função sintática eles exercem em relação a essa oração.

Período composto por coordenação

Charge - período composto por coordenação

Na tirinha parodiando a famosa frase de Hamlet, a personagem Mirian Poodle sintetiza um dilema: “Subir ou não subir [na balança]. Eis a questão”.

O Ministério do Curso Enem Gratuito interrompe esta revisão para dizer que todo corpo é lindo, seja lá quais são as medidas que ele tenha.

Nessa fala da personagem existem duas orações. Ao analisarmos a maneira como se relacionam, podemos perceber que as duas ações nomeadas – subir, não subir – apresentam-se com um mesmo valor sintático. Contudo, poderíamos criar um esquema como este:

Opção A = Subir

ou

Opção B = Não subir

 Sendo assim, é importante notar que as duas ações não têm uma dependência sintática. Ou seja, uma não depende da outra para fazer sentido.

Elas são articuladas por meio da conjunção alternativa “ou”, que cria a relação de sentido entre as ações nomeadas. Temos, nesse caso, a ideia de uma escolha entre fazer ou não fazer algo.

Quando isso ocorre, dizemos que essas orações são coordenadas entre si. O período em que se formam é, então, um período composto por coordenação.

Portanto, período composto por coordenação é aquele formado por orações sintaticamente independentes que são organizadas em uma sequência. Em se tratando de significação, cada uma delas vale por si e o sentido do período é estruturado pela “soma” de todas elas.

Organização das orações coordenadas dentro do período

Provavelmente você já conhece o período abaixo. Observe:

Vim, vi, venci.

O período é composto por três orações cuja relação se dá por meio do processo sintático da coordenação. Podemos afirmar, portanto, que são coordenadas entre si.

Note que cada uma delas é sintaticamente independente das outras. Cada uma é formada por um sujeito simples – oculto, ou elíptico –, “eu”, e por um predicado verbal que tem como núcleo um verbo transitivo ou intransitivo.

Embora sejam sintaticamente independentes, as três orações coordenadas estão em uma ordem bem específica.

Parece, neste caso, impossível pensar em outra ordem para “Vi, vim, venci”, né? Vamos tentar.

Vi, venci, vim

Venci, vi, vim

Venci, vim, vi

Vim, venci, vi

Será que essa ordem é sintaticamente determinada? Parece não ser esse o caso, pois podemos trocar a ordem das orações e obter situações semelhantes de coordenação. Veja este outro exemplo:

Corro, trabalho e treino.

Corro, treino e trabalho.

Trabalho, corro e treino.

Portanto, no caso da frase “Vim, vi, venci”, podemos concluir que não existem restrições sintáticas. As restrições presentes na oração são do tipo semântico-pragmáticas, que são responsáveis por ordenar as orações de acordo com a cronologia das ações.

Essa expressão, traduzida do latim “Vini, vidi, vincit”, foi dita pelo imperador romano Caio Júlio César após uma vitória de seus exércitos. Era essa exatamente a ordem dos acontecimentos que lhe interessava explicitar.

Sendo assim, podemos concluir que é o contexto da enunciação que muitas vezes determina a ordem em que formamos as orações em uma sequência coordenada.

Exemplo de organização de orações em um período

Dá uma olhada em outros casos interessantes.

Sérgio está muito doente, logo não vai tocar guitarra com sua banda.

Sérgio não vai tocar guitarra com sua banda, logo está muito doente.

Temos, nos dois exemplos, estruturas com duas orações coordenadas.

A conjunção coordenativa conclusiva “logo” articula as duas orações sintaticamente independentes – Sérgio está muito doente e Sérgio não vai tocar guitarra com sua banda – , estabelecendo entre elas uma relação conclusiva.

O mais legal é que o enunciado ganha um sentido diferente para cada ordem escolhida para a sequência de orações.

Quando afirmamos “Sérgio está muito doente, logo não vai tocar guitarra com sua banda”, concluímos que ele não vai tocar guitarra com sua banda a partir do fato de que está muito doente.

Portanto, o enunciado “Sérgio está muito doente” é, em si, suficiente para que se conclua que “Sérgio não vai tocar guitarra com sua banda”.

Já em “Sérgio não vai tocar guitarra com sua banda, logo está muito doente”, o caminho percorrido para chegar à conclusão é um pouco diferente.

Esse caminho baseia-se em uma inferência feita com base em um conhecimento de tipo pragmático: conhecemos tão bem Sérgio que sabemos que o único motivo que o faria não ir tocar guitarra com sua banda seria uma doença que o impossibilitasse de sair de casa.

Diferentemente do primeiro exemplo, não se pode concluir que Sérgio está doente apenas a partir dos elementos linguísticos apresentados no enunciado “Sérgio não vai tocar guitarra com sua banda”.

Igualmente, neste caso, são considerações de ordem semântico-pragmática que levam à escolha da ordem das orações nas estruturas coordenadas.

Período composto por subordinação

Leia este exemplo:

Pai é como telejornal: traz o mundo para que você tire suas próprias conclusões

O exemplo apresenta orações divididas em dois períodos compostos:

  • Pai é como um telejornal;
  • Traz o mundo para que você tire suas próprias conclusões.

Mas vamos analisar a relação criada entre as orações do segundo período.

Exemplo de período composto por subordinação

Em termos sintáticos, notamos que as orações não são independentes porque a segunda funciona como adjunto adverbial da primeira.

A primeira oração, neste caso, é a principal. A segunda oração é subordinada a ela por meio da conjunção subordinativa final “para que”. Podemos afirmar, portanto, que esse é um período composto por subordinação.

Período composto por subordinação é aquele formado por uma oração principal à qual se subordinam as outras orações. Estas, por sua vez,  trabalham sintaticamente como termos da oração principal – sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo, aposto, agente da passiva, adjunto adnominal e adjunto adverbial.

O uso do período composto

Em alguns textos, é possível perceber o uso proposital de determinadas estruturas sintáticas para se conseguir um efeito de sentido mais específico. Em letras de música, por exemplo, o recurso estilístico de se usar uma mesma articulação sintática entre as orações pode ajudar para destacar uma ideia central. Observe:

À primeira vista

Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei

Quando chegou carta, abri
Quando ouvi Prince, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei

Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei

Na letra da música, podemos notar a recorrência de uma mesma estrutura sintática:

  • Início com o advérbio “quando”;
  • Em seguida a oração subordinada adverbial temporal (destacada em negrito);
  • E, por fim, a oração principal.

A estrutura regular das seis estrofes, todas elas formadas por quatro versos –  cada qual trazendo um período composto por subordinação – , ajuda a criar a ideia de repetição.

Podemos notar, ainda, uma outra maneira de repetição: a oração subordinada adverbial temporal. Esse tipo de repetição sempre tem como foco o momento em que um acontecimento específico desencadeia uma reação particular do eu lírico.

Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei

Então, analisando a grosso modo, somando o nome da música, temos esse efeito das coisas se transformando depois do contato à primeira vista.

Videoaula

Para complementar sua revisão sobre período composto por coordenação e subordinação, assista a esta videoaula do nosso canal no YouTube:

Exercícios sobre período composto por coordenação

1- (IFSC)

Sinopse – O Rei Leão

O Rei Leão, da Disney, dirigido por Jon Favreau, retrata uma jornada pela savana africana, onde nasce o futuro rei da Pedra do Reino, Simba. O pequeno leão que idolatra seu pai, o rei Mufasa, é fiel ao seu destino de assumir o reinado. Mas nem todos no reino pensam da mesma maneira. Scar, irmão de Mufasa e ex-herdeiro do trono, tem seus próprios planos. A batalha pela Pedra do Reino é repleta de traição, eventos trágicos e drama, o que acaba resultando no exílio de Simba. Com a ajuda de dois novos e inusitados amigos, Simba terá que crescer e voltar para recuperar o que é seu por direito.

Disponível em: https://www.cinepolis.com.br/filme/9848-o-rei-leao.html.
Acesso em: 02 set5 2019

No período Mas nem todos no reino pensam da mesma maneira a palavra sublinhada expressa, em relação ao período anterior, a ideia de:

a) causa

b) consequência

c) explicação

d) justificativa

e) oposição

2- (UEL PR)    

Acerca de trechos do texto, considere os exemplos a seguir, quanto à presença de oração coordenada.

I. “os germânicos dividiram as cidades”.

II. “e luta contra o domínio do espanhol”.

III. “os índios perderam sua língua e cultura”.

IV. “em cuidar de seus idiomas”.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente os exemplos I e II são corretos.

b) Somente os exemplos I e IV são corretos.

c) Somente os exemplos III e IV são corretos.

d) Somente os exemplos I, II e III são corretos.

e) Somente os exemplos II, III e IV são corretos.

3- (FGV)    

A marca de dez anos da falência do banco americano Lehman Brothers, evento catalisador da crise financeira que então se espalhava pelo mundo, suscita oportuno debate a respeito de seu legado e da capacidade da economia global para lidar com novos choques.

Do lado positivo, o sistema bancário se mostra mais sólido do que antes. Regulação apertada e maior exigência de capital para o funcionamento das instituições reduzem o risco de novo colapso.

Mas a sombra da crise continua a se projetar, mesmo uma década depois, quando se tem em conta que a maioria dos 24 países onde houve problemas ainda não retornou à tendência anterior de crescimento da renda, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

De modo geral, mesmo nos países ricos, governos em situação financeira mais frágil terão menos espaço para atuar num novo socorro ao setor privado.

Mesmo a estabilidade bancária duramente conquistada pode se mostrar algo ilusória, afinal, na medida em que inovações tecnológicas e a entrada de inéditos participantes no mercado trazem desafios novos para a regulação.

O prognóstico de cooperação internacional numa eventual nova crise tampouco se mostra animador. Se em 2009 houve alinhamento no âmbito do G20, com participação dos países em desenvolvimento, o momento atual é distinto. A competição geopolítica entre EUA e China é um dos fatores a dificultar uma ação coordenada.

Já o Brasil, dez anos depois, ainda se apresenta incapaz de retomar a expansão econômica sustentada. Ao próximo governo, que não pode contar com os ventos favoráveis do quadro externo, só restará a opção de estabilizar sua dívida e recuperar a confiança doméstica.

(Editorial. Folha de S.Paulo. 10.09.2018. Adaptado)

No período – Ao próximo governo, […] só restará a opção de estabilizar sua dívida e recuperar a confiança doméstica. – (último parágrafo), a relação entre as orações é de

a) adição, e elas podem ser reescritas da seguinte forma: Ao próximo governo, só restará a opção de não apenas estabilizar sua dívida como também recuperar a confiança doméstica.

b) oposição, e elas podem ser reescritas da seguinte forma: Ao próximo governo, só restará a opção de estabilizar sua dívida, entretanto recuperando a confiança doméstica.

c) conclusão, e elas podem ser reescritas da seguinte forma: Ao próximo governo, só restará a opção de estabilizar sua dívida e, assim, recuperar a confiança doméstica.

d) alternância, e elas podem ser reescritas da seguinte forma: Ao próximo governo, só restará a opção de estabilizar sua dívida ou recuperar a confiança doméstica.

e) explicação, e elas podem ser reescritas da seguinte forma: Ao próximo governo, só restará a opção de estabilizar sua dívida, pois recuperará a confiança doméstica.

Gabarito:

  1. E
  2. A
  3. A

Sobre o(a) autor(a):

Anderson Rodrigo da Silva é professor formado em Letras Português pela UNIVALI de Itajaí. Leciona na rede particular de ensino da Grande Florianópolis.

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